Crise de Meia Idade? Os quarenta chegaram

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Os quarenta chegaram. Será que a crise de meia idade também? Como isso aconteceu? Fecho os meus olhos e me vejo um garoto com cabelos loiros lisos fartos, sempre caindo no meu rosto.

Hoje mal tenho cabelos, acabei de passar a máquina um e não saiu muita coisa. Como isso pôde acontecer?

Vem uma memória de quanto eu tinha 12 anos e fui campeão brasileiro, por categoria, de xadrez pela primeira vez. Lembro-me da emoção que senti, da sensação de êxtase.

Penso nos meus tempos de faculdade. A camaradagem. O aprendizado de viver sozinho numa cidade nova. O Surfe. As festas. As garotas. “Uau, foi ontem”, se me esforçar posso até tocar com os meus dedos essas memórias.

Aí recordo que já se passaram mais de 20 anos desde que ingressei na Universidade Federal de Santa Catarina. “Mais de 20 anos, sério?”. Não é possível que isso ocorreu.

O que aconteceu? A vida. Fui abençoado de estar vivo e ter permanecido vivo por esse tempo.

Mas a vida passa. Recebo a informação há poucos minutos que uma Tia minha faleceu dormindo. Sinto-me aliviado de ter feito um esforço de ter visitado-a no hospital em Porto Alegre quando tive que ir para capital gaúcha assinar um contrato. Antes de pegar o voo de volta, tive que encaixar a visita.

A minha vida está passando. Será que isso me ocasiona uma crise de meia idade? Fico ansioso por ter entrado na quinta década de vida?

Quantas coisas eu poderia ter sido, e não fui. Eu, jovem, com saúde e disposição aos 16-17 anos. Quantos Thiagos deixaram de existir pelas minhas escolhas de vida.

Valeu a pena? Crise de meia idade?

Então, hoje, depois de um ciclone que passou pela cidade que moro, vou olhar o mar. Ondas perfeitas e ninguém na água.

Vou vestir minha roupa de borracha nova, que de tão justa preciso me concentrar para colocá-la. Vou então correndo em direção a trilha por meio da mata e dunas que leva à praia.

Minha linda Serena então vai atrás correndo de mim com os seus pequenos passos, e fala “papai”.

Chego ao mar, e as ondas estão lindas. A água um pouco gelada o que proporciona uma sensação agradável já que são meio dia. Pego uma boa esquerda, volto remando feliz para o outside.

Então uma família de golfinho passa por mim, e um deles dá um salto, mergulha, e pega um peixe.

Olho para o céu azul, olho para os golfinhos a 3-4 metros de mim, olho para uma série de ondas entrando, lembro da minha Serena falando “papai”, e é impossível não ter um largo sorriso no rosto.

Crise de meia idade? Sim, poderia ter sido muitos Thiagos. Talvez mais rico, talvez mais educado, talvez mais viajado. Poderia ser faixa preta em alguma arte marcial. Poderia já ter me formado como físico.

Poderia ter sido um dançarino de tango, ou talvez um grande cozinheiro. Sim, poderia.

Mas, eu sou o que sou. Com as minhas falhas, virtudes, e minha história e experiência de vida. Poderia ter feito algumas escolhas melhores? Claro que sim.

Mas, a vida é uma peça de teatro onde não podemos ensaiar, apenas improvisar com o desenrolar das várias cenas de nossa existência.

As cortinas, espero que apenas daqui alguns anos, vão descer para o meu querido pai e minha querida mãe. As pessoas que me trouxeram à existência. As pessoas a quem devo quase tudo.

Para mim, e para a minha companheira, talvez demore, assim espero, algumas décadas para que eu encene o meu último ato.

Já minha filha torço que haja ainda um século para ela.

A vida passou e cheguei sem qualquer crise de meia idade. Chego leve. Chego dando cada vez mais valor aos meus amigos, à minha família, e a bênção de estar vivo com saúde física e mental e capaz de ter uma vida digna.

 

Crise de Meia idade ou não
Há cinco anos, numa das regiões mais lindas do mundo e completamente desconhecida da maioria dos viajantes

 

Crise de meia idade? Não, satisfação de meia idade. Obrigado vida.

 

obs: há um novo podcast, onde converso com Fernando Malta (host do scicast) sobre responsabilidade social de empresas e o maravilhamento pela ciência. Confira, está bem legal.

 

20 respostas para “Crise de Meia Idade? Os quarenta chegaram”

  1. Parabéns, Soul! Não sei se entendi bem, mas seu aniversário deve ter sido recente. Muitas alegrias, felicidades e vitalidade pra continuar compartilhando coisa boa. Tenho 33 e quem dera chegar aos 40 fazendo aquilo tudo de exercício que você mencionou no último post.

    Reforço que tenho aprendido bastante com o conteúdo do site : ) o post sobre magnésio e glicose ficou excelente! Um abraço

    1. Valeu, Pelicano!
      Sim, meu amigo, há menos de uma semana. Teve até festinha surpresa na rua de amigos. Obrigado pelas suas palavras, de coração.
      E Fico feliz de poder ajudar de alguma maneira com meus escritos.
      Um abraço!

