Japão – A Flor Estúpida e a Graciosa

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        Essa é um breve relato de um viagem que fiz de um mês com a minha companheira pelo Japão . Que experiência. Que povo fantástico. Até hoje guardo no meu coração as experiências dessa incrível jornada.

O Japão e a Organização

Japão, o que dizer do Japão? É sem sombras de dúvidas o país mais organizado que eu já conheci, e olha que já devo ter visitado mais de setenta países

Tudo funciona milimetricamente como estipulado. Se o trem é para chegar às 11:31, ele chega exatamente nesse horário. Nem um minuto a mais, nem um minuto a menos. É incrível

Transporte público extremamente eficiente, trens bala para tudo que é lugar. No Japão, esses trens rápidos são conhecidos como  shinkansen.

  É como viajar de Florianópolis a São Paulo, por exemplo,  em duas confortáveis horas, pegando o trem no centro de uma cidade, e saindo no centro de outra cidade.

 Eu sinceramente não vejo um transporte como esse sendo desenvolvido no Brasil nem mesmo nos próximos 30 anos. Uma pena. Sua visão de transporte muda depois de andar num shinkansen, e eu andei dezenas de vezes!

Cidades extremamente limpas (muito mais do que na Europa e EUA), informações turísticas abundantes, entre tantas outras coisas boas.

Os serviços de informação turística eram sensacionais, tinha folheto para tudo que você quisesse, e pessoas sempre gentis para explicar eventual dúvida.

Eu sempre ficava imaginando como nós não tratamos os turistas que chegam ao Brasil em matéria de informação.  A diferença entre os dois países, infelizmente, é abissal nessa questão.

Trem bala no Japão
Famoso shinkasen, ou trem bala japonês

O Povo Japonês

Quando se saía do estabelecimento, novamente o coro entra em cena e dizia “Arigato gozaimasu” (muito obrigado).

        Não era nada forçado, não é nada artificial, é como eles são.

     Não tenho dúvidas, que esse jeito de ser educado, de forma espontânea dos japoneses, transforma a realidade, e por via de consequência o próprio tecido social.

      E a forma de se cumprimentar se curvando? Uma forma de dizer que você respeita a outra pessoa. Eu toda hora cumprimentava assim e recebia o mesmo tratamento.

      Ah, e o que isso tem demais?” alguém pode estar refletindo.

     Bom, eu admiro muito a forma de pensar Budista e as quatro verdades fundamentais. Uma delas diz que o caminho para a iluminação é você praticar posturas corretas. Falar corretamente, pensar corretamente, agir corretamente, entre outras.

     Ora, quando o indivíduo, e um povo, constantemente exerce a gentileza, a educação, o respeito, essas formas de agir, pensar e falar vão criando um feedback altamente positivo e vão nos colocando na direção correta.

     Por isso eu fico triste ao ver que nós brasileiros cada vez menos pedimos desculpas, falamos por favor, respeitamos os outros em atos do cotidiano, eu creio que isso apenas vai minando cada vez mais o tecido social, e nos enfraquecendo enquanto pessoas.

O Japão e as Flores

E o que as flores têm a ver com tudo isso? Por qual motivo o título desse artigo sobre o Japão remonta a flores?

A Flor Graciosa

   É o Hanami (a tradução literal é “contemplar as flores”). As Sakuras florescem entre o final de março e o começo de maio dependendo da região, e permanecem full blossom, ou seja, completamente abertas, por pouquíssimos dias.

   Eu vi Sakuras por todo o Japão, mas sem elas estarem completamente abertas.

   No meu último dia de viagem, fui agraciado com um dia lindo de sol, e com a sorte de pegar as cerejeiras num dos seus melhores dias. Magnífico!

   Fui a um parque lindíssimo em Tóquio e milhares de japoneses se reunindo para contemplar a beleza das flores.

   O que dizer de um povo que possui como um dos eventos nacionais mais importantes ir a parques com familiares, colegas de trabalho, para contemplar a beleza do despertar de um flor?

   É sem palavras. Há tanta coisa para pensar a respeito, a impermanência da vida (um conceito budista importante),  manifestado no ciclo de vida dessas flores.

   As Sakuras florescem, murcham, florescem novamente.  A necessidade de se aproveitar o momento presente sem pensar demasiadamente no futuro, afinal as flores caem em poucos dias, como a nossa juventude se esvai, a nossa saúde deteriora, , mas isso não deve ser motivo para não aproveitarmos a benção que é estar vivo.

   Enfim, foi uma experiência muito marcante para mim.

As Cerejeiras no Japão
Explosão de clores e belezas de Sakuras num parque em Tóquio na capital do Japão
Eu contemplando Sakuras no Japão
Eu contemplando a beleza das cereijeiras
Japoneses num parque no Japão
As pessoas se reunindo embaixo das árvores para comer, conversar, ou apenas apreciar o fato de estar vivo.

A Flor Estúpida

Você pode estar perguntando “e como uma flor pode ser estúpida?”.

 Em seis de agosto de 1945 às 9h15min, o mundo se transformou para pior. A primeira bomba nuclear contra um alvo civil foi despejada na cidade japonesa de Hiroshima.

 Em poucos segundos, uma cidade vibrante foi quase reduzida a pó, e dezenas de milhares (o número chegaria a mais de 150 mil pessoas até o final de 1945) de pessoas foram assassinadas.

Relógio Hiroshima
Foto de relógio destruído marcando o horário da bomba (fonte imagem strait times)

 

   Três dias depois, às 11h02m uma segunda bomba nuclear foi utilizada na lindíssima cidade de Nagasaki, ocasionando a morte instantânea de dezenas de milhares de pessoas.

   O que é uma arma nuclear?  Bom, ela  é baseada no conceito descoberto por um dos homens mais brilhantes que já existiu de que matéria e energia na verdade são intercambiáveis (sim é o E=MC2).

