Magnésio: o Guia Completo Para a Sua Saúde

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Deficiência de Magnésio, por qual motivo esse assunto poderia interessar você prezado leitor? Aliás, o que é Magnésio? Por qual motivo ele é importante para uma boa saúde? São questões a ser abordadas no presente texto.

O Que é Magnésio?

Antes de tudo, sempre é bom avisar que não sou nutricionista ou médico, e esse texto exprime apenas uma opinião pessoal de um leigo navegando por esse universo. Se achar que necessita, procure ajuda de um profissional habilitado.

Magnésio é o oitavo elemento mais abundante no planeta terra e o novo mais abundante em todo universo.

Magnésio nada mais é do que um elemento químico.  Como tal, ele possui várias funções e vários usos diversos. Entretanto, o foco desse artigo é a sua função biológica.

Esse mineral é o segundo cation mais abundante em nossa células, ficando atrás apenas do Potássio. Para quem possa não saber, um cation é simplesmente um átomo que perdeu algum elétron e possui carga positiva, ou seja está ionizado.

Aqui, uma característica importante: aproximadamente 99% do magnésio  do corpo humano está dentro da células, especialmente ossos, e e apenas 1% no sangue.

As Funções do Magnésio em Nosso Corpo

Nosso corpo necessita de inúmeros minerais e vitaminas para sobreviver, são os chamados micronutrientes.

Potássio, sódio, cálcio, Magnésio são todos elementos essenciais para a sobrevivência do ser humano. Nosso corpo não sintetiza esses minerais, então obrigatoriamente precisamos consumi-los em nossa dieta.

Mas o que esse mineral faz em nosso corpo, e no que a deficiência de magnésio pode resultar?

A) Estabilização da Molécula de ATP

O magnésio é essencial para a estabilização da molécula ATP (Adenosina Trifosfato). Para quem não sabe, ou esqueceu, ATP é a molécula de energia de nosso corpo. Como assim?

A tendência da matéria é se desorganizar com o decorrer do tempo por meio do que conhecemos como entropia.

Sendo assim, para “combater” essa tendência natural de tudo que existe, é preciso que haja um trabalho ativo realizado por alguma coisa.

Assim como para se mover uma pedra é preciso realizar trabalho, da mesma forma para manter um ser vivo é necessário realizar “trabalho”, e para isso é necessário energia.

Para o seu coração bater é preciso energia. Para você respirar é preciso energia. Para andar é necessário muita energia. Tudo o que o seu corpo faz ele necessita energia.

E de onde vem a energia? Vem dos macronutrientes que consumimos na forma de gorduras, carboidratos e proteínas. Essas substâncias são quebradas, o correto é dizer oxidadas, tudo para que elas possam criar energia para vivermos.

A molécula que carrega e possibilita que a energia seja utilizada em nosso corpo chama-se ATP.

Pois bem. O magnésio é essencial para estabilizar a molécula de ATP. Sim, esse mineral está por trás da estabilidade da molécula que torna a vida humana possível.

Sem magnésio, sem estabilidade do ATP, sem vida. Como ATP está relacionado com energia, não é à toa que um dos sintomas mais comuns de deficiência de magnésio é fatiga e cansaço.

 

Magnésio e ATP
Magnésio é essencial na estabilização da molécula de ATP

 

B) Auxílio na Produção de DNA-RNA e Todas Proteínas do Corpo Humano

O DNA é a estrutura que guarda toda a informação genética nossa enquanto seres humanos. O DNA é a famosa estrutura em dupla hélice que se encontra, geralmente, no núcleo das nossas células.

O DNA é constituído de nucleotídeos e por compostos de açúcares com fósforo. Determinadas regiões do DNA correspondem a genes e há dezenas de milhares de genes.

Um gene nada mais é do que uma estrutura que codifica os ingredientes para a construção de proteínas.

Proteínas, por sua vez, irão fazer quase tudo em nosso corpo.

O processo para a fabricação de uma proteína específica geralmente começa com a produção de uma fita de RNA num processo chamado transcrição.

Essa fita de RNA então irá para uma estrutura da célula chamada ribossomo, onde ela será traduzida, numa sequência específica de aminoácidos formando uma proteína.

Há proteínas simples de apenas alguns aminoácidos a proteínas extremamente complexas de centenas de aminoácidos.

