Minha Exoneração do Cargo de Procurador Federal

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Olá, prezados leitores. Este foi um texto que produzi em novembro de 2017 no meu antigo blog pensamentos financeiros sobre minha exoneração do cargo de procurador federal.

Eu iria escrever sobre como me sinto e o que fiz nesses quase 30 meses após a minha exoneração, e a “minha decretação de independência financeira“.

Porém, é um texto muito emblemático, e acho importante que faça parte do novo site. Também, planejo na semana que vem escrever sobre a minha vida pós-procuradoria, pós-trabalho formal, e acho que faria mais sentido (re)publicar esse texto antes.

Não mudei nada do mesmo, para capturar o que estava sentido quando soube que minha exoneração de um cargo público tão cobiçado tinha sido publicada no órgão oficial.

A Exoneração que sempre quis

Faz tempo que queria escrever esse artigo. Talvez mais de cinco anos.  Sou arrependido do caminho que tomei? De maneira alguma. Não sou grato pelo que aprendi? Absolutamente.  Mais de 12 anos depois, minha história como Procurador Federal chega ao fim. A minha exoneração do cargo de Procurador Federal foi publicada no Diário Oficial da União.

Durante esse tempo aprendi muito sobre a miséria humana, sobre os outros, sobre mim mesmo, sobre a vida.

Lembro-me como se fosse hoje de uma das minhas primeiras audiências. Um garoto de 18 anos que tinha tomado um tiro e ficado paraplégico.

Até hoje penso naquele garoto, e na vida dele que foi alterada de maneira tão brusca numa etapa tão cedo da vida. Quantas mães e esposas que perderam os seus filhos e maridos não vi chorar em minha frente.

Vi muita desfaçatez também , é verdade.

Durante certa  época sofri com o tratamento recebido. Quem me acompanha há mais tempo no blog, sabe que gosto de tratar dos assuntos com seriedade,  e sempre questionar aquilo que acredito não ser correto. No serviço público, mesmo na elite do funcionalismo, isso às vezes, ou quase sempre, não é muito bem visto.

No primeiro estágio fiquei com raiva. Algo que não faz bem para ninguém, muito menos para a pessoa que está sentido raiva. Depois senti indiferença. Um dos piores sentimentos, mesmo que endereçado para pessoas que não agiram de maneira correta comigo .

A indiferença é algo terrível e faz um mal danado. Depois senti pena, outro sentimento que não nos leva a nenhum lugar.

Foi apenas depois de muito refletir, e sentir todas essas sensações ruins, que percebi que na verdade as situações de desconforto e as pessoas que as criaram eram na verdade “professores da vida”.

Foram elas que me forçaram a evoluir enquanto pessoa, a ir atrás de novos horizontes, a me desafiar. Talvez eu não estivesse escrevendo esse texto se não fossem essas situações e essas pessoas.

Aprendi muito. Eu sou aquilo que vivi, como gosto daquilo que sou, então só posso agradecer aquilo que vivi.

O salário era muito maior do que necessitava, então pude economizar muito. Com certeza foi um dos pilares para chegar onde estou.

Tomo um caminho em sentido contrário do da maioria. Afinal, quem não quer não ter controle de horário, um salário de R$ 30.000,00 e ser chamado de Dr., tudo isso com estabilidade e respeito social quando as pessoas sabem o que você faz.

Muitos querem, e é natural que assim o seja.  Eu, porém, no atual estágio da minha vida, quero outras coisas.

Foram anos e mais anos me preparando financeira e psicologicamente para esse momento. Talvez já tenha feito centenas de cálculos. Quantos rabiscos não fiz de várias margens de segurança, várias formas de retiradas do patrimônio, várias períodos de abrangência. Acho que fiquei um especialista nessa área.

Quando percebi que a parte financeira não era o que me segurava, afinal posso me dar o luxo de ter duas independências financeiras (uma aqui no Brasil, e outra com um portfólio em separado no exterior), resolvi tratar da parte emocional, dos medos, das inseguranças próprias e a dos outros.