   Basicamente, se bombardeia núcleos atômicos de urânio ou plutônio com nêutrons, isso faz com que os núcleos desses dois elementos se “quebrem” em átomos menores liberando energia.

   Por isso é dito que é um processo de fissão nuclear , ao contrário do que ocorre no interior de uma estrela que é fusão nuclear onde dois átomos de hidrogênio se fundem  e formam um hélio, liberando energia (a luz que recebemos na terra e nos mantém vivos) no processo.

   Hoje em dia, existem bombas de hidrogênio que são 2.000 vezes mais potentes do que as bombas nucleares utilizadas no Japão, e o funcionamento dessas bombas é diferente, mas não vou me estender no assunto, até porque não domino o mesmo.

   Quando as duas bombas explodiram se teve a criação de três efeitos físicos e um social. O primeiro efeito físico é a quantidade de energia liberada, provocando uma onda de calor, que chegou a aproximadamente 4.000 graus Celsius, e incinerou tudo, humanos inclusive e principalmente, num raio de 1km.

  As pessoas que não foram incineradas instantaneamente, morriam, segundo os relatos, desesperadas por um singelo copo de água.

   Conheci um sobrevivente quando visitando a praça da paz em Nagasaki que ia todo dia ao local para molhar com um pouco de água um dos diversos monumentos feitos para homenagear as vítimas.

   Houve um segundo evento físico que foi a criação de ventos muito fortes que chegaram a quase 1.000 km por hora, devastando tudo que via pela frente.

   Houve a forte radiação, um efeito extremamente nefasto, pois, além de provocar diversos tipo de câncer, provocou mudanças no DNA dos afetados, o que fez com que os efeitos da radiação fossem passados para os filhos.

   E houve o efeito social de uma profunda discriminação contra as pessoas afetadas pela radiação, elas são conhecidas no Japão como Hibakusha.

Era Preciso Utilizar Armas Nucleares contra o Japão?

   Por qual motivo foram utilizadas armas nucleares contra o Japão que já estava praticamente derrotado?

   Bom, não sou historiador, e vou dar um breve resumo tendo em vista as informações que obtive visitando os dois museus em Hiroshima e Nagasaki dedicados exclusivamente aos ataques nucleares.

   Convencido da necessidade da pesquisa e desenvolvimento de uma arma nuclear, os EUA lançaram o Projeto Manhattan, um projeto científico que envolveu a participação de 130.000 mil pessoas, e custou 2 bilhões de dólares à época, algo quase que como 30 bilhões de dólares a valores atuais.

   Foi um projeto gigantesco. Eu imagino se a humanidade não seria capaz de fazer a mesma coisa hoje em dia, mas para fins pacíficos e humanitários.

   Imaginem, prezados leitores, colocar 100 mil cientistas com dezenas de bilhões de dólares para descobrir curas de doenças, formas de gerar energia limpa, formas de potencializar o uso eficiente das coisas, etc, etc.

   Com os avanços nas pesquisas e desenvolvimentos, os EUA resolveram que usariam uma eventual arma nuclear contra a Alemanha.

   Entretanto, no final de 1943, Winston Churchill, o grande líder Inglês, convenceu os americanos que usar uma arma nuclear contra a Alemanha traria profundas conseqüências negativas no pós-guerra para toda Europa, o que fez que os Americanos decidissem utilizar a arma contra o Japão.

   Diversas cidades japonesas faziam parte de uma lista de possíveis cidades a ser bombardeadas, inclusive a antiga capital imperial Kyoto que se não fosse pela intervenção de um general, que não me lembro o nome, seria bombardeada.

   Este general disse que se os EUA destruíssem um dos símbolos máximos do Japão, haveria grandes dificuldades de fazer o Japão um aliado no pós-guerra.

   E sim Kyoto é uma cidade de uma beleza incrível, uma das cidades a se conhecer pelo menos uma vez.

   Por fim, os americanos decidiram utilizar a bomba atômica sobre as cidades de Hiroshima, Kokura ou Nagasaki

   A cidade de Nagasaki era o segundo alvo e apenas foi bombardeada, pois as condições metrológicas de Kokura não estavam boas no dia 09 de agosto.

   Como o destino pode ser mudado de maneira tão drástica e profunda por causa de pequenos detalhes, outro aspecto para reflexões profundas.

   É importante ressaltar que essas cidades não sofreram air raids (ataques aéreos) durante a guerra, com o objetivo único e exclusivo de se poder medir o real impacto de um dispositivo nuclear.

   Outro aspecto importante, é que diversos cientistas se posicionaram anteriormente ao bombardeio de que o lançamento das bombas deveria ser previamente avisado ao Japão, e fosse feito em áreas sem grande concentração populacional, pois se o objetivo fosse apenas demonstrar o poder destrutivo desse novo armamento, isso poderia ser feito sem levar tanta dor e sofrimento aos japoneses, mas o exército americano foi irredutível nesse ponto.

   Sendo assim, as bombas nucleares foram um ato de assassinato coletivo perpetrado pelos americanos?

   A resposta não é tão simples. O Japão estava derrotado, mas os americanos não acreditavam na rendição, tendo em vista a ferocidade com que os japoneses lutavam. 

   Basta lembrarmo-nos dos Kamikazes (“Vento Divino”,). Aliás, essa expressão surgiu no século XIV quando 300.000 mil mongóis tentaram invadir o Japão e ventos fortíssimos causaram o naufrágio de centenas de navios, ocasionando, segundo algumas fontes históricas, o afogamento de quase 70.000 mil pessoas, o que poderia ser considerado o maior desastre marinho da história).

   Havia uma percepção dos americanos de que se o Japão tivesse que ser invadido, e havia planos para isso ser feito ao final de 1945, o custo em vidas de soldados americanos seria muito alto, haja vista que havia no Japão até uma campanha de morte de todos os japoneses com honra na defesa da terra sagrada do Japão.