Essa foi uma descrição para lá de simples e genérica sobre como a informação genética é transformada em moléculas. E onde o magnésio se encaixa nisso?

Para o processo de transcrição do DNA em RNA, da tradução de RNA em aminoácidos, e a produção de proteínas em si, depende de mecanismos e enzimas que por sua vez  dependem de magnésio (1).

Sim, prezados leitores, o mineral magnésio é tão essencial que ele participa do processo mais fundamental genético humano. Dá para imaginar o que a sua falta ou deficiência de magnésio pode ocasionar, já que proteínas são responsáveis pela constituição de quase tudo em nosso corpo.

 

Dna e Rna
A função básica de DNA transcrito em RNA e traduzido em proteína

 

Magnésio e DNA Polimerase
E o magnésio é essencial nesse processo

 

C) Manutenção de gradientes químicos

O nosso corpo humano conduz energia elétrica, aliás muita da comunicação entre os diversos órgãos são dependentes de estímulos elétricos.

Para isso vários minerais são essenciais como cálcio, potássio e sódio. Aqui vai mais uma explicação extremamente simples e básica.

A depender do mineral, há mais abundância dele no sangue do que no interior da célula. Por exemplo, há mais potássio no meio intracelular do que no meio extracelular.

E por qual motivo isso é importante? Nosso corpo possui nas membranas celulares canais conhecidos como de Sódio-Potássio (Na-K),  ou bombas de Na-K. Nossa vida literalmente depende desses mecanismos.

O processo natural, e isso aprendemos na escola, é que qualquer substância tende a ir do local onde ela é mais abundante para o local onde ele é menos abundante.

No caso do Potássio, por exemplo, como ele é mais abundante na célula do que no meio extracelular, há uma tendência natural de K intracelular ir para o meio extracelular.

Já no caso do Sódio, é o contrário, há muito mais Na fora da célula do que dentro da célula.

Pois bem. A Bomba Na-K vai fazer com que o sódio seja empurrado para fora da célula, contra o gradiente, e que o potássio seja puxado para dentro, também contra o gradiente.

É como empurrar uma bola montanha acima (contra o gradiente) do que deixar uma bola correr montanha abaixo (a favor do gradiente).  Logo, para fazer com que algo vá contra o seu gradiente, necessita-se energia.

Se é necessário energia, é imprescindível ATP, se ATP se faz presente magnésio. Sendo assim, as Bombas de Na-K dependem de magnésio para o seu correto funcionamento.

E por qual motivo isso é importante? Sem esse mecanismo, não é possível que nossas células funcionem corretamente ou transmitam impulsos elétricos. Sem esses sinais elétricos, sem vida.

Não é à toa que uma forma de assassinato estatal de pessoas condenadas à morte é muitas vezes feita com injeção de cloreto de potássio. Isso faz com que a quantidade de potássio do sangue aumente drasticamente, e com isso comprometa o funcionamento da Bomba Na-K.

Existe também o canal de Cálcio, onde o cálcio é empurrado para fora da célula. Esse elemento é essencial para a contração de células musculares.

Quando precisamos contrair um músculo, cálcio extracelular entra na célula. Quando o músculo relaxa, é necessário que o Cálcio volte para o meio extracelular. Quem ajuda no processo? Sim, magnésio.

É por isso que um dos primeiros sintomas de deficiência de magnésio são espasmos musculares. Se o cálcio fica acumulado dentro das células, os músculos não relaxam e ficam contraídos.

Esse é um dos motivos que a deficiência de magnésio por um período maior de tempo pode levar à hipertensão, já que o acúmulo de cálcio leva a uma maior vasoconstrição e menor relaxamento dos músculos.

Canais de Na-K
Magnésio e os diversos canais de íons

d) Mais de 800 Reações Dependem de Magnésio

Na bem da verdade, o magnésio atua em centenas de reações em nosso corpo. Geralmente, o número citado é de 300 reações, mas conforme o livro The Magnesium Miracle o número correto atual seriam de mais de 800.

 

Magnésio
Sim, há um livro só sobre Magnésio. Ele é um pouco repetitivo, mas tem muita informação interessante

 

Citei a estabilização da molécula de ATP, a produção de proteínas e a manutenção de gradientes, para mostrar quão essencial é esse mineral para a vida humana.