A viagem de quase dois anos que fiz por lugares soberbos do mundo foi com certeza uma amostra de como a vida pode ser espetacular, diferente, desafiadora, sem que se precise se apegar ao padrão tido como correto e vitorioso.

Entretanto, é verdade que o governo Temer deu uma bela ajudada para a minha decisão, e tornou tudo mais fácil.

É isso, independência financeira de forma “oficial”.  O que vou fazer? Não faço a mínima ideia.

Terminar o meu livro sobre leilões (que está ficando bom), especializar-me em investimento-anjo, ser um bom pai, viver em 9 lugares diferentes no mundo aprendendo os rudimentos da língua local nos próximos 18 meses, melhorar como cantor, ajudar mais os outros, não sei, e francamente isso nunca me preocupou.

A vida é muito interessante e ampla para nos definirmos apenas pelos nossos trabalhos. Aliás, quanto mais se conhece do mundo, mais interessante ele fica.

É isso, colegas leitores, esse foi um artigo que ansiava escrever antes mesmo de ter um blog. Uma parte importante da minha vida fica para trás, outra se abre em minha frente. Estou tão tranqüilo, satisfeito e feliz, que tenho certeza que será uma vida ainda melhor do que a vida boa que venho levando.

42 respostas para “Minha Exoneração do Cargo de Procurador Federal”

  1. Tomar essa atitude não é para qualquer um. Acho que resolveu ser feliz e ser procurador não te dava felicidade. Parabéns pela independência financeira.

  2. Me lembrei daquele vídeo que te enviei, história bem parecida.
    Felicidades no novo estágio de vida Sô! Parece que você se libertou de um grande fardo.
    Hoje republiquei o post do Valores Reais, mais pra frente vou republicar seu post contando esta mudança. Se tiver algo a acrescentar só falar.
    Grande abraço e muitas felicidades!

  3. "A beleza está no olhos de quem vê." Clichê, mas faz sentido. Sempre é possível extrair algo do que vemos.

    Seu relato mais uma vez demonstra a importância do olhar.

    Muita luz na caminhada.

  4. Olá, Soul.
    Faz muito tempo q estou longe da finansfera, apenas acompanho o blog dos amigos.
    Fiz login apenas para fazer um comentário em seu post.
    Primeiramente, parabéns por sua coragem!! Conheço dezenas de concurseiros que venderiam até a mãe pra assumir um cargo desse.
    Não tenho como te dizer se foi o certo ou não, mas se vc esta feliz é isso q importa. Sucesso na nova vida que vem pela frente, aguardo pelo livro sobre os leilões.
    Abraço

    1. Olá, Guardião. Fico lisonjeado com a sua mensagem.
      Claro, o futuro é sempre incerto, e é por isso que algumas decisões são difíceis de tomar. Porém, acredito que me preparei tanto em tantas áreas, que vai dar tudo certo.
      Mais uma vez, agradeço.
      Um abs!

  5. Um dia também gostaria de largar o fardo que escolhi carregar. Antes que a morte se consume, quem sabe um pouco de vida, leveza e liberdade. Obrigado por manter o blog.
    Que desprendimento!
    Felicidades!
    Gaivotão

    1. Olá, Gaivotão.
      Gostei que você está ciente que foi você mesmo que escolheu carregar. As rédeas da sua vida, em última instância, estão na sua mão.
      Um abs!

  6. Sou auditor federal e acredito, se tudo der certo, que farei o mesmo daqui dez anos aproximadamente.
    É muito boa minha posição atual e não tenho do que reclamar, mas definitivamente desejo fazer coisas bem diferentes do que faço.
    Abraço e felicidades!

    1. Olá, colega. Um grande amigo meu também é auditor fiscal e está na mesma posição do que você. O que posso dizer a não ser dedicar sucesso em sua empreitada?
      Apenas digo que cargos como o seu geram uma zona de conforto imensa, que na maioria dos casos causa paralisia. Faça um patrimônio razoável, e daqui 10 anos você poderá ter muito mais liberdade para decidir o que quer.
      Um abs!

