Independente Financeiramente. Para quê?

Compartilhe esse artigo

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no twitter
Compartilhar no email

Como é ser independente financeiramente? Melhor dizendo como é viver sabendo-se que possui patrimônio suficiente para uma boa vida? Ou talvez melhor ainda  como é  viver sem possuir um trabalho formal?

No meu último artigo, escrito em 2017 e republicado semana passada, contei sobre minha exoneração do cargo de Procurador Federal. Mas, então, o que aconteceu nesses últimos 30 meses?

Minha Exoneração do Cargo de Procurador Federal

 

O Tédio de Não se Fazer Nada?

Há um grande mal entendido, ou ao menos uma falsa percepção na mente de um monte de gente. Muitas pessoas, por talvez ser algo tão distante da própria realidade, imaginam que uma vida de ausência de trabalho formal se confunde com uma existência de prostração.

Ou seja, quando não se precisa trabalhar, a tendência natural do ser humano seria de parar complemente com a realização de atividades produtivas ou não.

É o cenário ficar vendo televisão sem parar, ou sentado numa praia o dia inteiro.

Eu não consigo imaginar cenário mais fértil para a insatisfação e infelicidade do que ficar vendo filmes, séries ou seja lá o que for o dia inteiro durante muito tempo.

É uma pena que esse seja o destino de muitos aposentados brasileiros mais velhos, e infelizmente familiares meus se encaixam um pouco nesse perfil.

Pensar um cenário desse para pessoas mais jovens, cheias de vitalidade e energia, é desolador.

Não, ser independente financeiramente não é uma estratégia para ver todos as séries da Netflix. Nunca foi.

Viajar Pelo Mundo, Esse é objetivo de ser Independente Financeiramente?

Eu gosto muito de viajar. Aprendi muito sobre o mundo e mim mesmo. Conheci minha mulher. Vi paisagens naturais, e culturais, de indescritível beleza.

Eu morei seis meses numa pequena campervan na Austrália e Nova Zelândia, tendo experiências tão únicas, que é difícil até de explicar para quem nunca fez algo parecido.

Durante mais de 12 meses, eu e minha companheira viajamos por terra da Malásia até o Irã, passando por lugares, comidas, cheiros, pessoas, montanhas, lagos, desertos, culturas, que apenas de lembrar colocam um sorriso no meu rosto.

Viajar sempre me fez sentir vivo, pois sempre me colocou mais atento no presente, onde o teatro da vida realmente se desenrola.

Portanto, se tornar independente financeiramente é um passaporte para viajar o mundo, ou o Brasil, de forma contínua?

Ou, seria viajar o que torna a vida valer a pena?

Leitores, nem se precisa ser independente financeiramente para viajar o mundo, e nem conhecer o mundo, tirando algumas exceções, é o que vai fazer uma vida prazeirosa ou não.

Com U$ 20-25 por dia uma pessoa pode viajar por rincões maravilhosos do mundo e ter experiências incríveis. Logo, não é o dinheiro necessariamente que impede uma grande parcela, se assim quiserem, das pessoas de viajar.

E quanto ao sentido? Quando eu estava fazendo um trekking numa montanha cheia de arrozais na China, um lugar simplesmente fabuloso, eu reparei a vida dos camponeses locais.

Observei, nem que de uma forma superficial, as relações cotidianas. Uma mãe falando com um filho pequeno, um aldeão mais idoso trabalhando o campo de arroz, adolescentes meninas cochichando alguma coisa (sobre algum menino?) e rindo.

A vida simplesmente acontecia naquela localidade.  A felicidade ou infelicidade acontecia naquele lugar. Eu, vindo de um lugar tão distante, poderia estar feliz ou infeliz naquele lugar. Eles, os moradores, em sua maioria ao menos, que provavelmente nunca viajaram nem mesmo para alguma outra província chinesa, poderiam estar ou não felizes.

Logo, a satisfação , ou insatisfação, pessoal minha era independente de eu estar ali ou não. Isso foi como um raio de luz cruzando as minhas conexões neurais.

Viajar é incrível. Ir a lugares desconhecidos mais incrível ainda.

