Mérito (Virtude) e Fortuna (Sorte). A relação inescapável

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Olá, prezados leitores. Mérito e Sorte. Qual o papel de um e outro no rumo de um indivíduo, e talvez de comunidades inteiras? Somo apenas animais recompensados e guiados por nossos esforços pessoais ou somos indivíduos premiados ou não por eventos puramente aleatórios?

 

Negar ou Não o Mérito Eis a questão

 

Questionar ideias tão arraigadas em nosso imaginário individual e coletivo não é uma tarefa fácil, mas é essencial.  A possibilidade de termos uma visão crítica sobre a realidade que nos cerca é uma habilidade essencial, em minha opinião, para compreendermos diversos aspectos da vida de uma forma mais profunda.

É esta tentativa, muitas vezes frustada é claro, de questionar minhas próprias verdades um dos motivos de ter me levado e escrever textos públicos na internet.

Uma das opiniões que perpassa muito da nossa vida é quase que o culto da “religião do mérito“. Há quase que uma fé cega no conceito de mérito.

Talvez por questionar esse aspecto da realidade, e eu o faço em relação à minha própria vida, que para padrões exteriores seria tida como uma vida até agora de “sucesso”, os meus escritos possam ter sido mal compreendido por alguns.

A nossa vida é o resultado de uma combinação de esforço (o que muitos entendem como mérito) e acaso. Negar a concepção de mérito como único definidor dos nossos destinos não representa a negação do esforço individual. Como assim?

 

Mérito e Acaso e Um Quarto de Século a Mais (ou a Menos)

 

No artigo

Herança Social. O que devemos a nossos antepassados?

perguntei qual é o mérito de um Dinamarquês ter nascido na Dinamarca. A pergunta parece absurda, porque ela é absurda. Ninguém pode ter qualquer mérito, entendido como  esforço individual,  por ter nascido num país em específico.

Qual é o demérito de um Somali ter nascido na Somália? A pergunta também é absurda.

Um Dinamarquês homem tem uma expectativa de vida ao nascer de 79 anos, um Somali de s de apenas 55 anos. São 24 anos de diferença. Um ser humano viverá em média 24 anos a mais do que outro ser humano apenas por ter nascido numa outra região do globo.

Para se ter ideia, você pode ter a melhor dieta do mundo, exercitar-se de maneira apropriada, dormir bem, ter bons genes, que você provavelmente não irá viver mais de 15 anos em relação a média da população, o que dirá 25 anos.

Eu não estou interessado aqui em saber porque um Dinamarquês vive mais, sobre o sistema econômico, político e social deste país.

O ponto simples é que se alguém tiver o acaso (azar) de nascer na Somália irá viver muito menos do que um  Dinamarquês. Já imaginariam viver 24 anos a menos em média? Um quarto de século retirado de sua expectativa de vida? Uau, isso é algo terrível e significativo.

Um Dinamarquês médio será muito mais educado, rico, saudável e feliz do que um Somali médio .

Se tirássemos um Dinamarquês e um Somali médios dos seus respectivos contextos e colocássemos um do lado do outro, é inegável, se fôssemos seguir o que acreditamos ser sucesso na sociedade atual, que apontaríamos com facilidade um vencedor e um perdedor.

E onde está o mérito nisso tudo? Ele não está, pois o destino desses dois indivíduos, em média, terá sido selado apenas por causa do lugar onde eles nasceram. Não importa se foram bons ou maus maridos, bons ou maus seres humanos, se trabalharam duro ou não. Em média um Somali viverá muito menos do que um Dinamarquês.

Esta é uma observação tão evidente de como o mundo se apresenta, que me causa uma surpresa imensa como muitos são reticentes a este fato.

E por que isso? Pela crença que o mérito, entendido como esforço individual, é a única coisa que importa, é aquela característica que poderá mover montanhas e levar qualquer ser humano a qualquer lugar.

Isso não se sustenta na lógica, nem nos fatos. Existe um grande livro chamado de “Outliers” e é fantástico.