    1. Olá, Galo Magrelo!
      Eu tb estou ansioso para terminar a escrita e começar o processo de edição. Porém, vai demorar um pouco ainda.
      Um abs!

  7. Parabéns pela atitude corajosa, Soul. Sou PFN e pretendo seguir o mesmo caminho em breve. Inclusive já me desfilei do RPPS para poder aportar mais e também porque não iria me beneficiar dele no futuro mesmo. Minha ideia é viajar pelo mundo velejando, gastando pouco e podendo dedicar meu tempo para estudar mais sobre filosofia, história, economia e línguas estrangeiras. Grande abraço e boa sorte na nova empreitada.

    1. Olá, D.I.L.
      Rapaz, sabe que eu não tenho tantos sonhos. Os meus maiores objetivos é ser um humano melhor, conviver melhor com meus familiares, ter mais tempo com bons amigos, e me sentir envolvido com alguma atividade produtiva. Se conseguir isso, já me dou satisfeito com a vida.
      Abs!

  8. Desejo que seja feliz com a vida que construiu para si, soul.

    Vc tirou a licença para interesses particulares quando fez essa viagem de 2 anos?

  9. Parabéns pela conquista Soul Surfer! É muito legal ver alguém da blogosfera financeira do Brasil se aposentando tão cedo (no sentido de parar de trabalhar para ter um salário no final do mês), você conquistou algo que pra mais de 95% da população é inimaginável!

    Muita gente deve pensar que você é louco por abandonar um salário desse, mas acredito que dinheiro em excesso não traga mais alegria. Se você acredita que a quantia que você tem hoje é suficiente pro resto da vida, não faz muito sentido gastar uma parte grande do dia trabalhando enquanto você prefere fazer outras coisas.

    Te desejo muito sucesso e novas aventuras nessa nova fase da sua vida. Nunca comentei por aqui mas já conheço o blog faz bastante tempo e sempre fico admirado pela ótima qualidade dos posts e das discussões nos comentários, parabéns.

    Grande abraço.

  10. Boa sorte, Soul, no prosseguimento de sua vida pessoal e profissional, ou não profissional, se assim o desejar.
    Você é um cara diferenciado, percebesse facilmente.
    Abraço.

    1. Olá! Fico satisfeito de ter um militar investidor na blogosfera. Ouvi recentemente um podcast de um blogueiro americano que trabalhava no exército americano e conseguiu atingir a I.F. numa idade jovem. Achei bem interessante a entrevista.
      No mais, agradeço as palavras amigo.
      Um abs

  11. Soul, parabéns pela atitude corajosa. Não é fácil tomar uma decisão dessas. Amigos e familiares certamente não o apoiarão. Sou PFN e pretendo trilhar o mesmo caminho. Também sonho em ter tempo livre para fazer o que gosto, como viajar (no meu caso, se o destino permitir, velejando pelo mundo) e estudar mais sobre filosofia, economia e história. Grande abraço e boa sorte nessa nova empreitada!

    1. Olá, amigo. Então éramos colegas de carreiras-irmãs.
      Desejo sucesso para você. Se você navega pela blogosfera é porque já tem uma mentalidade financeira muito superior a outras pessoas com um bom salário.
      A I.F. no seu caso está logo ali, seja mais frugal, contente-se com a vida, tenha uma alta taxa de poupança que logo logo você chega.
      Um abs!

  12. Soul, parabéns pela escolha e pela liberdade que tens agora.

    Alguns falam que a falta de ocupação é um problema na IF, o que particularmente refuto. Tem tanta coisa para se ocupar, que não vejo como isso possa ser um fardo.

    Agora falta um filho, plantar uma árvore e publicar seu livro.

    1. Grande Guardião. Saiba que o admiro, e suas palavras são bem importantes.
      Está longe de ser um fardo, com certeza.
      Pois é, pois é, quem sabe eu não consiga fazer a trilogia em pouco tempo. Vamos ver.
      Abs!