Esse não é um texto enciclopédico, portanto aqui apenas se arranha as diversas funções do magnésio no corpo, mas saiba o leitor que o magnésio está envolvido em centenas e centenas de reações, entre as quais: formação e manutenção da integridade dos ossos, manutenção do controle adequado de glicemia no corpo, manutenção de pressão sanguínea adequada, etc.

Deficiência de Magnésio O que Ocasiona

Se magnésio é tão importante assim para o corpo humano, é quase que automático pensar que a sua deficiência no organismo poderá ocasionar sérias consequências.

Há dezenas de sintomas possíveis que podem ser ocasionados pela deficiência de magnésio.

Um dos mais comuns são contrações e espasmos involuntários dos músculos. Se não há magnésio suficiente, maiores quantidades de cálcio permanecem na célula, fazendo com que a mesma fique num estado de excitação permanente, levando a contrações involuntárias.

O mesmo pode acontecer em relação a correta transmissão de impulsos elétricos. Por causa de desequilíbrio entre os minerais, a pessoa pode se tornar mais sensível a luz, barulhos, tendo enxaquecas mais constantes.

Como o magnésio é tão fundamental para a molécula de ATP, deficiência do mineral pode levar a sensação de cansaço e falta de energia.

Como esse mineral é importante para o correto funcionamento de nossos músculos, a deficiência de magnésio pode levar a batimentos cardíacos irregulares e aumento de pressão, e em casos mais graves a arritmias.

Quanto maior a deficiência, mais graves podem ser os sintomas e os problemas a ele associados.

Teoria da Triagem – Explicando a Eventual Ausência de Sintomas

O que é problemático em relação à deficiência de vitaminas e minerais específicos, é que em algumas pessoas sintomas de níveis não ótimos não são sentidos por anos, às vezes décadas.

O problema vai se acumulando e nenhum sintoma visível no corpo aparece, ao menos não no olhar da pessoa.

Por qual motivo isso ocorre? Entra em cena a teoria da triagem.

Essa hipótese postula que quando há deficiências de algum micronutriente, o nosso corpo privilegia as funções mais essenciais, deixando outras não tão vitais negligenciadas. Como assim?

Magnésio é fundamental para a criação de proteínas. Essa função não pode parar no corpo de uma hora para a outra, pelo menos não em relação à proteínas absolutamente essenciais como o hormônio insulina, por exemplo

Portanto, mesmo que haja pouco magnésio no sistema, ele será utilizado para a “função” criação de proteína essencial como a insulina, e talvez não para a “função” criação de proteínas que formam unhas ou ossos fortes.

Por quê? Pois sem insulina, há chance de todo o sistema parar de funcionar, ao passo que ossos fracos não é uma ameaça ao corpo humano no curto prazo.

Como cada organismo individual é diferente, é possível que pessoas com consumo inadequado de magnésio possam passar muito tempo sem qualquer sintoma.

Isso tem nome e chama-se deficiência de magnésio subclínica.

Porém, como o mineral é tão fundamental, às vezes essa falta do mesmo em anos pode levar, junto com outros fatores, a doenças degenerativas como diabetes, pressão alta, doenças cardíacas.

Às vezes uma pessoa de 55 anos pode sofrer uma parada cardíaca, e o fato de ter sido deficiente em magnésio por 15 anos pode ser uma das causas subjacentes, e que dificilmente será “olhada” em algum diagnóstico médico.

Porém, é preciso deixar claro que essa teoria só faz sentido quando pequenas deficiências vão se acumulando ao longo do tempo. Quando há uma grande deficiência de magnésio no corpo, ou de qualquer outro mineral essencial, é muito difícil que sintomas não apareçam.

Portanto, a ausência de sintomas não é um indicativo de que alguém possui um estado ótimo de magnésio no corpo.

Estou Deficiente em Magnésio?

A essa altura alguém pode estar perguntando “e como detectar se possuo ou não deficiência desse mineral?”.

Bom, prezado leitor, se sua dieta não é boa, é quase uma certeza que tenha algum grau de deficiência. O magnésio é completamente eliminado, ou ao menos drasticamente reduzido, no processo de refinamento alimentar.

Além do mais, os solos estão cada vez mais deficientes desse mineral, logo a quantidade de magnésio que tinha numa alface há 50 anos não é a mesma dos dias de hoje.