   Assim, o uso da arma seria justificado para obrigar uma rendição incondicional do Japão.  A tese faz sentido, mas na primeira bomba lançada em Hiroshima, os EUA poderiam ter poupado dezenas de milhares de vidas se fizessem o bombardeio numa área não tão povoada.

   Se a primeira bomba lançada em Hiroshima abre espaço para dúvida, a segunda bomba em Nagasaki, em minha opinião, foi simplesmente um ato de barbárie e assassinato coletivo, num grande crime de guerra, comparável com algumas atrocidades cometidas pelos nazistas.

   O poder da bomba já era conhecido, bem como os seus efeitos nefastos (excetuando-se o da radiação), a União Soviética tinha acabado de declarar guerra ao Japão.

   Era claro que o Japão se renderia, pois a única esperança japonesa em continuar a guerra era uma intermediação neutra da União Soviética no conflito, o que foi por terra quando Stalin resolveu declarar guerra ao Império Japonês.

   Entretanto, mesmo assim a segunda bomba foi lançada, no que para mim foi um ato de covardia contra a espécie humana.

Nagasaki destruída por uma bomba nuclear
Nagasaki destruída. Eu estive nesse local que é perto do ground zero.
Visão Noturna de Nagasaki
Sim, Nagasaki, assim como Hiroshima, é uma cidade linda. Em 2012, se não me engano, Nagasaki foi eleita como uma das três cidades com melhor vista noturna de todo o mundo. Pude comprovar, num passeio em um cable car, onde pude ver a cidade de noite. Muito bonita (a foto não é minha, retirada da intenet)
Parque da Paz em Nagasaki no Japão
Parque da Paz em Nagasaki
Memorial homenagem às vítimas no Japão
Memorial para as vítimas da bomba em Nagasaki. Foi uma sensação bem intensa visitar esse memorial. Senti o mesmo quando estive em Auschiwitz na Polônia (maior campo de concentração nazista) e nos Kiling Fields e Prisão S21 em Phnom Penh no Camboja.
Hiroshima no Japão, parque da Paz
Memorial as vítimas em Hiroshima no parque da Paz.

 O Japão não cometeu crimes?Tudo vale na guerra?

Era guerra. Sim, era guerra. Os japoneses cometeram também muitas atrocidades, principalmente na ocupação da China.

Há dois filmes espetaculares que tratam da ocupação japonesa em território chinês, um é um pouco mais recente e outro mais antigo: “Flores do Oriente”, o filme é muito bom mesmo, e o outro é “Império do Sol”, esse é um clássico

 Os crimes cometidos pelos japoneses na China ainda são motivos de muito atrito diplomático entre os dois países.

Portanto, era guerra, com atrocidades cometidas de por todos os lados, talvez mais ainda do lado japonês.

Entretanto, em minha opinião, isso não justifica o uso de uma arma tão destruidora em populações civis. A humanidade foi ferida nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, e o mundo nunca mais seria o mesmo.

 

Ótimo filme. Foca principalmente na questão da agressão sexual dos japoneses em relação às mulheres chinesas. Esse é um tema muito sensível ainda na relação entre os dois países. Os Japoneses cometeram crimes semelhantes em outros países asiáticos ocupados como as Filipinas.

Esse filme de 1987 do Spilberg é um clássico. Filme obrigatório para quem gosta de cinema.

  Mesmo após ter recebido duas bombas atômicas em seu solo, o povo japonês se reergueu e veio a se tornar uma das maiores economias do mundo, proporcionando uma vida materialmente muito confortável para a esmagadora maioria do seu povo. É um país sensacional e um povo admirável.

  Se você algum dia tiver tempo, condições e disposição, com certeza o Japão é um país que merece ser visitado e apreciado em todos os seus aspectos culturais, culinários e históricos.

 

Pensem nas criancas
Mudas, Telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas, inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas, Alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh! Nao se esquecam
Da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atomica
Sem cor, sem perfume
Sem rosa, sem nada
(Letra da música Rosa de Hiroshima de Ney Matogrosso)
Um grande abraço e obrigado por ler esse texto.

obs: esse texto foi escrito originalmente em de 2014, foram feitas modificações. Os comentários publicados em 2014 com respostas minhas em 2020 representam as minhas respostas naquela época, não houve qualquer mudança no conteúdo ou grafia.

44 respostas para “Japão – A Flor Estúpida e a Graciosa”

  1. Eu tenho bastante afinidade com a cultura oriental. Ainda vou realizar uma viagem para o Japão. É um dos meus sonhos.

    Conheceu algum puteiro por lá?

    Um abraço!

    1. Troll, viajei com a sempre alegre e jovial senhorita Soulsurfer:)
      Não me interesso por esses locais de perdição como o nobre colega.
      Abraço!

    1. É espetacular mesmo:)
      O mais legal é que os preços que você pegou em 1997 não devem ser muito diferentes dos preços que eu peguei em 2014.
      Será que teremos inflação de 1,5% no Brasil durante alguns anos alguma vez no nosso período de vida?
      Abraço!

  2. Olá soulsurfer,

    Muito bom o seu post.
    É impressão ou você sabe falar japonês?
    Eu tinha uma pequena relação de países que sonhava em conhecer, o único que ficou em aberto é o Japão. É muito longe.
    Você foi para lá via Los Angeles ou Emirados Árabes?
    Ahh se o Brasil fosse como o Japão!
    Abraço

    1. Dae amigo!
      Não não, quem dera (se bem que o japonês não é tão impossível de você aprender para ter conversações simples, e se não quiser falar 100% correto, muito diferente do Chinês que é muito, mas muito mais difícil)! Eu gosto de aprender algumas frases para ser educado com o povo que visito. Quase todos admiram o esforço, é como um estrangeiro tentar falar português com a gente. Uma das coisas que não gosto muito de falantes nativos da língua inglesa é como todos tem o Inglês como a língua da universal de intermediação, eles pensam que todos tem a obrigação de falar inglês, e às vezes são um pouco grosseiros com isso. Sempre vejo isso, principalmente nas minhas viagens a Ásia.