  13. Parabéns Soul pela decisão.

    Agora é curtir a vida como você já estava fazendo.
    Também sou servidor público e pretendo sair depois que atingir a IF.

    Abraços.

    1. Olá, C.I.
      Desejo sorte na sua caminhada rumo a uma maior segurança financeira. Ainda pretendo ficar na blogosfera por mais tempo, então irei acompanhar a sua jornada.
      Abs!

  14. Se o aspecto financeiro já não é relevante, fez muito bem em sair da procuradoria do INSS.
    Trabalho em uma procuradoria municipal e, enquanto muitos sonham em entrar na minha carreira, eu sonho em sair. Conversando com outros colegas, vejo que não sou o único, apesar de a maioria da carreira ainda se iludir com o falso "status" de pseudoautoridade (gente cretina é o que. Ao falta por aqui).
    Serviço público tem muitas vantagens em relação à iniciativa privada, tais como remuneração elevada, baixos níveis de cobranca, estabilidade, etc, mas em geral é uma atividade medíocre.
    Sei que reclamo de barriga cheia. Enquanto depender do trabalho para o meu sustento, este é o melhor caminho para acumular capital sem grandes sacrifícios. Porém, a partir do momento em que dinheiro deixa de ser um problema, é o pior lugar para se passar os dias.
    Tenho certeza de que não terá um dia sequer que se arrependerá desta decisão.
    A vida é muito curta para se desperdiçar com serviços burocráticos.
    Nunca vi e nem verei uma pessoa no leito de morte dizendo que seu maior arrependimento na vida foi não ter cuidado de mais procedimentos administrativos.
    Boa sorte nesta nova jornada. Se algum dia o tédio aparecer, antes mesmo de esboçar qualquer arrependimento por largar o cargo público, lembre-se de que a causa da momentânea monotonia não é a falta de formulário padronizado para carimbar.

  15. Parabéns e muitas felicidades nesta nova etapa!
    Qual é o parâmetro que você usou para calcular que tem a independência financeira? Usa TSR? De quanto?
    Um abraço

  16. Olá, Guardião. Fico lisonjeado com a sua mensagem.
    Claro, o futuro é sempre incerto, e é por isso que algumas decisões são difíceis de tomar. Porém, acredito que me preparei tanto em tantas áreas, que vai dar tudo certo.
    Mais uma vez, agradeço.
    Um abs!

  17. Soul, simplesmente incrível sua forma de ver o mundo. Uma das virtudes que mais aprecio em uma pessoa é clareza de pensamento. Ser capaz de extrair as informações necessárias para tomar decisões a partir de um número muito grande de fontes e dados desconexos. Sabe a velha história de separar o joio do trigo? Você conseguiu ver com clareza o que realmente era importante pra você, mesmo com tanto ruído (status social, salário fixo, aprovação dos seus pares…)
    Ser simples, sem ser simplório é uma virtude de poucos e desde que me tornei um leitor voraz do seu blog e agora site, vejo que você consegue aplica-la em todos os ramos da vida, não apenas profissionalmente. Imagino o quão difícil foi sua decisão à época. Também sou servidor publico (a pouco tempo, no entanto) e estava refletindo sobre isso. Tenho um sentimento muito forte de retribuir à sociedade o que me foi oferecido, me formei em um boa universidade publica e fiz mestrado na mesma instituição. Sinto um dever psicológico de retribuir o que me foi oferecido ao longo de toda minha jornada, principalmente morando no Brasil, onde as pessoas se sacrificam para que poucos tenham a oportunidade de cursar uma universidade de ponta e gratuita. É claro que existem muitas formas de contribuir socialmente, investindo é uma forma delas, eu sei, mas como você lidou com essa questão? Ou isso não foi uma questão pra você?

