Herança Social. O que devemos a nossos antepassados?

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Herança social. Um assunto pouco tratado no dia a dia. O que herdamos de nossos antepassados? Será que o conceito de herança é apenas aquilo que nossos pais nos deixam em bens materiais ou abrange mais aspectos? É possível que sejamos herdeiros de gerações passadas inteiras ou não? Esse é o assunto explorado nesse texto.

Herança e Capital Acumulado

 

Quando se fala em herança, o senso comum, ou a primeira imagem que vem à cabeça, é muito provavelmente a herança deixada de um pai para filho na forma de bens materiais, em sua maioria imóveis.

 

É muito difícil, num primeiro momento, pensar-se em herança cultural.

 

Não é uma imagem errada. O que é a herança senão a passagem de capital acumulado de uma geração para a próxima.

 

Basicamente, um indivíduo pode ter renda do seu trabalho ou renda proveniente de um capital acumulado. Para se ter renda de capital, antes de tudo é necessário possuí-lo.

 

A afirmação é quase tautológica, mas é crucial para entendermos alguns fenômenos. A independência financeira almejada por muitas pessoas nada mais é a situação onde uma renda proveniente de um capital previamente acumulado seja suficiente para manter um determinado padrão de vida.

 

Logo, a pessoa nessa situação não precisa de qualquer renda do seu trabalho necessariamente, ela, se assim o quiser, pode manter-se apenas com a renda do seu capital.

 

Como se pode conseguir capital? Prezados leitores, só há duas maneiras: a) por meio da poupança de uma parte da renda do salário ou b) recebendo o capital acumulado por alguma outra pessoa.

 

A herança individual nada mais é do que um exemplo do segundo caso. Num caso mais corriqueiro, por exemplo, um filho recebe uma casa – que nada mais é do que capital acumulado na forma de imóvel – do seu pai ou mãe falecidos.

 

Assim, o filho agora possui capital acumulado e pode usufruir renda desse ativo, no caso por meio de aluguéis, ou se for do desejo  dele simplesmente vender a casa e gastar o patrimônio herdado. Ou ainda morar na casa sem a necessidade de gastar dinheiro com aluguel. o que não deixa de ser também uma forma de renda.

 

Mas, apenas herda-se bens materiais dos Pais? Muitos leitores objetariam a dizer sim, pois provavelmente podem pensar que receberam muito mais dos seus pais, sendo que em muitos casos não receberam herança patrimonial alguma.

 

E o que seria esse a mais? Os ensinamentos éticos? As lições de vida?Os momentos difíceis ou alegres da infância? Talvez tudo isso?

 

Portanto, parece claro que os pais deixam, os que conseguem acumular algum patrimônio, muito mais do que simples bens materiais. Eles deixam uma herança cultural aos seus descendentes.

 

E qual é a relação entre  capital acumulado, sociedades inteiras e herança social?

Herança Social: o suor das gerações passadas

 

Qual é o mérito de um filho herdar uma casa? Muito provavelmente nenhum. Falo provavelmente, pois às vezes o filho pode ter ajudado o pai de alguma maneira a adquirir esse bem.

 

Entretanto, na maioria dos casos, não há mérito algum, os herdeiros apenas recebem um capital acumulado às custas do esforço dos outros, nesse caso a geração anterior na figura dos seus pais.

 

Por causa desse motivo, muitas pessoas bradam e dizem: “ Eu prosperei pelas minhas próprias forças, sou um vencedor, não herdei nada de ninguém. Aliás, a herança é um mal, o que importa é a herança ‘educacional’”.

 

Certo, prossigo com o raciocínio.

 

Qual é o mérito de um dinamarquês ter nascido na Dinamarca? “ Como assim?  Não entendi o ponto” alguém pode pensar.

 

Repito a pergunta: Qual é o mérito de um dinamarquês ter nascido na Dinamarca? A resposta só pode ser nenhum mérito. O motivo da pergunta ficará mais claro no decorrer do artigo.

 

O que torna uma pessoa rica? Quem me conhece, nem que seja apenas pelos artigos do blog, pode muito bem imaginar que a verdadeira riqueza para mim não se mede com bens materiais.