As experiências que acumulei com as minhas andanças pelo mundo são maravilhosas. Mas, viajar, não é o objetivo de vida, não é o que vai dar, em última instância, sentido à vida.

Pode-se ser satisfeito, ou insatisfeito, com a existência viajando-se ou não.

Um Ser Complexo

Um cachorro domesticado com um pedaço de carne e um afago do seu dono provavelmente está no “céu canino”.

Se esse cachorro puder livremente correr por algum lugar, perseguir algum pássaro ou qualquer coisa, e ter um lugar quente e protegido para dormir, ele estará em seu “nirvana”.

Seres humanos, ao menos no quesito da satisfação, são mais complexos do que isso. Se comida, um afago e alguma distração fossem suficientes para um sensação enorme de prazer, talvez escravos humanos pudessem ser satisfeitos com sua condição, uma reflexão que já de antemão causa repulsa.

O que torna a vida de um ser humano, em geral, boa ou não é uma questão que atormenta muitas mentes humanas há muito tempo.

Eu, particularmente, gosto muito da abordagem da ONU em relação a esse tópico, e já escrevi a respeito um guia prático para o estudo da felicidade.

Em minha concepção atual, uma vida bem vivida, e uma sensação geral de bem-estar envolve vários fatores, exatamente como o relatório da ONU tenta de alguma maneira desvendar.

É evidente que a questão da renda financeira é um pilar importante, o que tem um ponto de encontro com o fato de ser independente financeiramente.  Mas, ele não é o único, e talvez não seja nem mesmo o principal.

Portanto, ser independente financeiramente, ter uma quantidade razoável de dinheiro, não vai necessariamente resolver os problemas conjugais, familiares, existenciais de ninguém.

Isso pode ser óbvio quando refletido, mas é um erro muito comum cometido por muitas pessoas.

Uma Ferramenta

Não depender de um trabalho formal, possuir uma quantidade de dinheiro razoável para pagar as despesas de manutenção, pode sim ser uma ferramenta poderosa.

Não é o objetivo final, é apenas um meio. Talvez um pai com mais tranquilidade financeira, possa dar mais atenção aos seus filhos e não se sentir tão pressionado com as demandas profissionais.

Talvez alguém não satisfeito com o trabalho (que era o meu caso enquanto Procurador Federal) possa ter uma maior tranquilidade para procurar alguma atividade que realmente faça sentido pessoal.

Acho que não é necessário dar mais exemplos, o ponto central de ser independente financeiramente parece evidente.

Como qualquer ferramenta, porém, a utilização da mesma pode levar a resultados bons ou ruins.

A independência financeira pode fazer com que alguém não sinta mais vontade de realizar qualquer função, e isso redundar num senso de perda de utilidade, o que com certeza pode ser devastador para muitas pessoas.

Ser independente financeiramente é uma ferramenta poderosa. Há 200 anos, talvez apenas nobres poderiam ter acesso a ela.

Hoje em dia, essa ferramenta pode ser utilizada por muito mais pessoas, devido ao crescimento enorme na riqueza gerada pelas gerações passadas, conforme tratei nesse texto

Herança Social. O que devemos a nossos antepassados?

E como eu venho utilizando essa ferramenta?

Minha História de Independente Financeiramente

Eu acredito que a minha vida tem sido boa desde a minha exoneração do cargo de Procurador Federal há 30 meses.

Porém, refletindo, ela já era boa antes dessa exoneração, pois eu sempre fui um sujeito agraciado favoravelmente pelo destino, se comparado com tantos outros milhões de seres humanos.

Ainda possuo conflitos internos. Não encontrei uma atividade que realmente eu pudesse dizer a mim mesmo “é isso que eu sempre quis fazer“.

Possuo , talvez como a grande maioria das pessoas, conflitos conjugais e familiares. E isso tem pouco a ver com o fato de ter dinheiro suficiente para me manter sem a necessidade de um trabalho formal.

O fato de não realizar mais uma atividade que não gostava, de ter tempo para ler, me exercitar, é algo que me traz satisfação sim, mas está longe de trazer um sentido profundo e espiritual para a minha vida.