      Fui via Emirados, por Abu Dhabi, paguei apenas U$ 1.000,00 dólares a passagem, um dos motivos que me fez ir ao Japão, aliás consegui não gastar tanto, tendo em vista que o Japão é caro, pois não me importo em fazer viagens mochileiras mais baratas.

      Não precisamos ser como o Japão, pois temos a nossa própria história, nossa cultura, etc, mas que poderíamos aprender muitas coisas boas com o Japão, isso não tenho a menor dúvida.

      Ah, vi o seu plano de emigração. Bem interessante, desejo sorte a você. A renda passiva de U$ 5.000,00 é para você não trabalhar lá ou apenas para te dar uma maior segurança? Já pensou em aplicar no exterior em ativos que te gerem fluxo de caixa em dólares?

      Abraço!

    1. Valeu UB!
      Olha que tem onda por lá hehehe
      Passei numa cidadezinha bem pequena que tinha umas ondas, mas tava muito pequeno e frio e falei, ah deixa para lá…hehehe

      Curti os seus posts sobre o IR, me ajudou bastante. A parte sacal é ficar declarando o CNPJ das fontes pagadoras. E a mais sacal ainda é declarar os JCP creditados e não pagos, tanto nos rendimentos, como na relação de bens e direito. Enfim, sem o seu post eu ia fazer e nem me dar conta desse detalhe.

      Abraço!

  3. Excelente o seu post Soulsurfer!!
    Cada vez me impressiono mais contigo. Espero que tenha mais posts nessa linha, este foi excelente!!
    Eu também sou fascinado sobre viagens. Uma das minhas metas é trabalhar para viajar. O enriquecimento pessoal e de horizontes é ímpar quando viajamos, e entramos em contato com culturas distintas das nossas. O pessoal da blogosfera fala muito em consumismo (alguns membros), mas o que mais almejo é conhecer muitos países do mundo. Gostaria de ter renda passiva suficiente para poder só viajar, por um bom tempo, sem consumir patrimônio. Até agora só conheço um pouco da América do Sul e vários países da Europa. Falando em viagens, hoje comprei as passagens para ir para Austrália. Este país é o número 1 da minha lista de países que eu ainda quero conhecer. Aproveitei um evento acadêmico que irá acontecer por lá e ficarei uns 13 dias além do fim do mesmo para viajar por lá.
    Sobre o que me respondeu nos comentários do último post, posso te dar uma ajuda com temas ecológicos e biológicos sim. É minha expertise.
    Grande abraço e parabéns pelo excelente, e inspirador, post e pela viagem!!
    Green_future

    1. Dae Green Future!
      Pô, Austrália? Não precisa de um assessor não para esse encontro acadêmico? hehe
      Não conheço, mas eu gostaria de ficar uns seis meses lá, e fazer o big loop (contornar de carro, passando pelo outback, toda Austrália). Austrália deve ser uma Califórnia. Se eu for morar no exterior, quero morar num lugar com sol, onda, povo tranquilo e de primeiro mundo! hehe
      Olha, eu vou escrever sobre isso ainda. Depois de ter me consolidado profissionalmente, minha vida não mudou tanto. Se hoje em dia eu tivesse uma renda de 200 mil reais por mês, eu não creio que mudaria tanto também.
      Para mim o dinheiro tem três finalidades (quero escrever sobre isso), como ensinado pelo meu pai. Eu não tenho qualquer ambição de ter um iate, uma ferrari, uma cobertura de 10 milhões, na verdade eu não dou qualquer valor a isso.
      As coisas que eu dou valor são: a minha liberdade intelectual e de movimento (e a independência financeira se encaixa nisso tudo), aos meus familiares, a tentar construir interações com a minha comunidade de forma mais saudável possível, a possuir bons amigos e a tentar fazer o bem.
      Vai viver no mato! hehehe. Eu também gosto de conforto, mas tudo existe um limite. Num apartamento bacana de 2/3 quartos já há conforto suficiente para uma família viver uma boa vida, não há necessidade de uma casa com 10 quartos.
      Você que entende de biologia, sabe que tudo é um equilíbrio dinâmico. Tudo que cresce demais é considerado uma praga, ou um câncer. Portanto, temos que ter cuidado para não inocularmos o “vírus” da insatisfação permanente com aquilo que temos, e sempre querer mais e mais, pois esse é o caminho para uma vida não tão satisfeita.

      Vou querer ajuda sim, pode deixar que eu peço!

      Abraço!

  4. Soulsurfer, que bom q esta de volta! E que surpresa agradável esse post! Pretendo fazer um "mochilao" para o Japao com meu primo no próximo ano. Vc pode nos dar algumas dicas ou sugestões de leitura para ajudar a montar um roteiro bem legal? Ansioso pelos próximos posts de viagens e FIIs. Abs.

    1. Obrigado, amigo!
      Claro, se tem uma coisa que eu gosto é dar dicas de viagem. Eu sou relativamente bom em montar roteiros. Eu conheci a minha mulher num mochilão que eu fiz pela América Central para surfar, e ela também tava lá mochilando, e agora ela deixa os roteiros tudo comigo e só quer aproveitar! bah! hehehe

      Como sugestão, eu sugiro para você se adaptar com os nomes, o site mochileiros. Depois, pode comprar o guia do Lonely Planet sobre o Japão. Dependendo do número de dias, se monta um roteiro (mas Kyoto tem que estar obrigatoriamente, pois é uma cidade diferente).

      Abraço!