Mérito e Acaso
O fantástico Livro Outliers

O livro trata sobre esse tema de acaso e mérito e suas improváveis conexões.

Entretanto, há tantos outros como  por exemplo “O Andar do Bêbado”. Esse é um tema recorrente na tragédia grega, em filósofos, grandes escritores e pensadores. Ou seja, não há nada de novo, humanos refletem sobre isso há milhares de anos.

Entretanto, não há esforço individual? Onde entra o papel do indivíduo nisso tudo?

Este livro é muito bom mesmo. Li em algumas horas (quando passei 20 horas dentro de um ônibus preso numa tempestade de areia num deserto da China) e recomendo bastante.

 

Mérito (Virtude) e Fortuna (Acaso)

 

O pensador italiano Maquiavel tinha o conceito de Fortuna e Virtude.  Fortuna, termo derivado da Deusa Romana da Sorte, é o nascer na Dinamarca ou Somália. É o acaso, o imponderável, aquilo que não temos qualquer controle.

O Acaso da Fortuna
A Deusa Fortuna distribuindo dons, problemas, ao acaso para nós humanos

É o nascer com um QI de 180 ou 80. Nascer uma pessoa fisicamente linda ou com alguma deformidade. É ser atropelado por um carro onde o motorista se distraiu, é o ganhar na loteria, é o ter nascido negro no Brasil em 1750 como escravo ou em 1995 como homem livre.

Creio que não preciso prosseguir. Não há mérito aqui, não há esforço individual, há apenas sorte ou azar, ou seja acaso.

Entretanto, um ser humano não é apenas afetado por sua fortuna, ele pode ser virtuoso ou não. V

Virtude para Maquiavel seria o esforço individual, seria o que entendemos modernamente como Mérito.

Logo, um Somali pode se esforçar para ter uma vida melhor. Uma pessoa que nasceu numa favela indiana pode se esforçar e chegar em algum lugar de destaque na sociedade. Um Americano nascido numa família rica pode não ser virtuoso e acabar na miséria.

O esforço individual importa.  Eu, Thiago poderia ter me esforçado mais e aprendido um pouco mais de Chinês, e aproveitado mais os meus quatro mês que viajei pelos mais variados rincões desse impressionante país.

Poderia ter me esforçado mais e hoje ser mestre de alguma arte marcial. Ora, aprender mais Chinês ou ser mestre em uma arte marcial é algo que está ao meu alcance, depende do meu esforço, do meu mérito próprio.

Posso dar milhões de exemplos, e creio que você leitor terá os seus inúmeros exemplos.

 

Apenas o Mérito Não Explica o “Sucesso”. O Acaso sempre está presente

 

Entretanto, há limites para o esforço individual. Não importa quão esforçado um negro fosse, ele nunca seria dono de uma fazenda na Venezuela em 1783.

Não importa quão esforçado seja o povo somali, eles, no curso de uma geração, não viverão tanto como os Dinamarqueses em média.

Não importa quão inteligente e esforçado seja Bill Gates (e ele é muito dos dois), se ele tivesse nascido em 1920, ele muito provavelmente não seria um gênio da informática, e teria uma grande possibilidade de ter morrido na segunda guerra mundial.

Bill Gates: Mérito, acaso ou ambos?
Por mais brilhante que Bill Gates possa ser, apenas o seu esforço não explica a sua trajetória

O próprio Bill Gates diz como ele foi sortudo de ter nascido na época certa. O livro “Outliers” trata de maneira espetacular a história dele e de outros ícones do tempo moderno, e desmonta a ideia de que apenas o esforço individual explica o sucesso.

O esforço individual é fundamental, todos podem se esforçar, quase nunca ele é suficiente, especialmente para explicar sucessos retumbantes.

Reconhecer o papel do acaso, da aleatoriedade, não é diminuir o ser humano. É apenas reconhecer como as coisas são.