 

Magnésio alimentos
A quantidade de magnésio vem diminuindo drasticamente nos vegetais como repolho, alface, tomate e espinafre

 

Outro ponto importante é a nossa água mineral. Uma das maiores fontes desse mineral no passado era a própria água que os seres humanos bebiam.

O processo de filtragem da água elimina o magnésio. Eu há um ano uso um filtro que repõe um pouco do magnésio na água que bebo.

Há uma água no mercado com uma quantidade muito boa de magnésio  (S Pellegrino), mas infelizmente é bem cara.

Por isso, não é à toa que se estima que 80% dos brasileiros não consomem quantidades adequadas de magnésio

Esses números são similares aos dados  dos EUA, portanto a deficiência de magnésio é um problema muito sério de sociedades contemporâneas

Como Medir Magnésio no Corpo?

Talvez essa seja a seção mais importante do texto, e que talvez possa dar um insight aos leitores preocupados com sua saúde.

É possível que nem mesmo médicos praticantes saibam desse detalhe em relação à medição de magnésio no organismo, e possa ser de valia para esses profissionais de saúde.

As duas formas abordadas nas subsecções a seguir não são o padrão-ouro, apesar de uma ser muito melhor do que a outra.

A melhor forma de se medir o magnésio seria fazer uma biópsia (ou seja um corte) de algum osso e medir a quantidade do mineral. Se o magnésio está mais concentrado em ossos, apenas analisando diretamente para saber.

Essa forma não é muito viável fora de estudos científicos. A segunda melhor maneira seria fazer uma infusão de magnésio e colher a urina durante um período de 24 horas.

Uma pessoa com níveis ótimos de magnésio vai excretar quase toda a infusão recebida na urina, pois todos os minerais são mantidos num equilíbrio em nosso corpo.

Se, por outro lado, as células de alguém estão muito deficientes em magnésio, a solução de magnésio recebida será muito absorvida pelo corpo, fazendo com que haja pouca excreção de magnésio na urina.

Infelizmente, é um exame mais complexo, já que envolve a coleta de urina 24 horas, bem como a infusão de magnésio, e eu não sei se é um exame comum no Brasil.

O que se tem no Brasil, porém, é a possibilidade da realização de dois exames em relação a mensuração de magnésio.

1) Magnésio no Sangue: uma medida incompleta

O corpo humano possui uma quantidade de magnésio no corpo estimada em 25 gramas.

Dessa quantidade, 99% dela está armazenada nos ossos, músculos e tecido mole, sendo que apenas 1% de todo magnésio do corpo encontra-se no serum sanguíneo.

Portanto, se a pessoa possui uma deficiência de 100mg por mês, ou seja em todo mês consome 100mg a menos do que deveria, sinais de deficiências talvez possam demorar anos e anos para aparecer, já que o corpo possui 25 gramas desse mineral, em média.

Isso quer dizer também que como o sangue contém apenas 1% da quantidade total, exames de sangue que detectam esse mineral não serão nada precisos para medir o status do mesmo no corpo.

É possível que os níveis sanguíneos sejam considerados “normais’, apesar de no resto do corpo acumular cada vez mais deficiência do mineral, já que o sangue vai “roubando” magnésio dos tecidos para que um equilíbrio mínimo do mineral seja alcançado.

Sendo assim, em laboratórios, o nível normal de magnésio é algo como:

1.4 mg/dL. a 2.6 mg/dL.

Níveis abaixo de 2 mg/dL já denotam algum problema subjacente. Níveis superiores a 2 mg/dL não necessariamente indicam um bom status do sistema, pois pode ser apenas que quando da realização do exame  que o sangue tenha “roubado” magnésio de outras partes do corpo.

Sendo assim, o exame de magnésio sérico não é um exame preciso para mostrar o status de magnésio no corpo humano.

Esse exame, porém, serve para mostrar que alguma coisa esteja acontecendo quando os níveis sejam inferiores a 2mg/dL. Este foi exatemente o meu caso em três exames seguidos.

Distribuição de Magnésio
Distribuição de Magnésio no corpo, o sangue possui apenas 1% do total de magnésio no corpo

 

2) A Medição do Magnésio nas Hemácias

Se a esmagadora maioria do magnésio está nos tecidos, e não no sangue, a medicação celular do magnésio faz muito mais sentido.