 

As verdadeiras relações humanas não são construídas e mantidas por meio de dinheiro, na verdade ele pode ser um dificultador em alguns casos , mas por outras coisas.

 

Entretanto aqui irei usar o termo riqueza no sentido apenas financeiro. Uma pessoa é rica em função do seu patrimônio acumulado, seja por meio de poupança, seja herdado.

 

E o que torna um país rico?  A resposta para a questão é a mesma da resposta para os indivíduos: capital acumulado. Se a questão o que torna uma pessoa rica é mais comum, a pergunta sobre os países é mais infrequente.

 

Muitas pessoas, de maneira incorreta, tendem, nem que seja por processos mentais involuntários, a pensar que os países ricos são ricos desde sempre.

 

A Dinamarca sempre foi uma ilha de prosperidade, e na Nova Zelândia sempre se viveu bem. É como se a riqueza acumulada tivesse brotado.

 

Não foi assim que aconteceu. O capital de um país não se acumulou da noite para o dia. Gerações precisaram construir com “sangue, suor e lágrima”  na forma de poupança o capital acumulado do país.

 

A geração atual só pode ter uma vida melhor pelo acúmulo de capital das gerações anteriores.

 

E o capital acumulado pode ser de várias formas. Pode ser o capital humano da alta educação passada de uma geração para a outra. Pode ser o “capital” de instituições sólidas, pode ser o capital de infraestrutura de aeroportos, portos, hospitais. Ou seja, ao se refletir sobre sociedade, nações, a Herança Social que uma geração deixa a outra é formada por um conjunto de aspectos diversos.

 

Muitos falam do Brasil e a fragilidade de suas instituições, mas eu me pergunto se essas pessoas algum dia refletiram sobre o que muitos países desenvolvidos passaram para chegarem no estágio atual.

 

O preço que gerações inteiras pagaram com muito sofrimento para o fortalecimento de suas instituições.

 

Na Europa, duas guerras mundiais devastaram o continente, e as cicatrizes desses conflitos podem ser vistas até hoje, mesmo depois de 75 anos do fim da segunda guerra mundial.

 

Talvez não se reflita que a revolução francesa, que nada mais foi uma revolução para a obtenção de direitos humanos, data de 1789.

 

Portanto, as instituições de muitos países foram obrigadas a evoluir depois de muito sofrimento, doação e bravura de muitas gerações.

 

Assim, um Francês que nasce hoje, um Australiano que possui 20 anos, recebeu um país rico, sem fazer absolutamente nada para tal, ele apenas nasceu no local correto na hora certa. Ou seja, essas pessoas receberam uma enorme Herança Social das gerações passadas.

 

Herança Social e Mérito Individual

 

Talvez a pergunta sobre o Dinamarquês comece a fazer mais sentido agora.

 

Um Dinamarquês de 20 anos não possui qualquer mérito em ter nascido num país com um capital, sobre as diversas formas, acumulado tão grande.

Dinamarqueses e Herança Social
Será que Dinamarqueses tiveram algum mérito de nascer no país mais feliz do mundo?

E qual é a consequência disso. Comparemos com um jovem de 20 anos nascido na Somália. Em média, o jovem Dinamarquês viverá muito mais, será muito mais rico, terá uma educação formal infinitamente superior, provavelmente falará mais de uma língua, se comparado com o jovem Somali.

Somalis e a Herança Social
É possível que alguma dessas crianças somalis se torne tão educada e rica como um dinamarquês médio? Sim, claro que é

Falo em média, pois obviamente sempre poderá ter as exceções, mas a média , nesse caso específico, nada mais é o que acontece com a maioria das pessoas.

Ignorar os dados por causa de alguma história individual de superação, pode ter a sua força poética e motivacional,  porém creio que muitas vezes apenas atrapalha um correto entendimento sobre a realidade.

 

Imaginem, prezados leitores, colocar um jovem médio Dinamarquês ao lado de um jovem Somali.

 

Aos olhos de nossa  sociedade contemporânea, onde o sucesso material representa quase tudo, fica claro que o europeu parecerá um vencedor, e o africano um perdedor.