Aliás, no meu caso ao perceber quão evidente era essa a realidade, o efeito foi me fazer mais humilde, aceitar mais os outros e reconhecer que só estou onde estou por causa de inúmeros acontecimentos aleatórios, sorte e também do meu esforço individual.

Isso é um alívio. Nos torna menos propensos a julgamentos peremptórios sobre outros seres humanos e a vida fica tão mais leve.

 

Você sempre pode se esforçar

 

Agora, colega, não importa onde você esteja e em qual situação, você sempre poderá se esforçar.

Aliás, se você está lendo esse artigo, é muito provável que você seja um privilegiado pelo  mero acaso.

Não nasceu num campo refugiados no Sudão, não é trabalhador escravo em alguma mina em Uganda, não perdeu uma perna e um braço numa mina enterrada no Camboja, ou seja, nasceu num país com inúmeros problemas, mas muito melhor do que boa parte do países atuais no mundo.

A Fortuna (acaso) já está do seu lado.  Sendo assim, está sem dinheiro? Esforce-se mais no seu trabalho. Esforce-se mais estudando. Esforce-se mais em suas atividades diárias. Depende apenas de você.

Você tem uma empresa? Esforce-se para atender melhor os seus clientes, ser gentil já é uma enorme diferença no Brasil.

É um estudante universitário?  Esforce-se para tirar o melhor proveito da universidade, leia mais, pergunte mais aos professores, não perca tanto tempo bebendo cerveja com amigos, principalmente em horário de aula.

É empregado de uma empresa? Faça o seu trabalho de forma correta. Faça mais do que é pedido e não reclame tanto. Instrua-se mais se quiser outra posição. Etc, etc.

Mérito e Acaso. Fortuna e Virtude. Elas sempre te acompanharão na vida. Uma você não terá qualquer controle a outra depende de você.

Você pode inclusive usar sua virtude em relação aos acontecimentos fortuitos de sua vida (aliás, era isso que Maquiavel dizia que fazia um grande governante).

Alguém bateu no seu carro? Um ato fortuito. Você irá atrás do motorista infrator como um louco alucinado e irá chamá-lo para a briga ou você terá uma outra atitude ? Isso é virtude.

Alguém te ofende (algo sobre o qual você não tem controle), você ficará com raiva ou não? Isso é virtude e depende única e exclusivamente de você.

 

Um Exemplo Banal de Fortuna e Virtude

 

Quando estava na Coréia do Sul, e minha mulher fomos a um templo à beira mar na cidade de Busan (sul da Coréia, cidade lindíssima aliás).

Enquanto estávamos esperando o ônibus, ouvi “brasileiro” sendo falado por duas garotas. Iria começar uma conversa, já que fazia meses que não encontrava nenhum brasileiro, mas nosso ônibus chegou e acabei não iniciando uma conversação.

No outro dia, numa estação de metrô fomos parar atrás de quem na fila? Das duas brasileiras (isso foi um grande acaso, já que Busan tem mais de 3 milhões de habitantes).

Resolvi que já era muita fortuna,  comecei a utilizar a minha virtude e iniciei um conversa. O papo durou alguns minutos, pois descemos antes numa outra estação de metrô.

No outro dia, não é brincadeira, as encontramos de novo na estação de trem, e elas estavam indo para a mesma cidade histórica. Fizemos amizade e elas se mostraram mulheres muito bacanas.

Uma falava coreano, pois os pais nasceram na Coréia e emigraram para o Brasil há 40 anos. Por causa da habilidade dela na língua, pudemos experimentar um típico almoço tradicional coreano.

Uma das melhores experiências na Coréia que tivemos . A comida estava deliciosa, nunca vi vegetais tão bonitos e apresentação dos pratos foi e é sensacional.

Cabe a cada um de nós transformar acontecimentos fortuitos, e há tantos deles, por meio da nossa virtude (esforço individual) em algo  mais significativo para nossas vidas.

Ah, e uma das garotas, iria acabar nos encontrando na Mongólia meses depois, e partindo conosco, mais um motorista de um jipe miliar temperamental, para uma viagem de 21 dias pelos lugares mais remotos do planeta nos rincões do país mais bonito do mundo.