Porém, medir quantidades de minerais a nível celular não é algo tão trivial como medir o nível de magnésio no sangue, como salientado no começo da seção.

Há, porém, uma forma fácil de se ter uma ideia dos níveis de magnésio nos tecidos do corpo: medir a quantidade desse mineral nas hemácias ou células vermelhas.

Por qual motivo? Pois é de muito sabido que quando há deficiência de magnésio, o plasma “puxa” magnésio das hemácias. Logo, ao se detectar a quantidade de magnésio no interior das hemácias é possível ir muito além da mera quantidade de magnésio no sangue, e ter um indicativo de como pode estar o estado geral de magnésio no corpo.

Esse é um exame que aprendi de sua necessidade lendo textos em inglês, e sei que infelizmente não é rotineiramente pedido, se é que boa parte dos médicos sabe da sua existência e importância.

O exame é perfeito para medir o estado geral de magnésio do corpo? Não, mas é uma aproximação, e não é tão invasivo como uma biópsia ou “time consuming” como um exame de detecção de magnésio na urina durante 24 horas.

Os níveis considerados normais são:

4.0 mg/dL. a 6.0 mg/dL.

No livro “O Milagre do Magnésio” o autor considera que níveis ótimos giram em torno de 6 a 6.5mg. Quase ninguém possui níveis de 6 ou mais, é uma minoria talvez de uns 5-10% da população.

Se 80% das pessoas estão de alguma maneira consumindo quantidades insuficientes de magnésio, é de se esperar que apenas uma minoria bem pequena de indivíduos possui níveis ótimos do mineral no corpo.

Não tenha dúvida, prezado leitor, se você quer saber o status de magnésio do seu corpo, esse é o exame a ser solicitado ao médico.

O Meu Caso

Eu, nos últimos 30 meses, costumo fazer muitos exames. Quando tiro sangue já aproveito a ocasião e faço diversos tipos de exames.

Em relação ao magnésio, eu comecei a notar uma tendência de diminuição do mesmo no sangue. De 2 mg/dL para 1.9 mg/dL e depois alguns exames a 1.8 mg/dL.

Concomitantemente  a isso, se foi algo real ou não, comecei a sentir um pouco mais de cansaço. Além do mais, e aqui realmente não sei se foi real, imaginava estar tendo batimentos cardíacos um pouco mais irregulares.

Além disso, no último exame, minha testosterona total e livre apresentou valores bem baixos.

Não falei nada no texto,  mas há uma relação entre magnésio e testosterona, sendo que a deficiência no mineral pode ocasionar uma uma diminuição no hormônio.

Testosterona é um assunto bem complexo, e vale um artigo em especial, por isso não vou me alongar aqui.

Resolvi então fazer um exame de magnésio nas hemácias, e fiquei chocado ao saber que o meu nível estava em 3.8 mg/dL, ou seja, um nível absurdamente baixo.

Pelos números eu estaria já entrando em níveis perigosos de deficiência de magnésio, se considerando minha saúde a longo prazo.

Portanto, eu aparentava estar com sintomas clássicos de deficiência e os exames de magnésio apenas estavam confirmando esse diagnóstico.

Por qual motivo eu Teria Ficado “Deficiente de Magnésio”

Não sei, prezados leitores. Olhando retrospectivamente eu creio que foi uma conjunção de fatores.

Em março de 2o18, eu comecei a fazer crossfit. Em junho de 2018, eu estava apaixonado pela modalidade. De julho a janeiro de 2019 eu treinei muito forte.

Eu treinava no mínimo seis dias por dia semanas, duas sessões. Havia dias que eu fazia 3 sessões. Não era incomum ir para o box de manhã e fazer uma sessão leve de 100 barras, 300-400 flexões e mais algum outro exercício.

E daí, algum leitor pode estar perguntando? Eu suava muito, mas muito mesmo nos treinos de crossfit. O short que uso para treinar musculação pode ficar uns 10 dias sem lavar, quando fazia crossfit de um dia para o outro a bermuda tinha que ser lavada pelo acúmulo de suor.

Nós perdemos minerais, e portanto magnésio, quando transpiramos. Além do mais, exercício físico extremo pode levar a um estado de déficit de magnésio.