 

Porém, qual é o mérito do Dinamarquês nisso tudo? E qual é a culpa do Somali nisso? Evidentemente, não ha mérito, nem culpa, o mundo é apenas assim, e a herança social herdada por esses dois jovens terá sido diferente.

 

Uns tem sorte de ter nascido em países com grande acúmulo de capital na época certa (e não há 200-250 anos), outros, muitos outros diga-se de passagem, tiveram o azar de nascer em países com quase nenhum capital acumulado e não receberam uma herança cultural, na forma de capital acumulado, tão grande.

 

É evidente que esse argumento não menospreza a herança cultural passada pelas gerações somalis para as suas crianças. Mesmo lugares materialmente pobres, podem, e geralmente esse é o caso, culturas riquíssimas e um grande senso de pertencimento social.

 

Mas, é inegável que um jovem nascido em 2005 na Somália herdou um país destroçado economicamente, no meio de um conflito violento, onde as oportunidades de melhora de vida eram, e ainda o são infelizmente, muito escassas.

 

Fica evidente que ninguém prospera sozinho. Ninguém é o vencedor solitário da sua própria vida.

 

Um dos homens mais brilhantes de todos os tempos (ao lado de Einstein em minha opinião), disse certa vez, ao ser congratulado por suas teorias, que ele nada mais tinha feito que “se apoiado no ombro de gigantes” .

Isaac Newton
A famosa frase de Isaac Newton

 

Uma das maiores mentes de todos os tempos  foi humilde o bastante para reconhecer que sem gerações anteriores, sem o conhecimento anterior acumulado, muito provavelmente não seria possível para ele chegar nas conclusões cientificas sobre gravitação, cálculo, etc.

 

Quando visitei um memorial sobre os soldados australianos na segunda guerra (fui a vários quando morei num carro por quatro meses na Austrália),  uma placa ficou até hoje em minha memória:

 

Nós estamos aqui hoje, devido aos lugares em que estivemos ontem.

 

Sendo assim, os australianos de hoje apenas tem uma boa vida, pelo esforço das gerações anteriores, seja acumulando patrimônio, seja entregando a própria vida em conflitos sangrentos.

 

Assim, o simples fato de você ter entre 20-40 anos e ter nascido no Brasil já o coloca numa posição de superioridade de quase mais do que a metade da população humana.

 

Se você teve sempre um teto e comida na mesa, independente de sua origem, então a sua situação com certeza foi muito mais privilegiada do que a maioria dos seres humanos durante as nossas 10 mil gerações enquanto espécie Homo Sapiens Sapiens

 

E você não tem qualquer mérito nisso. Não acredita? Imagine, faça um esforço, como seria a sua vida, se ao invés de ter nascido em São Paulo ou no Rio de Janeiro, ou em qualquer outra cidade brasileira, você tivesse nascido em algum campo de refugiados em algum país esquecido da África.

 

Sua mãe estuprada por cinquenta soldados rebeldes de uma só vez, quatro dos seus cinco irmãos assassinados. A sua expectativa média de vida de dezenas de anos a menos do que um europeu de um país desenvolvido. Não há educação, não há empregos, há apenas desespero.

 

Imaginou-se nessa vida? Não se importa com isso, pois não lhe diz respeito? Talvez não diga, o que é uma atitude triste em minha opinião, mas saiba que você é privilegiado de ter nascido num país de renda média como o Brasil, com instituições relativamente estáveis nas últimas décadas, apesar de estarmos nos esforçando para minar esses avanços com o atual governo:

O Governo Bolsonaro: Um desastre Anunciado.

 

Você não possui qualquer mérito nisso, bilhões de seres humanos serão mais pobres do que você (eu disse bilhões, não milhões), viverão em média menos do que você, terão muito menos educação formal do que você, e você não possui qualquer mérito nisso.

 

A Incongruência de destacar o “Mérito” Próprio e esquecer-se da Herança Social

 

A incongruência maior de pessoas que repudiam a herança no nível individual é quando as mesmas admiram e buscam  morar em países com uma patrimônio acumulado gigantesco de gerações anteriores, mas com herança cultura enorme construída quase sempre com muito esforço e sofrimento.