    Parabéns pelo livro, com certeza irei lê-lo, gosto muito do tema e se quiser qualquer auxilio na parte de avaliação de imóveis, me avise. Atuo como perito judicial na área de avaliação de imóveis e construção civil.
    Grande abraço e parabéns pelo site novo

    1. Olá, Eduardo!
      Grato pelas palavras, amigo.
      Primeiramente, sobre o livro, como o texto foi escrito no final de 2017, mudei um pouco. Talvez eu lance um curso online, o livro em si, faltando diagramação-desenhos, etc, está pronto. Porém, creio que lançando como um curso, dando o livro ao final, faz mais sentido.
      Eu entendo o seu sentimento, mas não passou pela minha cabeça, não. Tenho certeza que um outro procurador mais “apaixonado” pelo que faz seria-é uma situação muito melhor para os indivíduos envolvidos e para a sociedade como um todo.
      Um grande abraço!

  18. Soul, muito legal seu blog. Sempre tive uma relação bacana com o dinheiro dentro da minha restrita realidade de universitária. Agora que minha formatura está cada vez mais próxima e a “vida real” chegando o chamado pra me apropriar cada vez mais desse conhecimento bate na porta. Seu blog tem me ajudado muito a observar com mais coerência minha relação com dinheiro e consumo e casar isso com o que planejo pro meu futuro. Muito bom, muito obrigada!

  19. Você alguma vez se sentiu frustrado por não ter atingido o ápice da carreira jurídica com um cargo na magistratura ou no ministério público?
    Não se sentiu frustrado por ter que explicar para as pessoas o que seu cargo fazia e que era apenas burocrático, sem grande relevância prática e com atuação em favor do Estado e contra os cidadãos (que normalmente detêm o direito)?

    1. Oie William!
      Não creio que haja ápice de carreiras jurídicas, pois todas as funções são relevantes para o correto funcionamento do sistema.
      Mas, respondendo a sua pergunta: não, nunca fui frustrado por não ter prestado concursos para magistratura ou MP. Aliás, se tem algo que não gostaria de ter sido é juiz.
      As pessoas, fora da área, também não me perguntavam muito sobre os detalhes do que faia, então isso também não era motivo de nenhuma frustração.
      Porém, a maioria do que eu fazia era sim um trabalho repetitivo e isso sim me frustrava e foi uma das, dentre as diversas, razões para eu querer me exonerar.
      Sobre a atuação em si da AGU, creio que é uma ótica equivocada a sua. A defesa do Estado em juízo, e o seu correto aconselhamento, é vital para o correto funcionamento de todo o sistema. Eu mesmo, por exemplo, quando atuava em Santos em meados de 2007, mediante muito esforço próprio por causa da ausência de apoio e estrutura, em algumas semanas devo ter evitado o pagamento de mais de cinco milhões de reais em dívidas não existentes contra o Estado. Eram valores que não eram devidos e muitos cálculos inflados, não vejo qualquer diferença quando o MP diz que recuperou “X Milhões” oriundos de corrupção, o resultado prático é o mesmo. Em toda a minha carreira, apenas eu devo ter evitado o pagamento de dezenas, talvez centenas, de milhões de reais de forma indevida. E quando os valores são devidos, a chance do Estado ganhar em juízo é quase nula.
      Por fim, de muito percebi que o que me faz humano, o que me faz ser o que sou, vai muito além de eventual trabalho, então minhas eventuais fontes de eventual frustração vem de outros lugares.
      Um abraço!

  20. Muito legal, isso abre muito a minha mente quando fico pensando em larga tudo pra viajar, mas claro que não tenho a segurança da IF, teria que recomeçar tudo quando voltar. Soul, me diga, vale a pena? Os lugares que você conheceu, as pessoas, culturas, idiomas, você faria essa viagem de quase 2 anos se não tivesse a sua IF?

    Eu sou solteiro, sem dependentes, sem muitas responsabilidades, sou dono da minha vida, mas sinto que não vivo, que só trabalho e administro dinheiro. Queria viver algo, experimentar coisas, na verdade isso já está no meu planejamento faz tempo, mas queria ter a segurança da IF, mas no ritmo que está eu consigo a IF perto dos 40 anos, não é uma idade ruim, mas também não é os 30 que eu tenho agora a disposição para fazer as viagens e aventuras que quero.