Transpiração excessiva, calor, humildade e exercício físico intenso foi tudo o que eu fiz durante 7-8 meses. Eu não fazia a mínima noção que estava perdendo eletrólitos, e que precisaria consumir mais sal, potássio e magnésio.

Nesse momento da minha vida, eu estava fazendo uma alimentação bem baixa em carboidratos, alta portanto em gorduras. Gorduras não possuem magnésio.

Soma-se a isso, o meu corpo sofreu uma grande transformação, eu perdi algo em torno de uns 3-4kg, mas devo ter ganho uns 4-5kg de massa muscular, ou seja eu devo ter perdido uns 8-9kg de gordura, ou seja eu fiquei forte e definido (para os meus padrões).

Logo, como uma alimentação baixa em carboidrato tende a ser muito saciante para mim, eu devo ter ficado num estado de déficit calórico.

E por qual motivo isso é importante? É muito mais fácil consumir 400mg se alguém ingere 2500 calorias do que alguém que consome 2000 calorias, por exemplo, por uma questão de pura lógica.

Portanto, eu creio que treinei demais, suei demais, comi de menos, e isso pode ter levado ao meu estado de deficiência em magnésio, apesar de todos os meus outros exames (e são dezenas e dezenas) estarem todos não só nos níveis normais, mas em níveis ótimos.

Alimentos e Suplementos de Magnésio

A quantidade necessária estabelecida de consumo diário de magnésio por dia é de mais ou menos de 400 mg para homens adultos e 300mg para mulheres adultas.

Eu, pessoalmente, acho difícil alcançar em todos os dias a quantidade de magnésio necessária pelo tipo de alimentação que aprecio.

Durante várias semanas eu coloquei exatamente tudo que eu comia, com os pesos, num aplicativo chamado cronometer.com (recomendo bastante e é gratuito na versão inicial) e eram poucos dias que eu consumia mais de 400mg, sendo que na maioria das vezes o consumo ficava entre 320mg a 360mg.

Quase todos os médicos bons que conheço como Dr. Souto ou até mesmo o Dr. Peter Attia suplementam magnésio, pela dificuldade de conseguir esse mineral pela dieta.

a) Magnésio nos Alimentos

Infelizmente, não há magnésio em quantidades significativas em um alimento tão nutritivo como o ovo. Boa parte de cortes de carne, mesmo de órgãos, também não possuem quantidade significativas de magnésio. Uma parte significativa dos laticínios também não.

Não vou falar sobre a quantidade de magnésio em todas as comidas possíveis , há diversos sites com informações sobre isso.

Mas, a grosso modo, as maiores fontes de magnésio são sementes, alguns grãos e vegetais verdes escuros.

O problema com esses alimentos como fonte de magnésio, é que vegetais escuros geralmente possuem muito oxalato, e grãos ácido fítico.

Esses dois compostos geralmente se unem aos minerais, como magnésio, fazendo com que eles não sejam absorvidos pelo nosso corpo.

Logo, espinafre teoricamente possui bastante magnésio, mas boa parte dele não é absorvido por nosso organismo pois é ligado com oxalato.

Liga-se a isso nossos solos cada vez mais pobres em magnésio, e nossas águas filtradas sem magnésio, e se tem uma real dificuldade para se obter quantidades otimizadas de magnésio via dieta.

É claro que é possível, mas a depender da alimentação escolhida, mesmo que saudável, pode ser um desafio.

b) Suplementos

Eu comecei a suplementar magnésio, tendo em vista o narrado na seção anterior, bem como meus exames de sangue.

Foi o primeiro suplemento que eu tomei em minha vida.

Depois de muito pesquisar, resolvi tomar magnésio ligado a glicina, pois é a forma com maior absorção peplo nosso organismo, bem como a que apresenta menos eventuais efeitos colaterais (doses não muito grande de magnésio talvez possa dar como efeito colateral um pouco de diarréia).

 

Tabela
Absorção de Magnésio

 

Magnésio dimalato também é uma boa opção. Não recomendo o óxido de magnésio pela paixa absorção e pelos efeitos gastrointestinais.

Eu suplemento com 400-500mg por dia há uns quatro meses.  Sinto alguma diferença?

Sim, sinto. Não sinto mais uma sensação de cansaço. Não sinto batimentos cardíacos irregulares. E a todo dia sempre acordo com ereção, o que é sinal de funcionamento normal da testosterona.