  5. Bela postagem.
    Realmente é um povo invejável que mantém a compostura mesmo diante das maiores adversidades.
    Abraços

    1. Obrigado, Apoupança!
      Sim, essa característica do japonês é impressionante. Entretanto, tem um downside aí, eu nunca vi um povo ser tão atraído por uma fila. Às vezes tinha uns 10 restaurantes um do lado do outro, os outros 9 tranquilos, e 1 com uma fila gigantesca, vendendo as mesmas coisas pelos mesmos preços. Eu acho que eles observam uma fila, e já tem o instinto de entrar nela, coisa de louco! hehe

      Abraço!

  6. Muito legal o post, soulsurfer!!! Japonês está na minha lista de idiomas para aprender, assim como Japão para visitar!! hehehe

    Obrigado pelas aulas de história! hehehe

    []s!

    1. Valeu Di Marcinho!
      Sabe que me empolguei um pouco para aprender também? Conheci dois garotos de 20 anos que foram para o Japão terminar os estudos em ciência da computação lá. Eles falavam razoavelmente o idioma, e me disseram que não era tão difícil. Para falar fluente, sim dificílimo, para se comunicar não tanto.

      Eu quero melhorar o meu francês, começar russo, voltar com o Alemão e conhecer uma língua do oriente. Pensava no Chinês, mas ele é muito mais difícil.

      Aula nada, é que foi bem impactante visitar Hiroshima, Nagasaki e ver as Sakura, eu vi um link nisso tudo, e resolvi escrever a respeito.

      Rapaz, estou ainda para ler toda a sua série sobre opção, venda coberta, mas estou pensando se quero realmente entender sobre isso, acho que vou ficar no meu fluxo de caixa de FII, e nas minhas valuation de comprado mesmo! heheh

      E esse atrito seu com o colega Troll? Pô, até entrevista você deu lá no site dele, amigos, ambos inteligentes, não tem motivo né.

      Abraço!

  7. Belíssimo texto, surfer!

    Concordo em tudo sobre o budismo, conhece bem os conceitos e ideias. Me dou muito bem com essa forma de pensar, agir e ver o mundo.

    Japão não tem prioridade na minha lista de viagem, mas assumo que seria incrível viver lá por um tempo, por tudo que você falou no texto.

    Busco independência financeira justamente para fazer isso, viajar pelo mundo, absorvendo conhecimento de todos os tipos. É meu objetivo de vida. Parabéns por essa conquista e bem-vindo de volta!

    Namastê!

    poetainvestidor.blogspot.com.br/

    1. Valeu poeta!
      Uma das coisas interessantes de viajar, além de ver paisagens incríveis, é você conhecer o outro. Ver que há diferentes formas de se viver, de se pensar, e que são pessoas como você. Logo, há vida, e aparentemente feliz, fora dos nossos padrões de comportamento, social e até mesmo intelectual. Perceber isso, teve uma grande impacto na minha forma de ver o mundo, meu trabalho, e minhas relações com outras pessoas. Fez eu ficar mais tranquilo com as diferenças, e aceitar mais algumas intempéries da vida.

      Outra coisa interessante, é que quando você faz uma viagem mais longa, você sai da sua rotina, e entrar num mundo completamente diferente, de conhecer pessoas novas, lugares novos, todo dia. Por mais que nossa rotina seja aprazível, e a minha é boa, nós comemos geralmente nos mesmos lugares, relacionamos com as mesmas pessoas, etc. Quebrar essa lógica de tempos em tempos faz muito bem, pelo menos para mim.

      Sim, sou muito agradecido por tudo que tenho na vida. Tenho méritos nisso, é claro (poderia ter gastado, ao invés de ter economizado), mas muitas pessoas tem mérito nisso tudo, como o meu pai e minha mãe.

      Enfim, é isso.

      Abraço!

  8. A comida japonesa lá é parecida com a daqui?

    Ah, legal, que bom que os posts estão ajudando. Tem muita coisa sacal mesmo, tem hora que eu fico com preguiça e não faço umas coisas que dizem ser necessárias, tipo colocar o CNPJ das empresas quando for declaras as ações que estão como bem, tô colocando só o cnpj da corretora mesmo há anos, mas mesmo assim instruí lá no post a colocar o cnpj da empresa mesmo, e adicionalmente o da corretora.

    1. Olha, eu gostei da comida lá.
      Bom,se tem algo que o Brasil pode dizer que é o melhor do mundo é a comida. Até a comida japonesa daqui é melhor do que a de lá. Muita fartura existe no Brasil. Gosta de comida japonesa? Eu gosto muito. Entretanto, sushi lá é a exceção, não é o que eles comem no dia a dia não.

  9. Excelente texto, SoulSurfer.

    Povo dos mais admiráveis ao lado dos alemães, em minha opinião.

    Cultura, história, respeito, trabalho, tradição…

    Todos que lá vão, retornam muito mais encantados que imaginam que voltariam.

    E como o alemão possuem o melhor sistema de saúde pública do mundo, apesar da grande parcela de longevos.

    Além de todos esses aspectos muito bem ressaltados no texto você chegou a ver a paixão dos japoneses pelas artes marciais e a história por trás dos samurais? Histórias como o rígido código samurai, chamado bushido, que deixou um legado de honra no coração de todos os japoneses mesmo nos tempos de hoje.

    Forte abraço, seja bem vindo, seus posts estavam fazendo falta!

    1. Olá guardião! Tempinho que não converso contigo.
      Olha, eu tenho ascendência alemã. então está na família. Entretanto, não podemos esquecer que a Alemanha foi responsável por talvez um dos maiores crimes já cometidos contra a humanidade. Creio que todos os povos tem os seus acertos e erros.
      Mas no mais, é verdadeiro que o povo alemão é muito direito e trabalhador, minha avó que o diga, comerciante mulher na década de 40 no interior do país, não é para qualquer uma não viu.