O que traz então? O que eu recomendo para outros?

Recomendo o que não tem erro. Seja Musculoso, se quer viver bem ao envelhecer tenha músculos em quantidade razoável. Se quer ter uma boa vida, olhe o seu status de magnésio:

Magnésio: o Guia Completo Para a Sua Saúde

Esses conselhos sinto-me confiante em dar para qualquer um. Agora sobre sentido da vida, independência financeira, o que fazer ou deixar de fazer, não irei dizer qual é a fórmula, pois não existe uma receita de bolo aplicável a cada pessoa.

Porém, se você quer ser independente financeiramente, saiba que é apenas uma ferramenta. Não irá necessariamente resolver os seus problemas pessoais e existenciais, bem como talvez possa agravar alguns outros se você não tiver uma base sólida em outras áreas, ou deixar alguns pontos de sua vida neglicenciados por muito tempo.

A responsabilidade pela vida é sua. Você que deve se conhecer, e saber o que te deixa satisfeito e o que não te deixa contente. Somente você poderá analisar o quanto fazer ou deixar de fazer algo é essencial ou não para o seu bem-estar.

Não é fácil. Claro que não é. Num mundo de distrações cada vez maiores, onde estamos sempre apressados, quem realmente conhece a si mesmo, ou faz um esforço nessa direção? Um número, infelizmente, pequeno de pessoas.

Apenas saiba que o tempo não se acumula, ele apenas se gasta. Sempre somos consumidores de tempo, nunca acumuladores.

Portanto, reflita se alguns objetivos, sonhos, problemas atuais, podem ser alcançados ou resolvidos apenas quando você se tornar independente financeiramente ou se, ao contrário, você mesmo está se colocando barreiras que não existem para possuir uma vida melhor.

Um abraço a todos!

6 respostas para “Independente Financeiramente. Para quê?”

  1. Excelente post.

    No meu caso sempre fui um estranho a mim mesmo, digo, eu não tenho um autoconhecimento bom para responder certas perguntas com clareza e firmeza. Estou na luta desse autoconhecimento agora pra começar a ter objetivos mais claros e que me agradam maior satisfação pessoal.

    Excelente post!!!!!

  2. Eai Soul! Então cara, eu realmente já estudei muito sobre esse assunto, até por ter 2 casos próximos de IF Precoce (Meu pai e meu tio) e se você acompanha o meu blog, já viu oque penso sobre o assunto.

    Mas oque descobri recentemente foi o seguinte. Sentido da vida, propósito, me parece estar muito ligado com o quanto você “ajuda as outras pessoas” . Tenho a impressão que quanto mais pessoas você ajuda, mais você quer ajudar, e é um mar infinito.

    Então vamos pegar um cara como exemplo: Luciano Hang, dono da Havan.

    Tenho acompanhado de perto esse cara nos últimos meses, ele tem aberto lojas novas todos os meses, mesmo em plena pandemia. Chegou agora a 140 lojas. Ao mesmo tempo, que ele está nas redes sociais dele com 4milhões de seguidores, postando conteúdos relevantes de Desenvolvimento pessoal. Recentemente fez até um quadro chamado ” Visionários que fizeram história” para as pessoas verem como alguns homens influentes da história começaram sua vida.

    Eu vejo naquele cara, um cara que encontrou o seu propósito de vida. Ele provavelmente, acorda todo dia cedo, com tesão para trabalhar e aumentar essa rede de pessoas que ele ajuda.

    Não bastou para ele ajudar as pessoas criando milhares de postos de trabalho, ele partiu para essa área de “Coaching” também. E está tendo resultados. E Obviamente, ele não faz isso por dinheiro.

    Então essa coisa de “Satisfazer o outro” “Pensar no próximo” me parece ser o ponto alto da vida.

    Se você para ver, todos os grandes homens que já passaram nesse mundo sempre chegam na velhice com um propósito parecido.

    Alguns viram Pastor, outros viram palestrantes, outros politicos, empresários, enfim. Ele acham alguma atividade que ele consiga ao máximo fazer a diferença na vida de outras pessoas.