 

Quando a Virtude alcança a Fortuna num grande banquete
Que banquete! Que experiência! Obrigado Fortuna (e obrigado meninas!)

28 respostas em “Mérito (Virtude) e Fortuna (Sorte). A relação inescapável”

Grande Soul,

Gostei muito do texto e tenho tentando assimilar melhor o que voce fala sobre ser virtuoso, ser menos nervoso, nao ficar P da vida com xingamentos.

Acredito que devemos sim nos esforcar, mas um pouco de sorte tambem e necessario.

Que coincidencia esta historia das brasileiras rsrs.

Nao escrevo textos da mesma forma que voce, mas escrevi sobre esforco, motivacao, forca de vontade, antes do mais recente post de atualizacao financeira.

Nao sei se voce le outros blogs, mas faco um convite para passar na minha humilde pagina.

Vi por acaso um post seu no Tetzner, achei excelente, mas vejo que muitos la nao entenderam os seus conceitos de acumulo de patrimonio, que consistia em Aporte + Rendimento de Poupanca, eu leio cada coisa que ultimamente me fizeram ver que em investimentos o melhor e evitar ler muita coisa e seguir uma estrategia simples, da forma que voce escreveu mesmo.

Investimentos nao devem ser tao complicados.

Tenho um amigo de trabalho, amigo mesmo pessoal, que ganha 8K, 25 anos de empresa, nao e chefe, muito esforcado e bom de servico, com patrimonio de mais de 20 milhoes, e continua trabalhando.

Nao entendo como ele nao aproveita a vida, viajando como voce faz.

Ele nem tem planos de aposentadoria, este salario nao paga nem 1/3 dos gastos mensais dele, que tem uma empresa paralela herdada do pai e que gera mais dinheiro que o salario.

Eu tenho muitas duvidas de como seu patrimonio consegue gerar tanto retorno ao ponto de voce passar tanto tempo viajando, pegando aviao, restaurante, hotel, pois nao faco a minima ideia de quantos reais seriam necessarios para fazer isto.

Talvez uma base economica desta experiencia agregaria muito Soul.

Acabei escrevendo um post ao inves de comentario, pois gostei muito do post.

Abraco

VC,
Há uma frase brilhante do Einstein ( eu tenho profunda admiração por esse sujeito. Além de ser um dos cientistas mais brilhantes que o mundo já viu, ele era um profundo humanista e grande pensador. Sabia que ele foi cogitado para ser o primeiro líder do recém criado Estado de Israel?) que é mais ou menos assim “Devemos fazer as coisas de maneira simples. Porém, não mais simples do que isso”.

Ele quis dizer que precisamos ser simples, mas não podemos ser simplistas. Temos que ter pensamento claro e objetivo, mas isso não quer dizer que tudo serve.
Logo, é importante lermos sobre investimentos, finanças, ativos, algumas notícias. Agora, essa obsessão com investimentos, em minha opinião, não leva a nenhum lugar, pelo contrário.

O seu colega tem mais de 20M de patrimônio? Poxa, isso é um patrimônio, até para padrões suíços, muito grande. Ele poderia ter uma boa vida em qualquer lugar do mundo, até mesmo em Luxemburgo ou Lichestein ( lugar onde os ricos se encontram na Europa). É uma escolha de vida.

As pessoas aproveitam a vida de maneiras diversas. Procuro com os meus textos sobre viagem, e algumas pessoas às vezes confundem, inspirar para que as pessoas se desafiem e vão atrás daquilo que as faz feliz. Não precisa ser viagem. A pessoa pode nem mesmo gostar muito de viajar (apesar que é uma experiência tão engrandecedora sobre vários aspectos). O meu colega Viver de Renda é um que não se importa muito com viajar. O importante é achar atividades que preencham o seu coração, que façam você feliz. Pode ser até mesmo trabalhar, quantas pessoas não são felizes e satisfeitas com aquilo que fazem. Cientistas e Artistas costumam ser extremamente satisfeitos com o seu trabalho.