      Isso é verdade. Não sei sobre os sistemas de saúde deles, mas a quantidade de idosos na rua é muito grande. E falo de gente não com 70 anos, mas com 90/95 anos. Olha, eu acho que isso se deve muito a alimentação, ao fato deles não praticarem uma vida que não é regrada em excessos (eu sempre ouvi que japonês não consumia, por isso a economia não deslanchava, olha eu vi todo mundo consumindo, mas com moderação) e principalmente ao fato que o idoso, ao contrário de muitas culturas ocidentais (e o Brasil é pródigo nisso), ser muito respeitado e ter um papel efetivo na sociedade. Creio que isso é um estímulo a mais para se viver quando já se é idoso.

      Olha, quase vi uma luta de sumô, que tem profundas relações com o xintoísmo. Sobre os samurais eu não vi muita coisa, mas é patente que faz parte da história deles. Exatamente, bushido, sabe bastante sobre o Japão hein rapaz?
      Eu não sei muito a respeito, li um pouco sobre a história japonesa, e os shoguns, samurais, mas a história deles é um pouco complexa, não chega a ser a história da Índia (esse sim é complexo em tudo), mas tem muita coisa e peguei apenas superficialmente.

      Obrigado, amigo!

      obs: e ai vamos realizar esse lucrinho com ações nesse movimento de alta meio doido? hehehe

      abraço!

  10. To focando forte no Alemão por enqto. Qdo eu me sentir melhor, pularei pro Japonês, apesar de ter vontade de aprender Russo tb! rsrsrs

    Essas operações podem ser até ser consideradas especulativas, mas é interessante conhecer os instrumentos derivativos, pois eles tornam as operações mais seguras. Lembre-se de Buffett: 1a regra é não perder dinheiro…. hehehe

    O Troll tem dessas, deixa ele….. mas meu objetivo principal do blog foi sempre criticar coisas que eu lia e considerava erradas. Agora q venho estudando mais sobre o assunto, consigo perceber q em alguns pontos eu estava realmente correto, enqto q em outros nem tanto rsrsrsrs

    []s!

    1. Sim, claro que é. Conhecimento apenas agrega, faz que a gente tenha mais consciência do que ocorre. Apenas brinquei, pois estou percebendo que está gostando de fazer essas operações.

      Claro, eu acho isso fundamental. Só há evolução no campo das ideias quando criticamos e sofremos críticas, desde que argumentadas e ponderadas. Eu gosto muito do debate. Infelizmente, alguns às vezes não pensam assim, e tomam certas coisas como verdades inquestionáveis. Bah, o Troll tem o jeitão dele, mas é gente boa.

      Abraço!

  11. Colegas meus que foram à itália dizem que a pizza brasileira é melhor, imaginei que com a comida japonesa seria assim também, rs. Mas é porque já estamos acostumados com os condimentos. Aqui em BH já estão colocando chedar nos uramakis, rs.
    Sim, amo comida japonesa, tenho vontade de fazer curso se sushi-man, para comer em casa, acho caro demais na rua, rs

  12. Já pensei sim, o meu problema é não saber falar inglês.
    Acho que depois que conseguir romper essa barreira, as coisas irão andar um pouco mais rápido.
    Abraço

  13. Excelente, Soul! Espero um dia ainda ir lá : )

    Só uma observação, embora o Ney Matogrosso interprete lindamente, o poema é de Vinicius de Moraes.

    Um abraço

  14. O Japão é hoje um país fantástico. Deve ter uma das melhores qualidade de vida no planeta.
    Mas em relação aos fatos históricos há muitas coisas de que discordo.
    1° Se fala muito sobre o holocausto e as atrocidades cometidas pelos nazistas.
    Pesquise sobre a unidade 731. Uma unidade de desenvolvimento de armas armas químicas e biológicas do Japão em território chinês. Os que os nazistas fizeram é um passeio no parque diante das atrocidades cometidas pelo Japão. Já li diversos artigos e reportagens sobre a unidade 731 e é assustador pensar que o tanta crueldade possa ter sido cometida e por tanto tempo em escala industrial.
    Mas não só os chineses guardam ressentimento dos japoneses, mas tb os coreanos.
    Durante o período da 2a guerra mais de 100 mil coreanas foram escravas sexuais do exército japonês.
    2° A guerra do Pacífico poderia se alongar por mais alguns anos.
    As forças armadas americanas calculava que seriam necessários mais de 2 milhões de homens para invadir o Japão.
    E os japoneses não se rendiam. Nas ilhas onde havia batalha lutavam até o último homem. Causando pesadas baixas nos aliados.
    O Japão não estava derrotado. Tanto que mesmo após as bombas atômicas os comandantes militares não queriam se render. A rendição foi uma decisão difícil do imperador, já que boa parte dos militares não apoiaram sua decisão.
    3° Eu gosto muito de assuntos militares, leio bastante sobre o assunto e assisto documentários. A Alemanha em 44 já estava derrotada. Não fazia sentido usar armas nucleares contra a Alemanha. Nem por isso os aliados não deixaram de cometer um grande crime contra a humanidade: bombardearam a cidade de Dresden. Uma cidade que não tinha nenhuma importância estratégica.
    Milhares de bombas incendiárias foram jogadas contra a população civil. Entre 25 e 30 mil pessoas morreram. O bombardeio foi realizado quando a rendição alemã era certa. Esse foi um crime de guerra maior que o bombardeio nuclear do Japão.
    Sem o ataque nuclear, a guerra se arrastaria por anos. O número de japoneses mortos seria muito maior, fora dos aliados. E aconteceria no Japão o mesmo que houve na Alemanha, um lado invadido pelos EUA e outro pela URSS. E talvez hoje tivéssemos um Japão do Sul, rico e civilizado como vc conheceu, e outro do Norte. Pobre, fechado e ditatorial, como a Coreia do Norte.

    1. Oie Dedé!
      1 – Sim, muitos países do entorno guardam ainda ressentimentos. Filipinas, por exemplo. Houve há alguns anos um incidente diplomático, especialmente em relação ao que os japoneses chamavam na segunda guerra de “mulheres de conforto”.
      Os nazistas levaram milhões de pessoas a câmara de gás, não foi “um passeio no parque” comparado a qualquer coisa.