Ainda não fiz testes, por causa da pandemia, de magnésio e testosterona para saber se a suplementação fez efeitos nos números laboratoriais, mas eu acho que sim.

Níveis Ótimos De Magnésio

Depois de tudo que foi escrito, um leitor pode estar perguntando, o que fazer com as informações, e quais seriam os níveis ótimos de magnésio no corpo?

Primeiramente, vá a um bom médico que entenda sobre esse assunto e peça aconselhamento. Em segundo lugar, é necessário fazer as medições abordados nesse texto. E, por fim, é necessário conhecer o próprio corpo, para talvez reconhecer alguns dos sintomas iniciais de deficiência de magnésio.

Enquanto a níveis ótimos, eu creio que acima de 5.5 mg/dL medidos nas hemácias, é o que eu pretendo atingir, e espero ser possível depois de uns 12 meses de suplementação.

Em relação a níveis sanguíneos, qualquer coisa abaixo de 2mg/dL já é motivo para maiores investigações. Abaixo de 1.7 mg/dL ou 1.6 mg/dL, é deficiência clara, e com certeza não é um estado ótimo de saúde para o corpo.

Conclusão

Esse é um site, e o podcast que comecei a produzir, sobre bem-estar humano.

Para estarmos bem, necessitamos de conhecimentos de inúmeras áreas, nutrição e saúde do corpo é uma delas. Espero que esse texto, você que chegou ao final, possa ter sido útil a você de alguma maneira.

Magnésio é um nutriente essencial para a nossa saúde, com profundas implicações para um envelhecimento com maior ou menor qualidade de vida.

Se não o foi para você, tenho certeza que pode ser para algum membro de sua família ou conhecido próximo, e se for o caso compartilhe esse artigo.

Acaso queira se aprofundar um pouco mais, aconselho a leitura desses artigos publicados em revistas científicas sobre o tema e que serviram de base para a construção desse artigo (2) (3) (4).

 

Notas

(1) http://www.magnesium.ca/how-magnesium-works/#mag-create-protect-dna

(2) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6163803/

(3) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5786912/

(4) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5105038/

 

22 respostas em “Magnésio: o Guia Completo Para a Sua Saúde”

Conheci o magnésio pesquisando suplementos para ajudar meu pai que tem parkinson. Já nas primeiras doses já notamos uma melhora no seu humor e cognição. Usamos o dimalato e já estamos de olho no treonato que parece ajudar bastante na química cerebral. Fiquei tão contente que tbm estou fazendo uso do dimalato com o cloreto durante o dia. Notei um melhora na disposição como uma melhora no sono.

Oie Alison!
Sim, se não me engano Magnésio auxilia na produção de melatonina, hormônio essencial para boas noites de sono.
Além do mais, magnésio tem a função de relaxamento, o que é muito bom momentos antes do sono.
Dimalato é uma boa formulação, nada mais é do que o magnésio ligado ao malato que é um dos intermediários do ciclo de krebs.
Fico feliz que esteja ajudando o seu pai.
Um grande abraço!

Eu suplemento magnésio desde os 35 anos, evita câimbras e parece que por baixar um pouco a pressão a mente fica mais estável. O médico a princípio passou em pó e depois mudei para gotas pq sempre errava a dose em pó. Incrível como ajuda o corpo quando nos exercitamos.

Oie Gerson!
Se é em pó, acho que você deve utilizar o óxido de magnésio, não?
Acredito não ser a melhor forma, mas com certeza é mais barato.
Magnésio é essencial para a saúde no curto e no longo prazo.
Um grande abraço!

Oie André!
Então, eu uso um magnésio ligado ao aminoácido glicina.
Eu mando manipular numa farmácia de manipulação de uma conhecida.
Um abs!