Em sua homenagem, irei escrever um artigo sobre custos financeiros de uma viagem. Você vai ficar surpreso que muitas vezes é mais barato viajar do que ficar no Brasil. Se a pessoa gasta com aluguel, então é quase certo que é mais barato. Não se precisa de grandes quantidades de dinheiro. Se a viagem for como eu e minha companheira gostamos, então a quantia é bem razoável. Vou tentar escrever nas próximas semanas.

Leio sim, VC. Não é sempre que tem internet e na Coréia do Sul a conexão parece um jato. Nos próximos meses, irei para países muito mais remotos, e a Internet será inexistente ou bem demorada. Por causa disso, não comento muito em outros sites. Leio às vezes os seus artigos e creio que está no caminho certo. Não foi você que falou que gosta de Hilux, mas sabe que esse prazer de estar num carro como aquele não valeria o esforço a mais em forma de trabalho e dinheiro. Você já está com uma compreensão que a imensa esmagadora maioria das pessoas não faz nem noção. Cabe a você trilhar o seu caminho, que será diferente do meu, e encontrar uma forma prazerosa e boa de viver a sua vida. Você é aparentemente bem esforçado, está abrindo os olhos para vários aspectos na vida, a combinação disso tudo só pode ser boa no médio-longo prazo.

Abraço!

Seu exemplo, no fim do artigo, foi ótimo!

Caso não tivesse sido sua virtude de ser minimamente comunicativo, não teria se aproveitado da fortuna de encontrar brasileiras num lugar inusitado e, também da fortuna, de experienciar um almoço tipicamente coreano.

Tudo na vida acaba sendo uma combinação (e re-combinações) destes 2 aspectos: virtude e fortuna, cabe a nós fazermos o melhor da fortuna (acaso) que se apresenta para nós a cada instante. Este é o título do seu post inclusive.

Abraços, Renato C

Vei que texto foda,, vou tentar lembrar disso no dia-a-dia, tenho certeza que vai me dar melhores chances de crescer na vida seu aproveitar melhor essas pequenas brechas aleatórias que aparecem…

Olá, colega. Fico feliz. Há varias acontecendo no mundo. Um dia, respire fundo um pouco da rotina atribulada que é a vida de muitos, e pare uns minutos e apenas observe as pessoas. Pode ser no metrô, numa praça, numa avenida movimentada. Olhe com atenção ao seu redor. É inacreditável. A quantidade de coisas que acontece. É um cara olhando uma mulher bonita, uma criança correndo, um casal andando apaixonado, uma discussão sobre qualquer motivo, é muita vida acontecendo. Passamos por tudo isso no piloto automático, mas às vezes vale a pena observar. A todo instante inúmeros acontecimentos aleatórios acontecem em sua vida, cabe a você melhor aproveitar esses momentos.

Abraço!

Tenho lido muitos textos interessantes onde uma das ideias mais importantes que identifico é essa de que as únicas coisas que podemos controlar são nossas atitudes e pensamentos. Stoicism, otimismoXpessimismo, fortunaXvirtude, sietema1Xsistema2, aquele famoso texto "this is water", …

Gosto muito dessa linha stoica, mas confesso que colocar em prática tem sido mais difícil do que eu imaginava…

No final das contas a chave é o autoconhecimento!

Ps. Soul, grandes chances de eu fazer trips maneiras pra Itália e Sudeste Asiático (quero pelo menos 1 das duas haha). Torcendo pra conseguir umas passagens baratas!!

abraços
Victor

Olá, Victor!
É difícil no começo, depois vai ficando mais fácil. Tudo é prática. Meditação, comportamentos, etc. É por isso que comportamentos negativos, de raiva, são tão deletérios em nossa vida. As pessoas acham que não tem controle sobre isso, mas isso é um engano.