      2 – Sim, amigo, essas questões foram tratadas no texto.

      3 – Sim, o ataque de Dresden é conhecido. Não sou especialista, apesar de gostar de ler e ver vídeos sobre a segunda guerra. Não, a Alemanha não estava derrotada em 1944, tanto que a guerra durou um ano a mais. Como dito no texto, a ideia de não jogar uma arma nuclear na Alemanha vem de antes de 1944. Quando a segunda bomba foi lançada em Nagasaki, a URSS já havia declarado guerra ao Japão, que era a única esperança do país de chegar a um acordo com os americanos (via neutralidade dos soviéticos).
      Porém, talvez um dia você poderá ir pessoalmente a Hiroshima e Nagasaki, e talvez poderá daí fazer juízos mais assertivos ou não, sobre se foi um crime contra a humanidade ou não.

      Grato pelo comentário e abs!

      1. Ah, Dede, não conhecia nada sobre a unidade 731. Comecei a ver, e quando der tempo vou assistir um documentário a respeito.
        Parece algo horrível mesmo.
        Grato pela referência.
        Um abs!

  15. bom dia soul. grande texto como sempre. ja estive no japao e tive a sorte de ver o incio da florada das cerejeiras tb. era engraçado ligar a tv e mesmo sem entender nada perceber que a grande atenção dada ao fenomeno, com mapas mostrando onde elas abriam primeiro (mais ao sul) e previsoes de datas aproximadas para as outras regioes mais ao nortersrs.

    enfim, estive em hiroshima, mas nao em nagasaki. como gosto muito de historia, fui a todos os museus sobre a guerra que pude enquanto estava no japão. em nenhum deles senti qualquer tipo de ressentimento ou vitimização por parte dos japoneses ante os americanos por conta da campanha de bombardeios da primavera/verao 1945, que apesar serem especialmente lembrados pelas duas bombas atomicas, houve outros ataque que chegaram a matar mais gente num unico dia, como o bombardeio a tokyo por exemplo. O fato so me faz adimirar mais ainda a cultura daquele povo fantastico, pra mim eh incompreensivel entender como foram capazes de fazer o que fizeram durante o inicio do seculo XX.

    enfim eh um tema muito longo e arduo de ser discutido em poucas palavras. mas a meu ver, deve-se sempre tentar entender os atos historicos em perspectiva, senao são de dificil compreensao. fica a ideia pra vc e seus leitores assistirem esses dois breves videos de um excelente canal brasileiro de assuntos militares, que discute muito bem esse ponto da perspectiva historica

    https://www.youtube.com/watch?v=yvuHUf7b7tU

    https://www.youtube.com/watch?v=1jUNbax3gzQ

    Sucesso e tudo de bom para vc e sua familia

    1. Olá, Clerton! Sim, a experiência com as cerejeiras é fantástica. Quando a minha pequena tiver uns 5-6 anos, é pé na estrada, e com certeza adoraria voltar ao Japão. Até hoje tenho saudade da comida e das onsen (fui em várias, chegou a ir em alguma)?
      Nagasaki é uma cidade muito bonita, ainda bem que tive a oportunidade de visitá-la tb, porque geralmente as pessoas só vão a Hiroshima mesmo.
      Então, quando as pessoas falam do povo brasileiro, às vezes não sabem, ou por esquecimento com o passar do tempo, os horrores que outros povos fizeram contra si e contra outros. Alemanha e Japão, dois exemplos de países sensacionais hoje em dia, mas que cometeram, com apoio de suas populações, atos indizíveis de horror.
      Sobre como os Japoneses lidam, eu creio que o último filme, ou um dos últimos, do grande diretor Akira Kurosawa trata especificamente sobre isso: Rapsódia em Agosto – https://www.youtube.com/watch?v=shDDrel__AE
      Faz tempo que eu vi o filme. Mostra a relação entre as gerações com os bombardeios. A Vó que viveu o horror e não esquece o que aconteceu, os filhos que querem seguir em frente com a vida, e os netos que não sabem bem o que aconteceu, porque a história vai se perdendo. No meio de tudo isso, tem o Richard Geere fazendo o papel dos americanos no coletivo japonês sobre esses acontecimentos. Vale muito o filme, e me deu vontade de assistir novamente.
      Com certeza, julgar atos passados com informações do presente chama-se hindsight bias, já escrevi diversas vezes sobre isso.
      É certo que em relação a história muito antiga, é difícil fazer uma análise exatamente do que ocorreu, pela ausência de múltiplas fontes. Em eventos mais recentes, como da segunda guerra mundial, é uma tarefa mais fácil, mas nem assim sem eventuais problemas.

      Agradeço bastante os dois vídeos. Muito bem-feitos. Não sabia que a invasão de Okinawa (um dos lugares que quero ainda conhecer no Japão, inclusive fiz um amigo de lá quando morava na Califórnia) tinha sido tão sangrenta. Sabia que as invasões das ilhas periféricas tinham sido bastante violentas, conforme retratado no duplo filme brilhante do Eastwood “Cartas de Iwo Jima” e “A conquista da Honra”. Na real, essa foi uma ideia brilhante do brilhante Eastwood, eu fico surpreso que poucas pessoas viram esses dois filmes.

      Os vídeos linkados dão a visão tradicional que aprendemos até mesmo nos bancos escolares. O assunto é complexo, e você tem bastante razão. Porém, como eu disse no texto, o segundo ataque de Nagasaki é que levanta muitos debates. O segundo vídeo dá a entender que a URSS declarou guerra depois do ataque a Nagasaki, mas Stalin declarou guerra um dia antes. Eu também não sabia que o segundo ataque não tinha sido autorizado pelo presidente dos EUA na ocasião (https://www.newyorker.com/tech/annals-of-technology/nagasaki-the-last-bomb).