 

Ora, se uma pessoa despreza a herança em um nível individual, uma atitude plenamente justificável, cai numa contradição enorme ao querer desfrutar a riqueza acumulada por gerações que nem mesmo lhe dizem respeito.

 

Um jovem australiano de 20 anos pode ter tido um avô que faleceu na segunda guerra mundial o que pode ter causado um trauma no seu pai que pode ter sido passado para ele na forma de uma infância não tão feliz, ou pode ter tido um pai que poupou bastante e ajudou o país a prosperar, ou seja, pode ter algum vínculo, nem que de forma indireta, com as privações necessárias para a construção de riqueza financeira e institucional.

 

Um brasileiro que queira morar na Austrália, com quase toda certeza, não possui qualquer elo, nem de forma indireta, com as gerações australianas anteriores. Ou seja, a pessoa irá usufruir o bem-estar geral de uma sociedade sem ter qualquer mérito ou participação nisso.

 

Faria muito mais sentido, e seria muito mais lógico, se uma pessoa que despreza a herança no nível individual, e de alguma maneira acredita que o mérito individual foi a sua única forma de destaque na vida,  fosse para países como Somália, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Yemen, ou seja, países com quase nenhum capital acumulado em nenhuma das formas.

 

Lá, elas poderiam exercer o “mérito” próprio em toda plenitude, sem qualquer apropriação do capital acumulado de gerações anteriores. Bradar com toda força que não é um herdeiro individual, mas querer ser um herdeiro da riqueza alheia de outros países não possui qualquer coerência.

 

“Mas,  e a riqueza passada a nível individual, não há nenhum mérito nisso”, claro que não colega, como expressamente dito por mim nos primeiros parágrafos.

 

Não há qualquer mérito em receber uma herança substanciosa. Eu sou um herdeiro e tenho plena consciência de que não tenho qualquer mérito nisso.

 

Receber um grande capital acumulado de uma geração anterior obviamente desequilibra o jogo. Imagine então receber uma herança individual e ainda nascer num país como a Alemanha?

 

Alguém realmente acha que há qualquer mérito numa disputa assim? É evidente que não.

 

A vida em sociedade humana na maioria das vezes nada mais é do que uma sucessão de atos aleatórios sobre os quais os indivíduos tem pouco ou nenhum controle. É basicamente sorte ou azar.

 

Há tantos filmes e livros que tratam sobre essa temática nas mais variadas formas, que fica difícil enumerar.

 

Porém, cito o ótimo livro escrito pelo físico Leonardo Mlodinov (há ótimos livros dele como “A Janela de Euclides“) chamado  “O andar do Bêbado – Como o acaso determina nossas vidas”. É um livro simples e fácil de ler e muito interessante.

 

Há um video muito interessante de uma resposta onde o famoso economista Milton Friedman responde a uma pergunta sobre mérito ou não de herdeiros e se a herança não deveria ser brutalmente taxada.

 

A resposta dele foi mais ou menos no sentido de que um dos maiores incentivos de uma geração é construir uma vida melhor para a geração posterior e que um imposto alto sobre a herança iria simplesmente destruir essa lógica, fazendo com a geração atual simplesmente não se desse mais ao trabalho de poupar e entregando-se ao consumo conspícuo.

 

É preciso deixar claro que a resposta dele foi no sentido de pai para filho, pois ele acredita que nós somos uma sociedade familiar, e não apenas individual. Ele não falou em termos mais amplos de uma Herança Social de forma direta, mas sim com uma consequência involutária.

 

O homem que disse que “a única função social de uma empresa é gerar lucro” raciocinou de que cada geração deve deixar a vida da geração posterior melhor.

 

Nesse ponto, eu concordo inteiramente com ele, porém expando um pouco mais para ser muito mais abrangente. A geração atual tem obrigação de deixar o mundo de um jeito pelo menos igual, de preferência melhor para gerações futuras.

 

Infelizmente, não é o que provavelmente vai ocorrer, mas aqui já entro na seara de um tema que chama muito minha atenção que é a insustentabilidade da forma atual de consumirmos e nos organizarmos economicamente, o que não é o tema desse artigo.

 

Portanto, recapitulando e me encaminho para o final do artigo. Não há qualquer mérito em receber herança de uma outra geração, seja na forma individual, seja na forma de herança social.