Poxa, torço para que consiga fazer. Qualquer dia desses quero explorar a Itália melhor. Sudeste Asiático vale muito a pena conhecer. Já estive diversas vezes e fui a todos os países (menos Timer Leste e Brunei) e todos as nações lá são interessantes.

Abraço!

Muito bom novamente, Soul.

Engraçado como as impressões mudam de pessoa pra pessoa. Você parece ter a impressão de que as pessoas negam mais o acaso, eu tenho a impressão de que as pessoas negam mais o mérito. Já vi várias vezes compartilhamentos no facebook (já apaguei a conta, não aguentava mais tanta opinião sem fundamento, tanta poluição) que não existe meritocracia, algo completamente absurdo (vide 1+1=2 não verdadeiro). Como você falou no texto, há pessoas que nascem em situação muito favorável, mas que se veem pior do que gente esforçada nascida em situação mais desfavorável, embora a probabilidade disso acontecer seja menor.

Olho minhas próprias experiências. Vejo muitas pessoas (parentes, inclusive) com as mesmas oportunidades que tive, as mesmas peneiras, na escola, na faculdade, no trabalho e, por n motivos, essas pessoas não aproveitavam, não se entregavam. Na infância, amigos que tinham muito mais grana – apenas um tipo de sucesso, como você gosta de lembrar – ficando para trás porque desperdiçavam as oportunidades que os pais propiciavam.

Não à toa, é muito comum ouvir "fulano tá bem porque teve sorte na vida". Provavelmente toda história tem pitadas de sorte, de acaso, mas será que se não houvesse preparo haveria acaso durante uma trajetória bem sucedida? Improvável na maioria dos casos. Vencedores de loteria e reality shows voltam às condições anteriores ao prêmio geralmente. Até pra manter o que se tem há mérito.

Na pesquisa de Thomas Stanley pro seu livro, acho inspirador que 70% dos milionários americanos não receberam herança alguma. Claro, nascer nos EUA é uma grande vantagem, mas o que esse grupo fez diferente da maioria de seus conterrâneos? Notam-se vários padrões. Aqui entra o mérito. Numa combinação de inflação e atividade econômica, cada século produz muitos milionários a mais do que o anterior. A qualidade de vida do mundo, no longo prazo, tem evoluído.

Enfim, negar o mérito é tão absurdo quanto negar o acaso. Gosto mais de olhar o mérito porque é algo que ainda temos algum controle pelos nossos esforços.

Abraço, Soul!

Olá, colega.
Sua observação é pertinente e verdadeira. Creio que falei da minha impressão, pois aqui no blog convivo mais com pessoas que escrevem sobre finanças, pensam em dinheiro, e para esse público o mérito parece ser a pedra filosofal.

A noção de que o mérito, entendido como esforço individual, não importa é extremamente maléfica para o indivíduo, bem como para a sociedade. O meu pai sempre me falou que uma sociedade deveria ser estruturada pela meritocracia. Há grandes doses de razão nessa forma de pensar. Acontece, que não é tão simples. Eu nem quis muito adentrar em outras questões, tratadas pela ciência atual, sobre esforço, mérito, etc, para não ser tão polêmico para a maioria das pessoas.

No mais, concordo com o seu posicionamento. Apenas acho que o acaso pode ser uma força extremamente poderoso no sucesso e fracasso de indivíduos e nações. Temos que aceitar isso, não deixando de lado é claro noções como esforço.

Abraço!

Soulsurfer ótimo artigo é ótima a ideia do colega sobre custos numa viagem como a sua.por favor nos brinde com isso mesmo! Abraços.

Agradeço antecipadamente Soul,

Será um norte para quem, como eu, não conhece quase nada de viagens, onde praticamente só viajei para outros estados e países devido ao meu trabalho rs.

Fico ainda mais feliz de ter o blog lido, e este caso da Hilux é bem o que você explicou num dos últimos artigos sobre o quanto este "luxo" agora impacta em anos trabalhados para alcança-lo no futuro.