      O vídeo dá a entender também que os EUA começaram a fazer planos de ataque nuclear em junho-julho de 1945, mas esses ataques vinham sido preparados há muito tempo antes, pelo menos é a informação que lembro dos museus, tanto que as cidades foram poupadas de bombardeios para ver o poder destrutivo real do armamento.

      Terminei de ouvir o segundo vídeo agora, e creio que ele deu uma forçada. Ele diz que a maioria dos japoneses tem a ideia de que os ataques foram necessários, isso é uma interpretação única e exclusiva dele. Há uma diferença enorme de reconhecer uma ferida, saber que foi um momento difícil, e seguir em frente com a vida pensando no presente e futuro, mas sem reconhecer as dores e sofrimentos do passado. Essa é uma postura belíssima, e que você e eu tratei. Agora, traduzir isso como “os japoneses sabem que os ataques eram necessários” quase que eles apoiassem o ataque, é algo que creio não condizer com a realidade.

      Muito obrigado pelo comentário, e recomendo a quem ver o seu comentário a assistir os vídeos, e se interessar pelo assunto que seja uma porta de entrada para vários outros temas correlatos.

      Um abraço!

      1. verei o filme recomendado. gosto muito de cinema mas infelimente sem grande tempo pra ve-los, mas colocar na lista um kurosawa sempre faz bem. no mais outro filme excelente e extremamente moving eh o tumulo dos vagalumes. fala exatamente dos bombardeiros e seus efeitos na sociedade civil japonesa. eh talvez o filme mais triste que vi na vida. nao eh recomendado para tempos de pandemia, mas cada um faz o que quer enfim….https://www.youtube.com/watch?v=XGfZN6NdE2k

        quanto à questao dos japoneses saberem que os ataques eram necessarios, creio que o autor dos videos, excelentes estudioso de historia e assuntos militares em geral, talvez nao estivesse referindo-se aos ataques atomicos em si. ate pq imagino que pelo nivel de segredo da coisa, pouquissimas pessoas sabiam do que iria acontecer naquela epoca. tomo mais como um referencia ao fato que os japoneses sabem hoje que para encerrar a segunda guerra mundial, seria necessario atos realmente brutais. quando estudamos mais a fundo o periodo, observamos fatos absurdos como militares ainda advogando a continuação da guerra mesmo depois de o japao terem levado duas bombas atomicas, e so aceitando a rendição apos o imperador, que falar nisso era considerado ser divino e so nao foi condenado a morte por crimes contra a humanidade pq um general americano que esqueci o nome foi contundente ao afirmar que se os estados unidos o condenassem a morte, para os japoneses o fato teria o mesmo peso historico da crucificação de jesus cristo para os catolicos. ou os kamikazes por exemplo, logo depois da rendição o idealizador dos ataques juntamente com alguns subordinados por camaradagem aos milhares de jovens japoneses que guiou para o sacrificio supremo, fugiram com avioes e realizaram o ultimo ataque kamikaze que se tem noticia na guerra. ou as historias contadas no livro ultimo trem de hiroshima, que relata a experiencia de um grupo de pessoas que ate hoje nao sei se sao as mais sortudas ou azaradas do mundo: estavam em hiroshima quando da primeira explosao, sobreviveram e fugiram logo depois para nagasaki, onde tb foram novamente bombardeadas. apesar da imensa dor e tristeza que perpassa todo o livro, nao observei um pingo de vitimismo ou rancor contra os amecanos em toda a obra.

        enfim, eh um cultura muito velha, belissima e muito peculiar. dificil entendermos suas motivações quando se juntam a distancia temporal, cultura e geografica.

        no mais parabens so com o novo site e os podcasts, estao ficando excelentes. acompnho seu trabalho desde os primordios, apesar de nao comentar muito. desejo saude e que continue seu excelente trabalho por muitos anos ainda.

        1. Muito obrigado pela indicação! Vi que é uma animação, vou tentar assistir nessa semana.
          E a indicação de livro, esse talvez demore mais tempo para ir atrás:)
          Agradeço bastante os comentários instrutivos e as indicações!
          Obrigado mesmo, são por leitores como você que eu me animei a continuar escrevendo, e iniciar o podcast. Tanto que nos últimos anos estava escrevendo bem pouco, mas vi que já tinha escrito tanta coisa, que valeria a pena organizar num espaço esteticamente melhor, serve, ao menos, para a minha filha daqui uns 30 anos ver o que o pai dela escrevia, se ela tiver interesse é claro.
          Um grande abraço!

  16. Fala Soul,

    Visitei o Japão em uma visita da faculdade no meu ultimo ano de engenharia, foi algo muito parido e corriqueiro, mal turistei, mas deu pra sentir todo o impacto da cultura que você descreveu muito bem no post. Tenho um sonho/objetivo de voltar lá pra ver aquela beleza de cidade, eu vi muito pouco, passei acho que umas 3h no centro de Toquio.

    Confesso que quando estava lá me deu uma vontade louca de me mudar pra lá hahaha

  17. Olá Soul, gosto muito do seu blog – agora site.

    Um dúvida, você fez a viagem aproveitando e conhecendo os países em que o vôo fez escala? (Stopover)

    Forte abraço!!

    1. Olá, Tio Bem!
      Nessa visita específica, fui apenas ao Japão.
      O Japão é um país um pouco chato para tirar visto, se eu me lembro bem você só pode aplicar no seu país de origem, é um dos únicos do mundo a fazer isso.
      Na minha viagem de dois anos, eu e minha companheira tiramos muitos vistos quando já estávamos na estrada, isso não seria possível com o Japão.
      Sobre conhecer os países em paradas, é uma boa estratégia para sentir o gostinho, e às vezes quebrar o ritmo de viagens muito longas. Por exemplo, ir até a Tailândia combina com uma parada na Europa ou na Turquia de alguns dias, e às vezes é o mesmo preço.
      Um abs!

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