 

Não há qualquer problema lógico ou filosófico de se desprezar a herança individual, desde que a pessoa queira emigrar para o Sudão do Sul, não para a Alemanha ou outros países de grande capital acumulado por gerações anteriores, onde a geração presente é beneficiária de uma enorme herança social.

 

Caso não queira emigrar, para a posição continuar coerente, a pessoa deveria advogar que todo o capital acumulado anterior do país onde vive, por exemplo, fosse destruído, pois não há mérito em receber pontes, estradas, aeroportos, ativos que vieram do acúmulo de gerações passadas.

 

Um dos maiores representantes de economistas da Escola de Chicago acredita que um dos principais incentivos  da geração atual é proporcionar uma vida melhor para gerações futuras.

 

Não, você não é um triunfante vencedor solitário que venceu por méritos exclusivamente próprios num mundo caótico, muito provavelmente você teve sorte de nascer em um país não devastado, com capital médio acumulado e com instituições minimamente estáveis.

 

Eu tive sorte de nascer numa família onde houve acúmulo de capital, seja financeiro, seja educacional, seja ético. Sou um privilegiado e não tenho qualquer mérito nisso, tive apenas sorte de nascer nessa família.

 

Se não nasci na Austrália, nasci branco, loiro, de olhos verdes, numa família de classe-média alta, o que com certeza me faz herdeiro de uma herança social privilegiada.

 

Se hoje tive algum sucesso em minha vida, uma parte significativa dele é atribuída exclusivamente a sorte, e não a um profundo valor intrínseco meu.

 

Se isso me deprime? Não, nem um pouco. Se isso tira o valor do meu esforço? Também não. Apenas me deixa mais consciente da minha realidade, e me deixa mais capaz de sentir empatia pelo sofrimento  e limitações alheias.

 

10 respostas para “Herança Social. O que devemos a nossos antepassados?”

  1. Olá Soul,

    Tudo bom?

    Já assistiu ao filme “Capharnaüm (original title)”? É um filme pesado (emocionalmente falando), ótimo e interessante, que tem a ver com alguns aspectos deste seu artigo.

    Abraços!

    1. Olá, Renato!
      Não, não vi. Nunca tinha ouvido falar.
      Onde será que posso encontrar? Vindo de você com certeza vou querer ver.
      obs: fui ver sobre o era, e eu já o filme. É um filme incrível mesmo, foi um dos poucos filmes que vi no cinema depois que minha filha nasceu.
      Fiquei impressionado que o garoto protagonista era analfabeto e um refugiado sírio. Caraca! O moleque atuou muito. O que um pouco de oportunidade não faz hein?
      https://www.nytimes.com/2018/12/14/movies/capernaum-nadine-labaki.html
      Achei incrível o nome do filme também, não sabia que era um nome bíblico.
      Um abraço!

  2. Parabéns pelo texto, novo site e podcast, Soul!
    Admiro muito sua capacidade de articular ideias em diversos assuntos não relacionados, como saúde, finanças e agora algo mais sociológico/econômico.

  3. Olá Soul,
    Ótimo post! É impressionante como grande parte da nossa vida é determinada pela herança social e individual. É triste pensar que a maioria dos seres humanos não têm condições básicas de ter uma vida decente, é um desperdício enorme de capital humano. Os seres humanos já desenvolveram tecnologia suficiente para começar a pensar em condições minimamente dignas para todos. Imagina se o novo Einstein ou o novo Newton estão escondidos em uma cidade do Congo ou em assentamento de refugiados? Soul, lembro que uma vez você comentou que se pudesse escolher um país para viver seria a Nova Zelândia. Você poderia contar o que te chamou a atenção nesse país e o que a gente poderia aprender com eles para deixar uma herança social melhor no nosso país?
    Um abraço

    1. Oie Natália!
      A Nova Zelândia é um país muito bonito mesmo, e apesar de ser pequeno extremamente diverso. Lá se pode surfar com um vulcão cheio de neve ao fundo, é algo meio surreal.
      A NZ também é pouco povoada. A ilha sul, fora de temporada como eu fui, quase não tem ninguém. As estradas são vazias. Eu aprecio lugares assim.
      Os Kiwis (como o pessoal da NZ é conhecido) são em sua grande maioria simpáticos e amistosos. Eu vi também experiências maravilhosas lá, seja de lugares excepcionais, seja de relações humanas incríveis. Então, a minha visão pode ser muito “romantizada” pela minha experiência. É um baita país.
      É um país muito diferente do nosso em todos os aspectos, então qualquer comparação parece-me difícil.
      Olha, precisamos parar de odiar e sentir raiva. Em segundo lugar, precisamos levar saneamento básico para 50% da população brasileira. E precisamos permitir que as novas gerações possam no mínimo ter uma educação razoável para poderem competir e se desenvolver como seres humanos nas próximas décadas.
      Menos raiva, mais saneamento e uma melhor educação. Se tivéssemos esses 3 projetos como centrais para o país, com certeza deixaríamos uma Herança Social boa para as gerações vindouras.
      Um grande abraço!

  4. Ótimo post Soul! Sua profissionalização como blogueiro em nada perdeu a essência, aquilo que te mantinha único. Um ponto que gostaria de destacar é que com o avanço da tecnologia e a globalização a humanidade no geral vive em um mundo melhor que a geração que nossos pais ou nossos avós nasceram, sempre me lembro das histórias do meu avô sobre a vida dele enquanto jovem e as histórias do pai dele, ambos eram fazendeiros de pouca terra aqui no interior de Goiás, comiam do que eles plantavam e as compras eram feitas com trocas e raramente tinham algum dinheiro em papel, isso tem cerca de 50-60 anos. Comparando com hoje, a população da capital próxima a eles, Goiânia, aumentou em mais de 10x, eu nasci e com base na tecnologia que temos hoje consigo trabalhar pelo computador para pessoas do outro lado do mundo.

    1. Olá, Marco!
      Primeiramente, não chamaria de “profissionalização”, estou a anos luz disso:)
      Foi apenas uma forma de manter o que eu produzi numa forma mais “arrumada”.
      Com certeza, sem dúvidas. Há aspectos não tão benéficos na tecnologia, mas com certeza ela foi e é um fator fundamental.
      É por isso, talvez, que muitos países ricos estejam em crise, pois essa geração mais nova talvez esteja numa condição pior do que a geração dos seus pais, e isso é meio que um fato contraditório a “narrativa” de progresso contínuo do último século.
      Obrigado pelo comentário!
      Um grande abraço

  5. Olá Soul,

    Acredito que vc já abordou esse tema há alguns anos.
    Sem dúvida boa parte do que somos nos foi dada pelo acaso.
    Particularmente minha maior sorte foi ter nascido filho dos meus pais.
    Por tudo que vc falou, sou a favor do controle do fluxo de imigrantes. Uma sociedade que ao longo do tempo melhorou a vida de sua população tem por obrigação lutar para que isso continue.
    Mas a despeito da falta de mérito no simples ato de nascer não exclui o mérito do que fazemos da nossa vida a partir do momento que nascemos.
    O quanto de esforço pessoal vc teve que fazer pra poder hoje ter tempo pra se dedicar a sua filha?
    Não se trata de comparar vc com pessoas que tiveram condições piores de nascimento e chegar a conclusão que por isso o mérito não existe.
    Se trata de saber que assim como uma parte da nossa vida é dada pelo acaso, uma outra parte é fruto de escolhas e esforço pessoal.

    Abraço,
    Tudo de bom!

    1. Oie Ricardo!
      Com certeza essa é uma opinião sobre migração, e uma que possui fundamento.
      A outra é que somos todos migrantes, todos viemos da África. O fluxo humano está conosco desde o surgimento da nossa espécie.
      Com certeza, Ricardo. Se olhar de novo o texto, não tento desmerecer o esforço pessoal, imprescindível para melhorarmos nas várias facetas da nossa existência.
      O esforço é fundamental. Eu vou revisitar um texto meu onde abordo esse tema: Fortuna e Virtude.
      E concordo plenamente com você nesse trecho: “Se trata de saber que assim como uma parte da nossa vida é dada pelo acaso, uma outra parte é fruto de escolhas e esforço pessoal.”

      Um abraço!

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