    Peço a sua humilde opinião, o que o Soul de 10, 15 anos atrás faria e qual a opinião do Soul de agora?

    Obrigado pelo post e pelo blog, vc divide experiencias incríveis. =)

    1. Olá, amigo.
      Poxa, o seu comentário é bem rico.
      Primeiramente, cada pessoa é uma pessoa. Eu acho incrível viajar, essa foi uma viagem muito longa, mas eu viajo há muitos anos. Eu conheci a minha mulher numa viagem de surfe pela América Central, mas especificamente no Paraná. Eu vi que ela era uma mulher que iria aturar eventuais dificuldades, quando ela suportou muitas dificuldades quando passamos um tempo na Índia. Eu viajava na adolescência para Europa para competir em mundiais de xadrez. Portanto, viajar sempre fez parte da minha vida, mas talvez não seja tão importante para tantas outras pessoas.

      a) Essa viagem de dois anos que eu fiz foi simplesmente espetacular. Ainda bem que fiz algo assim na minha vida.
      b) Se eu faria essa viagem se não tivesse IF? Sim, com certeza, centenas de pessoas fazem todos os anos, talvez milhares de europeus fazem uma viagem assim todos os anos. Eu não me arrependo, pois sou satisfeito com quem sou e onde estou. Mas, se tem algo que eu viesse me “arrepender” foi ter ficado no cargo de Procurador por mais tempo do que deveria, quando vi que não era satisfeito com o que eu fazia.
      Um grande amigo meu largou a advocacia, e iria dar uma volta ao mundo de bicicleta (uma paixão dele) com quarenta anos (nos formamos juntos) e com 15-20 mil reais na conta. Eu fui um grande incentivador. Essa pandemia atrapalhou os planos dele, mas hoje ele virou mecânico de bicicletas de luxo, e está satisfeito.
      Portanto, se você acredita que gostaria de fazer uma viagem desse tipo, não espere uma eventual IF, em minha opinião.
      c) Bom, se você já fez essa reflexão, sabe muito bem que a vida é muito mais do que “trabalhar e administrar dinheiro”. Com certeza é um aspecto muito importante, mas ele não é o único. Apenas você pode achar o equilíbrio apropriado com quem você realmente é.
      c.1) Todos querem segurança. Eu quis, e por isso demorei um pouco. Quem não quer segurança? Quem não quer um banho quente? Mas, às vezes são os banhos gelados que dão sabor a vida. O Conforto e a segurança, que tem o seu valor, muitas vezes são grandes âncoras em nossas vidas.

      d) 15 anos atrás, eu teria 25. Não sei se faria algo diferente. 10 anos atrás, com 30, eu provavelmente teria viajado cedo, arrumado outra profissão. Mas, esse Thiago hipotético não existe, e por mim tudo bem. O que passou, passou. Não adianta remoer. O que faremos com o nosso presente é o que importa. Apenas tenha mente que tempo não se compra, esse ativo de sua vida só serve para gastar, não dá para acumular. E nossa saúde declina com o passar do tempo. Hoje aos 40, o meu físico talvez seja mais “estético” do que quando tinha 25 anos, mas com certeza minha saúde aos 25, se eu fizesse o que faço hoje, seria muito mais forte do que a minha saúde hoje, por mais que eu me considere um sujeito saudável.

      Um abraço amigo!

      1. Muito obrigado pela grande mensagem de valor, você não faz ideia como essa mensagem me ajudou e inspirou. Estou muito inclinado para que isso aconteça, claro que vou planejar e isso será enquanto a pandemia se aqueta, mas acho que vai acontecer.

        Fico feliz de seguir seu blog esses 5 anos hahaha

        Muito obrigado

        1. Olá, de novo.
          Poxa, cinco anos? Fico bastante lisonjeado!
          Claro, tudo ao seu tempo, mas não mais tempo do que o necessário.
          Um abs!

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