Olá, Luiz.
Eu creio que qualquer manipulação que não passe o RDA (o limite de referência) de minerais e vitaminas não necessita receita médica.
Vamos ver, o último magnésio que manipulei, cada capsula tinha 200mg magnésio glicina.
150 cápsulas. Eu estou tomando 400mg, então dá 75 doses, e acho que o preço foi de 80 reais. Então, basicamente, R$ 1,00 por dia.
Pela importância desse mineral, e como é um pouco difícil atingir níveis ótimos apenas com a dieta no meu caso, é um investimento bem baixo.
Um abs

Oie Jorge!
Como disse no começo do artigo, não sou médico, nem mesmo nutricionista. Procure um bom profissional.
Porém, sim, como magnésio geralmente baixa a pressão, pode haver perigo sim para pessoas que já possuem pressão baixa, a depender da dose utilizada.
Além do mais, antes de suplementar, é preciso fazer exames para ver se uma suplementação é necessária. E, claro, o desejável é conseguir o magnésio por meio da alimentação, sem a necessidade de suplementos.
Um abraço!

Obrigado pelo texto. Alguns pontos acenderam o meu alerta. Em breve vou fazer uma bateria de exames e incluir do magnésio nas hemácias.

Quelato de magnésio é uma boa solução?

Grande abraço

Oie Tiago!
Na verdade, o termo quelato significa apenas que o magnésio está ligado a alguma coisa.
O magnésio glicina, por exemplo, é uma forma quelata.
A depender a qual composto o magnésio está ligado, a biodisponibilidade é aumentada ou não, isso te a ver na forma como o magnésio é absorvido em nosso organismo especialmente, mas não só, no intestino pequeno.
Um abraço!

Rapaz, eu de manhã surfei com um amigo, surfe difícil, mas foi bem massa.
De tarde, minha mulher avisou que poderia ter ventos fortes, quando estava me preparando para descer para passear com a minha filha.
Ficamos então na sacada olhando o vento e a chuva. Acabou a luz as 15 e voltou apenas as 5 da manhã.
Jantamos então a luz de vela, e ficamos brincando com a pequena, ela adorou, ficou super-feliz, que no final é o que importa.
Ainda não vi as notícias para saber se aconteceu algo de ruim por aqui.
Um abraço e obrigado por se preocupar

Oie David!
Sobre saúde, marcadores, etc, nesse site já disponibilizei um artigo sobre glicose e insulina, que, para não médicos, está bem completo. Dá uma conferida.
Um abs!

Olá Soul,
Parabéns pelo pesquisa e obrigada por compartilhar informação de qualidade. A hiper dosagem de magnésio pode causar algum problema mais grave?
Um abraço

Oie Natalia, tudo bem? Tudo em excesso, até mesmo consumir água demais, pode ocasionar problemas.
Nosso corpo, porém, é muito bom em deixar as coisas em equilíbrio.
Alguém que tem níveis ótimos de magnésio e tomar, por exemplo, 300mg, vai apenas excretar a maioria do que foi ingerido, o corpo diz “não preciso de mais magnésio”. É por isso que um dos melhores testes é dar uma quantidade razoável de magnésio e acompanhar a urina durante 24 horas.
Agora, se alguém tomar doses muito grandes como 1 grama, 2 gramas, aí sim pode haver problemas.
O mais frequente é diarréia. Isso ocorre por causa do mecanismo de absorção dos minerais. Se há muito magnésio, o mineral acaba “puxando” água e é excretado via diarréia.
Porém, magnésio em excesso pode levar a pressões muito baixas, o que é muito perigoso.
Não é comum excesso de magnésio, mas qualquer suplementação deve ser feita depois de conversar com um médico, e especialmente depois de medir os níveis no sangue e hemácia, e tendo um objetivo em meta “quero tentar chegar no nível x em 4-6 meses”.
Um abraço!

Oie Henrique. Não conheço marcas em específicos de suplementos vitamínicos.
Eu creio que minerais e vitaminas devem ser obtidos via dieta preferencialmente, suplementos é algo como a palavra diz “suplementar”.
Os suplementos vendidos em farmácias geralmente usam ingredientes ou formulações de qualidades não tão boas.
Magnésio, por exemplo, dificilmente passa de 50mg, e pode ser que seja óxido de magnésio.
Quase nunca há vitamina k2, há geralmente vitamina E em excesso, a vitamina B9 e B12 não é na forma mais biodisponível.
Mas, alguém que não tem tanta paciência para entender um pouco mais, e acredita que a dieta deixa um pouco a desejar, talvez um multivitamínico genérico possa ser útil. Mas isso não quer dizer que a pessoa não precisa se alimentar bem, e fazer exames para saber o status de vários minerais e vitaminas.
Um abraço!

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