      1. Soul mais experiente ainda! Parabéns.
        Eu não consigo sair do meu Jonh sozinho kkkk Minha filha já está pegando onda comigo, o tempo passa, o tempo voa… É gostoso olhar para as nossas improvisações e ver que acertamos em algumas.

    1. Olá Soulista!
      Segredo……
      hehe
      É o extremo oeste da China, a província mais complexa da China (mais além do que o Tibet) chamado Xinjiang, onde havia (não mais pelo processo de hanização – chineses da etnia han migrando para a região) uma maioria muçulmana de Uyghurs.
      Esse lugar é alguns km da fronteira com o Quirguistão, tanto que ficamos na tenda de uma família Quirguz e não Ugyhur. Ao fundo é a incrível montanha Muztagh Ata com 7500 metros.
      O local é inexplicavelmente lindo, um dos mais bonitos que eu já estive no planeta terra, e olha que estive em muitos.
      Um abraço!

  2. Parabéns Soul – teu post deu a impressão de ser uma pessoa realizada!

    É incrível como algumas pessoas acabam tendo uma pré-disposição mental para a felicidade (ou mesmo uma pré-disposição para a infelicidade), de modo às vezes independente do que propriamente ocorre com a vida dela (no sentido de serem acontecimentos “bons” ou “ruins”).

    Acredito que isto esteja vinculado à genética e, principalmente, a um bom desenvolvimento mental na infância! O que nos ocorre na infância parece ser uma espécie de “segundo DNA” (risos) que pode nos lançar para um bem-estar (ou mal-estar) na vida adulta.

    Abraços!

    1. Olá, Renato C!
      É verdade, amigo. Há linhas de estudo que apontam que entre 30-40% do nosso estado geral de felicidade tem origem genética. Uns 10-15% da nossa felicidade vem das nossas condições objetivas de vida. E uns 50% de como reagimos em relação às condições objetivas.
      Então, sim, a genética parece ter um papel importante, mas muito do nosso bem-estar está sob influência direta nossa. Como reagimos as dificuldades, em relação aos outros, creio que são aspectos da vida que podem ser aprendidos e melhorados, e cabe a nós pais tentarmos influenciar positivamente no que é possível nossos filhos.
      Um abraço meu amigo!

  3. Excelente reflexão. Passar a vida ruminando arrependimentos e conjunturas hipotéticas é trocar a realidade feliz por dias que nunca chegaram.
    Pela sua descrição e por tudo que já li nos extintos blogs, vejo que sabe reconhecer onde se situa sua plenitude.
    Abraço,
    Aposente Cedo

    1. Olá aposente cedo!
      Sou um aprendiz apenas. Cometo ainda muitos deslizes em coisas básicas. Mas é isso, o importante é reconhecer nossas limitações e trabalhar para melhorá-las.
      Obrigado pelas palavras. Um abraço!

  4. Parabéns Soul! Que a vida lhe conceda muitos anos de saúde e prosperidade para usufruir com a sua família e amigos e em especial com a pequena Serena.
    Abs

  5. Grande Soul! Mais um belo texto! Sou um de seus leitores anônimos (desde 2013) e sempre aprendo algo com seus escritos. Muita saúde e felicidade pra você, meu caro.
    Um grande abraço!

  6. Os “enta” chegaram pra mim também. Pode ser a quarentena, podem ser outras coisas acontecendo agora, mas dá uma vontade de reviravolta, o físico já não é o mesmo. Acho que nem é a idade, mas as experiências que fazem a gente repensar.

  7. Dá pra “sentir” uma enorme positividade nesse seu texto, parabéns!
    Eu particularmente tenho uma tendência ao pessimismo, à encarar os copos que aparecem na vida mais como meio vazios do que meio cheios.
    É algo que sem dúvida preciso trabalhar para mudar, pois piscarei os olhos e também estarei chegando à “meia idade”.

    Abraço!

    engenheirotardio.blogspot.com

    1. Oie Engenheiro!
      Então, há um componente genético nisso. Sabe aquelas pessoas que sorriem e estão felizes e tratam todos bem independente de uma vida sofrida? Há muito de componente genético nisso. Portanto, nós somos diferentes mesmos.
      Porém, apesar do componente genético, há muito que pode ser “aprendido”.
      Talvez o erro em escolas, pais, meios de comunicação, é não tratar de alguns temas muito relevantes para o nosso bem-estar: a necessidade de encarar dificuldades, como nosso bem-estar mental é importante, a importância da empatia, como errar é importante e é um processo da evolução, etc, etc.
      Um pouco de pessimismo em muitas ocasiões é saudável e prudente. Apenas não deixe que esse seja o único aspecto, a única lente pela qual você observa a realidade.
      Um abraço!

    1. Olá, I. Internacional! Primeiramente, grato pela visita.
      Com certeza esse pode ser um dos aspectos, mas as muitas alternativas costumam diminuir com o passar do tempo.
      Se aos 20 anos a vida pode parecer um turbilhão de possibilidades, aos 40 anos essa sensação, ao menos para mim, diminuiu um pouco.
      Um abs!

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