Nos investimentos, acredito estar indo no caminho correto (maior parte do patrimônio imobilizada, evitando desastres que me façam voltar ao marco zero e as construções / vendas de casas geram muito retorno, quando os negócios são efetuados), e agora nos FIIs, e mais a frente alguma Renda Fixa, ou seja, por não ser tão expert em análises e mercado, e nem ter tempo para isto, estou utilizando mesmo a diversificação a meu favor.

A única dúvida que tenho na minha vida atualmente é a respeito da ambição: Trabalho numa empresa que admiro, com ótimo ambiente, e realmente gosto do que faço, mas, e se eu buscasse um emprego na área de gerenciamento de projetos em outra empresa que pagasse mais?

Sou muito moderado, não assumo tantos riscos, mas não sou tão conservador, e fico pensando se devo ou não dar um passo a mais, mesmo na crise, pois sabemos que o que eleva o patrimônio é Aporte + Tempo, então eu poderia encurtar a minha IF se tivesse um salário maior.

Devo postar sobre esta reflexão, em breve.

Aguardarei ansioso o post das viagens.

Abraço

Guardião, irei escrever amigo.

VC, rapaz, sempre temos que procurar evoluir profissionalmente. Apenas se uma profissão é realmente muito prazerosa e a pessoa sente uma grande satisfação com ela, acho que o fator financeiro pode ser negligenciado um pouco. Reflita sobre a sua vida e trabalho. Tudo que fazemos de bom nessa vida vem da nossa reflexão.

Grande abraço!

Rapaz, é muito bonita essa forma de encarar a vida. Devíamos parte do nosso tempo nas telas de LCD, IPS, AMOLED dos eletrônicos para o que acontece lá fora. E quando formos navegar no mundo virtual, que seja para usufruir de boas ondas como esse blog!

Mais um excelente post, como outros que você escreve. Seu blog é um dos poucos que considero excelente na dita "blogosfera de finanças".

Enfim, gosto de uma frase que representa muito bem tudo o que você disse: "A sorte é o encontro da preparação com a oportunidade".

Abraços

Olá, colega.
Agradeço as palavras elogiosas. Creio que a virtude poderia ser assim definida, é quando você se aproveita do seu preparo de atos fortuitos. Há atos fortuitos que por ventura nos beneficiam em que não há nenhuma participação do esforço individual.

Abraço!

Nossa, que belo post! Daqueles que nos faz refletir..

Eu tenho muito que lidar com a minha humildade e reconhecer que grande parte do meu mérito foi.. sorte.

Sorte de estar na hora certa, no local certo, para conseguir bom emprego, bons estudos, enfim…

Aliás, esse texto me lembrou um quadrinho que vi essses tempos e achei bem interessante:

hypeness.com.br/2015/05/quadrinho-resume-o-porque-de-a-historia-de-que-todo-mundo-tem-as-mesmas-chances-nao-e-tao-verdadeira-assim-2/

Só de nascer no lugar certo já é uma baita sorte!

Abraços

Soul, assunto muito interessante.

Obviamente não há o que discutir em alguns casos, como o exemplo de alguém que nasceu na Dinamarca.

Não dá para comparar por este lado, alguém que nasceu na Dinamarca com alguém que nasceu em alguma favela de pais subdesenvolvido. Os destinos serão bem diferentes, influenciados na origem.

Mas dentre os dinamarqueses que nasceram em condições semelhantes, dá para comparar o que é fortuna e o que é virtude. O mesmo paralelo pode tentar ser aplicado aos cidadãos que nasceram em condições semelhantes e tiveram oportunidades parecidas em outros locais.

A diferença entre o acaso citado por você e o que o pessoal chama de sorte é bem tênue. As vezes eu me pergunto: será que foi sorte eu ter encontrado minha esposa aos x anos de idade? ou foi sorte ter entrado na empresa y no ano z?

Existe uma fator "sorte" mas que na verdade foram "acasos" influenciados pelas virtudes.

A minha cabeça me força a tentar encontrar padrões que tornem os acontecimentos repetitíveis, que possam ser traduzidos em uma espécie de fórmula mágica para o sucesso, mas é impossível e as unicas coisas repetitiveis (ou previsíveis) são as reações aos acontecimentos, o que é na verdade uma virtude.

Abraços

Olá, EI!
Claro, os exemplos mais ao extremo são bons para fazerem nos refletir sobre um tópico. Entretanto, é evidente que existem outras situações mais tênues da realidade.
Também concordo que a pessoa sempre pode se esforçar, isso está no alcance dela.
Eu conhecer a minha companheira ao acaso num restaurante no Panamá foi puro acaso. Eu poderia dizer que foi a minha virtude de gostar de viajar, mas creio que estaria me enganando. O que eu fiz depois de conhecê-la, aí sim poderia ser mais algo relacionado à virtude.
Lembro-me que você já disse isso aqui uma vez, sobre essa sua necessidade de criar histórias mentais sobre sua vida que deem um fio condutor, uma lógica. Eu acho que isso é um erro de julgamento e bastante abordado pela ciência (Taleb – o do Cisne Negro – adora enfatizar isso em seus livros), mas todos nós estamos sujeitos a ele.

Abraço meu amigo!

RESPONDER

Seus textos são circenses cara, me fazem rir à beça. Lendo os seus textos em ordem cronológica tem-se a impresão que você se afasta cada vez mais da realidade, caro far away soul.
Mas falando em fortuna e em mérito, em breve estarei turbinando as minhas saindo fora do bostil pra sempre.

Olá, Observador!
Hum, boa pergunta. Eu acho que já há bastante material bom em língua portuguesa a respeito.
Além do mais, eu ao menos pessoalmente, já aprendi bastante sobre o assunto nos últimos três meses, e ficar chovendo no molhado não é muito o que gosto de fazer.
Mas, há questões interessantes.
a) Sobre a imunidade relativo ao IgA (testes sorológicos, ao menos os mais conhecidos, foram designados apenas para detectar IgG e IgM). Como o IgA geralmente está presente nas mucosas, pense em nosso nariz, talvez o papel do IgA tenha sido subestimado.
b) O papel das células T na imunidade, e o percentual de pessoas que não desenvolve qualquer anticorpo.
c) Ligado aos letras “a” e “b”, por qual motivo a reabertura de vários países europeus não levou a um aumento de casos? Por qual motivo o número de casos nos EUA está crescendo, mas o número de mortes caindo bastante saindo de 2000 mortes dias em maio, para 800 mortes dias em Junho? É apenas uma função de testes?
d) A população suscetível, será que é bem menor do que imaginava-se?
e) Vi há dois dias, um paper recente na Nature, que mostrava que num grupo de pacientes assintomáticos (ou seja sem qualquer sintomas) que presumiríamos que nada aconteceu, em 59% deles foi detectado lesões pulmonares. Ou seja, foram infectados, não sentiram nada, o corpo silenciosamente duelou com o vírus, mas o vírus causou danos nos pulmões. Esses danos foram leves? Esses danos diminuem expectativa de vida ou de qualidade de vida? Gostaria de conversar com algum médico especializado em análise de TC de pulmões para analisar esses achados. Se as lesões são superficiais, beleza, se não, é um dado preocupante que muitas pessoas podem ter sido infectadas, nem sabem, e desenvolveram alguma lesão pulmonar.

Enfim, há muitos assuntos a ser tratados, mas novo site (estou publicando 3 artigos por semana), mas tentando ganhar momentum no podcast, etc, etc, me fez parar com a série.

Obrigado pelo comentário.

Um abraço!

Eu “acho” que sempre tive essa perspectiva de que grande responsável pela minha condição da vida foi a sorte.

Quando criança me lembro de imaginar uma situação absurda: estar sozinho em um novo mundo e não saber tudo que já sabem pra repassar a “nova civilização”, isso me deixava preocupado.

Hoje já me conformei que o mundo tem muito mais a oferecer do que eu pra ele, e agradeço.

Um abraço, mais um belo texto.

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