    Então eu acredito que esse seja o curso natural da vida. Um outro grande empresário de 67 anos, uma vez disse também

    ” Chega uma idade, que precisamos tirar o chapéu de empreendedor e virarmos um empreendedor Social”

    Então, eu acredito firmemente, que não basta o cara chegar na velhice e ter uma qualidade de vida, ele tem que ter um propósito, um sentido para a vida dele. E Percebo que pessoas que oram a Deus e pedem isso ele, tem mais facilidade de encontrar esse propósito.

    Lembro até um trecho do filme “Poder além da vida” é um filme Budista.

    Mas tem um trecho que me chamou muito a atenção.

    O Aluno perguntou para o sábio

    Aluno:” Sábio, porque você trabalha em um Posto de combustivel?”

    Sábio: ” Eu trabalho em um posto de serviço, eu presto serviços”

    Aluno: “Vender gasolina?”

    Sábio: ” Prestar serviços! Não existe propósito maior do que esse”

    Então eu vejo, que até mesmo, a pessoa que não alcança o posto de influência na sociedade, pode encontrar o seu propósito.

    Basta que ela, pense no próximo antes dela.

    Apartir do momento que a pessoa só pensa nela

    ” Quero praia, quero viajens, quero mulheres”

    Parece que coisas ruins, acontecem….

    1. Olá, Peão Playboy!
      Primeiramente, grato pelo belo comentário.
      Bacana que o dono da Havan esteja fazendo tudo isso, eu não o acompanho. Eu não gosto do modo como ele se comunica, e muitas opiniões dele me parecem equivocadas. Porém, isso é apenas mais uma lição que seres humanos não são binários, possuindo muitas facetas. Posso não gostar de algumas coisas, mas se ele se dispõe a ajudar pessoas, estimular outros seres humanos a melhorar de vida, com certeza esse é um belo aspecto.
      Sobre ajudar os outros, eu concordo contigo. Com certeza ser independente financeiramente pode ser um grande catalizador na ajuda dos outros, e eu acho que essa é uma das finalidades do dinheiro, conforme escrevi num dos primeiros artigos desse novo site.
      Obviamente, não é preciso ser independente financeiramente para ajudar o próximo, mas pode ajudar, sim.
      Com certeza, amigo. Minha mãe sempre me contava uma história, não sei se é verdadeira, sobre duas pessoas morrendo de fome (não me lembro se era na segunda grande guerra) e um deles encontrou um pedaço de papelão com gordura. Mesmo estando morrendo de fome, ele mesmo assim repartiu o pedaço de papelão com um pouco de gordura. Quão mais nobre é o gesto algum bilionário doar centenas de milhões a uma instituição de caridade ou um esfomeado repartir um pedaço de papelão com gordura com outra pessoa morrendo de fome?
      Sendo assim, há pessoas que conseguem atingir muitas pessoas, outras tem um alcance mais limitado, mas sim é possível ajudar o próximo em vários níveis, portando eu concordo com a sua frase “Então eu vejo, que até mesmo, a pessoa que não alcança o posto de influência na sociedade, pode encontrar o seu propósito.”

      Obrigado pelo comentário e um grande abraço!

  3. Excelente artigo!
    Teria o link para o guia prático?
    “Eu, particularmente, gosto muito da abordagem da ONU em relação a esse tópico, e já escrevi a respeito um guia prático para o estudo da felicidade.”

    Many tks!

    Abs

    1. Oie Thales! Se clicar no guia prático, abrirá um artigo que escrevi há alguns anos no blog antigo.
      Lá deve ter algum link para o estudo da ONU.
      Na verdade, são relatórios anuais de centenas de página que são publicados anualmente.
      O que é interessante, é que o ranking da ONU é baseado em vários aspectos: a) renda; b) longevidade; c) liberdade; d) senso de confiança na instituições e e) senso de confiança na comunidade.
      Ou seja, dinheiro é importante, liberdade é importante, mas ter saúde também o é, sentir-se que vive numa comunidade saudável também. Por isso, gosto dessa abordagem.
      Um abraço!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *