A Finalidade do Dinheiro. Existe mais de uma?

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  Qual a finalidade do dinheiro? O dinheiro tem alguma  outra finalidade para além de comprar coisas, de nos transformar em consumidores?

   Eu acredito que sim, e essa função comumente associada ao dinheiro para mim é a mais elementar entre as finalidades do “vil metal”.

   O meu pai constantemente falava para mim, mesmo quando eu era uma criança/adolescente, que o dinheiro possuía três finalidades, e é sobre elas que esse texto trata.

PRIMEIRA FINALIDADE DO DINHEIRO -SOBREVIVÊNCIA

 

Essa é a relação principal, e quase sempre única,  que a esmagadora maioria da humanidade  possui com o dinheiro: a necessidade de possuí-lo para sobreviver.

Sobrevivência aqui pode ser entendida num contexto mais amplo, não necessariamente apenas ligada às necessidades fisiológicas do nosso corpo.

Logo, as pessoas precisam de dinheiro para  ter um teto sobre às cabeças, para poder ter, em muitos casos, acesso a uma boa educação, à saúde, a bens de consumo que tornam a nossa vida mais confortável, etc.

Quase metade da população humana, em 2015, vivia abaixo da linha da pobreza, e aproximadamente 10% de todos os seres humanos vivem abaixo da linha de extrema pobreza, conforme conforme esse estudo do Banco Mundial.

Em minha sincera opinião, independente de qualquer ideologia ou formulação econômica, creio que esse fato deveria estar na primeira página de todos os jornais do mundo, e não sair de lá até que esses números caíssem absurdamente.

Infelizmente, dezenas de milhares de crianças morrem diariamente por ausência ou insuficiência de acesso a tratamentos mínimo de saúde, de saneamento e muitas vezes simplesmente por fome.

Isso significa milhões de crianças por ano. Esse é um dado que deveria ser passado antes de todos os programas de televisão, e apenas terminar quando diminuíssemos drasticamente esses números absurdos.

É verdade, um leitor atento poderia notar, que esses números eram ainda piores há 20/30 anos, e ele estaria correto.

A ascensão de uma classe média na China, e em tantos outros países, fez com que centenas de milhões de pessoas saíssem da extrema pobreza.

Porém, até pelos avanços tecnológicos incríveis da humanidade no mesmo período, muito mais precisa ser feito. Eu creio que nós, entendido como espécie humana,  não discutimos as misérias de nossos irmãos e as grandes injustiças desse planeta da maneira de vida. Esses tópicos não estão na pauta dos nossos líderes mais poderosos, e das sociedades humanas mais desenvolvidas, infelizmente.

Contudo, esse é um papo para outro artigo.  O que quis destacar com esses tristes dados sobre nossa família humana, é que para a esmagadora maioria dos homens a finalidade dinheiro principal do dinheiro está ligada a uma questão de vida ou morte, de sobrevivência física do corpo.

Se considerarmos uma definição mais ampla para sobrevivência, eu não tenho dúvidas de que mais de 99% da humanidade possui uma relação estritamente de sobrevivência com o dinheiro, senda essa a sua única finalidade.

Por isso, aqui apenas divago sem ter a certeza se estou correto, talvez a esmagadora maioria das pessoas acredite que a única finalidade do dinheiro esteja no consumo, e em casos mais extremos, que estão na fronteira de alguma desordem psíquica, no consumo desenfreado.

Colegas, é claro que essa é uma parcela fundamental da finalidade do dinheiro nas sociedades modernas: permitir a nossa sobrevivência e acesso a bens mínimos de consumo.

Não há qualquer mal nisso. Entretanto, o dinheiro pode servir para outras duas finalidades extremamente importantes para o espírito e ética humana.

Quando a acumulação de riqueza já não for mais de alta importância social, haverá grandes mudanças no código moral. Estaremos em condições de nos desfazer de muitos falsos princípios morais que nos acorrentam por duzentos anos, e pelos quais temos exaltado alguns dos mais repugnantes atributos humanos como se fossem as maiores virtudes. O amor ao dinheiro como posse- algo distinto do amor ao dinheiro como meio para os prazeres e exigências da vida – será reconhecido pelo que é, uma morbidez bastante repulsiva, uma dessas propensões semi-criminosas e semi-patológicas que se conduzem com um arrepio para os especialistas em doenças mentais” John Maynard Keynes (1930)

 

SEGUNDA FINALIDADE DO DINHEIRO –  A BUSCA DESINTERESSADA DO CONHECIMENTO

Você, prezado leitor, pode estar pensando que quem faz faculdade, MBA, etc, não está em busca de conhecimento? Sim, mas essa busca não costuma ser desinteressada, ela costuma ter como foco principal, e muitas vezes único, a obtenção de dinheiro para sobreviver, ou para atender algum desejo de consumo.

Mas, por qual motivo a busca do conhecimento deve ser desinteressada? E o que isso tem relação com a finalidade do dinheiro? Aqui a resposta será muito pessoal, e pode haver pessoas que simplesmente não concordam.

Entretanto, creio que apenas a busca desinteressada pelo conhecimento pode nos permitir alcançar verdades mais profundas, bem como nos proporcionar prazeres que muitas vezes são muito superiores aos prazeres sensoriais.

Como assim? Comecemos pelo deleite intelectual.

Minha mãe sempre me falava:

“Filho, não há nada melhor do que um prato de comida quando estamos com fome, uma cama arrumada quando estamos cansados, e uma privada limpinha quando queremos fazer o número 2.” (Sonia, data incerta)

É difícil discordar.

Quem já fez alguma trilha extenuante, como eu já fiz algumas, e depois de alguns dias comendo mal e dormindo de forma desconfortável, chegar num lugar com um prato de comida, uma cama com lençol, e uma privada limpa, sabe que a sensação de prazer é imensa, maior  às vezes até do que o prazer proporcionado pela compra de um carro novo , o que apenas reforça  a ideia de como a satisfação está nas pequenas coisas da vida.

E o prazer sexual ? A toda evidência é sensacional e essencial para termos uma vida saudável.

É tão importante que os indianos há milhares de anos atrás desenvolveram técnicas de como aumentar o prazer sexual (sim, é o Kama Sutra).

Não há dúvidas que os prazeres sensoriais são bons!

Porém, há prazeres que apenas o nosso intelecto pode sentir, e eles costumam ser muito mais fortes e impactantes do que os prazeres sensoriais.

Alguém aqui pode conseguir imaginar o prazer que deve ter invadido o cérebro do Einstein quando ele teve os vários insight fundamentais para as suas diversas brilhantes teorias? Eu não consigo nem imaginar o que ele pode ter sentido.

Einstein
O grande homem e cientista Albert Einstein

Não precisamos ser geniais como Einstein para sentir o prazer intelectual. No primeiro capítulo do livro “Elogio ao Ócio” do filósofo e matemático Bertrand Russel, o autor descreve uma cena bucólica de alguém comendo um abricó.

Ao explicitar as características biológicas da fruta, a etimologia da palavra, e como esse conhecimento “sem utilidade prática” na verdade fazia com que a experiência de comer um abricó fosse muito mais intensa.

Quantos filmes, para dar um exemplo mais trivial, que percebo que a ausência de conhecimento torna a experiência frustrante, e a presença de conhecimento torna a experiência extremamente prazerosa.

Elogio ao Ócio
O belo livro do grande matemático e filósofo Bertrand Russel

Um exemplo é o filme “Árvore da Vida” que para mim é simplesmente brilhante, pois eu vejo inúmeras referências científicas muito interessantes, especialmente às ligadas sobre o início e o fim do planeta terra.

A experiência de assistir ao filme fica bem mais agradável se a pessoa entende alguns conceitos de cosmologia e astronomia. Entretanto, percebo que para muitos que  talvez não tenham esse conhecimento básico,  o filme perde muito sentido, e essa foi uma opinião frequente quando a obra foi lançada.

Logo, se um ser humano consegue ter o privilégio de ter dinheiro para a sua sobrevivência, ele pode se aventurar na busca do conhecimento por verdades mais fundamentais.

Ou, simplesmente, saborear as experiências na realidade com mais “cor”, o que com certeza, pelo menos para mim, traz um prazer enorme.

A busca pelo conhecimento, de forma desinteressada, é em minha opinião a segunda finalidade do dinheiro. Esse aliás, foi um dos grandes motores da minha busca pela Independência Financeira.

A MAS NOBRE FINALIDADE – AJUDA AO PRÓXIMO

Por fim, chegamos à terceira finalidade do dinheiro.  A cabala,  grosso modo a parte mística do judaísmo, tem um conceito que acho lindíssimo: o conceito de Tsedaká.

A sabedoria dos místicos e estudiosos judeus pode ensinar algo sobre a finalidade do dinheiro
A sabedoria dos místicos e estudiosos judeus pode ensinar algo sobre a finalidade do dinheiro

 

O que isso quer dizer? Aviso desde já que meus conhecimentos sobre o misticismo judaico são mínimos, apesar de já ter lido há uns 13 anos atrás os excepcionais livros do rabino Nilton Bonder?

Tsedaká é a possibilidade de fazermos transações justas com  os outros, e por via de consequência com o universo.  Quando situações onde possamos exercer a Tsedaká aparecem, os sábios costuma dizer que são verdadeiras bênçãos em nossas vidas.

É difícil definir esse termo, mas vou tentar resumi-lo com uma história minha quando eu tinha 16 anos e estava andando em direção ao dentista na minha cidade natal.

Eu estava querendo ler o livro “O mundo de Sofia”, mas achava que o preço estava caro demais. Como não tinha encontrado o livro em nenhum sebo (sim eu gostava de sebos desde essa idade), eu estava decidido a comprar na livraria mesmo.

Quando estava quase chegando ao dentista, reparei que havia uma pequena janela numa casa com alguns livros colocados a venda. E não é que o “Mundo de Sofia” estava lá?

Eu percebi que tinha uma placa dizendo que os livros iam ser vendidos para ajudar um lar de idosos.

Perguntei quanto custava o livro. Uma Senhora me respondeu que por dois reais eu podia comprar. Nem acreditei na minha sorte. Mesmo em 1996, esse valor era muito baixo.

Quando eu já tinha pagado e estava quase na esquina da rua, eu não
sei, alguma coisa me disse para voltar. Eu voltei, e dei mais dez reais pelo livro (o que ainda faria que a aquisição fosse razoavelmente mais barata do que o livro na livraria).

A senhora ficou tão feliz pelo meu ato gratuito de ser mais generoso, eu fiquei tão feliz com o que tinha feito, e provavelmente o universo ficou tão contente com a minha atitude, que anos mais tarde eu aprendi que tinha realizado uma Tsedaká. Eu tinha feito uma transação justa.

O livro, a finalidade maior do dinheiro e a bênção
O livro, a finalidade maior do dinheiro e a bênção

O exemplo é pequeno (e tenho certeza que os leitores tem histórias semelhantes, ou até mesmo de situações mais profundas), mas ele mostra a força desse conceito.

Quando realizamos atos justos, de compaixão e caridade para quem necessita, os verdadeiros abençoados somos nós.  O prazer que sentimos ao poder ajudar os outros é às vezes muito maior do que a própria ajuda.

Logo, o dinheiro pode nos dar a oportunidade de realizarmos inúmeras transações justas, com uma enorme sensação de sentido e satisfação pessoal. Essa talvez seja a finalidade do dinheiro mais nobre.

Colegas, os biólogos evolucionistas há muito sabem que a esmagadora maioria das  espécies evoluiu e sobreviveu baseado na competição, mas também na cooperação e solidariedade.  A espécie humana não é diferente.

Nós somos essa mistura de competição e individualismo com solidariedade e cooperação.

Qualquer doutrina ideológica que tente atrofiar alguma dessas duas facetas (e creio que hoje estamos com prevalência forte do individualismo), apenas fará que o ser humano seja incompleto e infeliz.

Logo, em minha opinião, e falando aqui na seara econômica, qualquer teoria que tente colocar em segundo plano a solidariedade, compaixão, está fadada a trazer menos satisfação para os humanos.

Não é o que vemos na nossa sociedade atual? Pessoas cada vezes mais
insatisfeitas e depressivas, mesmo com consumos cada vez maiores.

Por outro lado, qualquer teoria  que tente colocar em segundo plano a
individualidade do ser humano, está fadada ao fracasso , como inúmeros exemplos históricos demonstram.

Portanto, a verdade como disse Buda geralmente está “no sagrado caminho do meio”.

Quando temos a nossa sobrevivência, pelo menos do ponto de vista fisiológico, assegurada(e há pessoas maravilhosas que mesmo em situação de penúria ainda assim ajudam a outros humanos que possam estar em situação ainda mais desesperadora), o dinheiro pode servir para ajudar outras pessoas, para mitigar tanto sofrimento humano.

Não tem tempo ou energia? Essa organização te ajuda a atingir uma nobre finalidade do dinheiro
Não tem tempo ou energia? Essa organização te ajuda a atingir uma nobre finalidade do dinheiro

É isso aí, colegas, as finalidades do dinheiro não são atingidas passo a passo, apesar de que quando as necessidades mínimas de um ser humano não são atendidas, fica difícil falar em busca de conhecimento desinteressado, afinal “ninguém filosofa de barriga vazia”).

Elas podem ser alcançadas simultaneamente, o único passo necessário é abrirmos nossos olhos.

Trailer filme “Árvore da Vida”. Alguns acham incompreensível, outros não gostam, eu acho um filme simplesmente fabuloso, nunca tinha visto nada parecido no cinema.

Grande abraço a todos!

obs: esse texto foi escrito originalmente em junho de 2014, foram feitas modificações. Os comentários publicados em 2014 com respostas minhas em 2020 representam as minhas respostas naquela época, não houve qualquer mudança no conteúdo ou grafia.

31 respostas em “A Finalidade do Dinheiro. Existe mais de uma?”

Fenomenal esse post, soul!

Tenho certeza de que seus pensamentos financeiros – e "não financeiros" também – têm ajudado a milhares de leitores a terem uma vida melhor!

Grande abç e grato pela citação do meu blog!

Guilherme

Olá, Guilherme!
Um prazer a sua presença no blog. Saiba que há uns dois anos e meio atrás naveguei muito pelas suas postagem de finanças, suas resenhas de livros sensacionais (principalmente os estrangeiros que trazem muitas informações não presentes nos livros de investimentos nacionais). Percebo hoje que você amadureceu os seus posts, talvez fruto do seu próprio amadurecimento como pessoa.

Obrigado pelas palavras, amigo!

Abraço!

Brilhante mesmo. Um dia, ainda quero atingir uns 40% do seu amor pelo conhecimento. Mas, por enquanto, gostaria de uma indicação mais prática de algum(s) livro(s) mais ou menos introdutório(s) que foque esses conceitos econômicos aqui tão falados.

Um abraço,

Paris 2022

Das três finalidades, a que me atinge com mais profundidade é a segunda, a qual você chamou de busca desinteressada pelo conhecimento.

Eu sempre me senti um pouco deslocado dos métodos tradicionais de ensino e aprendizagem (apesar de ser um bom aluno no geral), e passei muito tempo para entender que o motivo era a sede insaciável por conhecimento "desinteressado". A maioria das pessoas a minha volta não consegue compreender o porque de eu querer dedicar tanto tempo em assuntos que de modo geral não tem um sentido claro, o que me leva a questionar que esse prazer não sensorial pode não ser para todos?
Felizmente consegui ir moldando minha vida, para contribuir com essa minha paixão, pois atualmente como trabalho home office, consigo ter uma boa quantidade de tempo livre no meu dia para dedicar a os mais variados temas.

Você conhece as filosofias do Jiddu Krishnamurti Soul? Algumas delas vão muito de encontro com esse prazer não sensorial do conhecimento. Ele fala de um tipo de conhecimento mais profundo, que vai além do conhecimento técnico.

Deixarei um link para uma entrevista que ele fala sobre esse conhecimento:
youtube.com/watch?v=jWxmOasN4vQ

Abração

Olá Investidor Insano!
Sim, já tinha visto um vídeo dele (ele possui algumas passagens no documentário Zeitgeist Addendum). Entretanto, conheço pouco. Obrigado pela sugestão de vídeo, verei hoje ainda.

Essa é uma pergunta interessante, se a busca do conhecimento realmente é algo para todos? Realmente, não sei. Porém, eu acho difícil, se as pessoas estiverem num ambiente propício, as pessoas não sentirem um tremendo bem-estar com o senso de realização de algo ou entendimento sobre algo. Porém, numa sociedade onde isso é pouco reconhecido ou valorizado, talvez seja mais difícil mesmo.

Bacana, Investidor Insano, qual é o seu trabalho para poder trabalhar H.Office (se você quiser responder, é claro)?

Abraço!

Olá Soul,

Em suma, a riqueza nos dá liberdade para fazermos aquilo que gostamos de fazer. E essa é a ambição de todos: Liberdade.

É claro que a finalidade do dinheiro é uma questão subjetiva, com exceção talvez da sobrevivência. Arrisco dizer que uma minoria sente um desejo de ajudar o próximo devido a um sentimento altruístico – não digo como crítica, e sim como uma constatação.

Ao contrário, creio que a riqueza amplifica os desejos egoístas da maioria das pessoas, à medida que concede meios para sua realização. Novamente, não tenho nenhuma crítica ao egoísmo, visto que é parte importante de nossa construção psicológica.

Olá Tarilonte!

Claro, por isso fiz questão de deixar claro no texto que, como bem lembrado por você, tirando a sobrevivência, muito era dos ensinamentos do meu pai, e de como eu vejo o mundo atualmente. Apesar desse subjetivismo, como eu também tentei mostrar no texto, eu creio que há conceitos que podem se aplicar a todos os seres humanos.

Claro, exatamente! O egoísmo, individualismo, em si não é mau, pelo contrário. O problema é quando ele atrofia outros sentimentos/posturas também importantes para uma vida individual e coletiva saudável.

Grato pela boa participação!

Abraço!

Apenas complementando, sim, você tem razão sobre o acúmulo de riqueza, gerar um sentimento ainda maior de necessidade de mais riqueza, o que não faz muito sentido do ponto de vista utilitário. Entretanto, creio que esse comportamento de uma parte considerável das pessoas está muito relacionado como a sociedade hoje em dia vê o papel do dinheiro, do trabalho, do conhecimento e do afeto. Não entendo que seja algo perene ou necessariamente ínsito ao ser humano, creio que é apenas uma construção social humana.

Abraço!

Bacana o post Soul. E como a filosofia faz falta à grade brasileira de educação, não? As atuais crises de ética, corrupção, tolerancia do povo aos desmandos e o abominável jeitinho brasileiro poderiam ser todos minimizados caso tivéssemos esse estímulo ao pensamento difundido pelas escolas. Gostei muito do texto, e estou certo que o mesmo serve para nós todos, uma vez que sempre estamos desviando o pensamento para a utilidade do dinheiro.

Olá Guardião!
Eu creio que um problema pouco discutido no Brasil é a incapacidade cada vez maior de haver discussão de ideias nesse país.
Há quanto tempo não se tem uma discussão sobre algum tema na política? Talvez o estatuto do desarmamento e o plebiscito há mais de 6 anos?
Além da falta de discussão e aprofundamento, os diálogos estão cada vez mais rasos e radicalizados. Não se constrói uma sociedade plural assim, muito menos uma sociedade forte.
Obrigado pelas palavras e pela visita!

Abraço!

Olá Soulsurfer

O meu foco para a indicação de leitura é nessa área de investimentos. Gostaria de tentar entender melhor coisas como P/L, P/VP, TIR, Equity Premium, alocação. Infelizmente, tem que ser em português.

Obrigada,

Paris 2022

Olá Paris (pelo “obrigada” presumo que você é uma senhora ou senhorita ou estou enganado?),
Meu próximo post então será sobre indicações de leitura. Indicarei livros em inglês, mas também livros em português.

Abraço!

Muito legal o post Soul!! Creio que faz todos os leitores refletirem a respeito. Ainda mais dentro da blogosfera de finanças, onde posts com essa proposta de reflexão não são tão comuns (não é uma crítica a ninguém, apenas uma constatação).
Outra coisa que tem me impressionado no seu blog, é que praticamente não existem haters nos comentários. A qualidade do seu blog é tão indiscutível que acho que repele os mesmos. A maneira super ponderada e bem pensada de como expõe suas idéias creio que também contribui.
Finalmente completei minha mudança para a Bahia. Consegui alugar um bom apartamento como planejava (só não consegui exatamente de frente p o mar, mas estou há menos de 70 metros do mesmo). Quando quiseres visitar meu amigo, está a disposição.
Grande abraço
Green Future

Valeu amigo!
Beleza, 70 metros do mar, aí sim hein! Vamos fazer um bobó de polvo, com uma caipirinha (lembrança boa de morro São Paulo, você que está na Bahia não deixe conhecer), depois de um dia de surf. Isso é vida hein!

Muito bacana mesmo, a esmagadora maioria dos comentários são bem bacanas, e alguns já me fizeram refletir sobre questões específicas. Eu acredito muito nisso, Green, se nós nos esmeramos em ser cordiais, as pessoas tentarão fazer o mesmo. Por isso, eu fico muito triste quando vejo pais falando uma miríade de palavrões ou sendo agressivos na frente dos seus filhos, e depois não consegue entender porque o filho adolescente não respeita nada nem ninguém.

Enfim, valeu pelas palavras!

Vamos nos falando, e vai contando a sua experiência de mudança de vida e de cenário!

Abraço!

Olá Soul!

Bem lembrado, o Krishnamurti aparece durante o Zetigeist.

Eu sou desenvolvedor de aplicações para android e web. Considero a minha área, uma das mais flexíveis para se trabalhar, entretanto alguns que não consegue fugir do paradigma do bater cartão, discordam :p.

Teria um email para contato soul?

Olá, eu tenho apenas o meu e-mail pessoal, ainda não fiz um e-mail só para o blog.
Você tem alguma forma de contato, posso mandar e-mail para você daí.

Abraço!

Sim Soulsurfer, sou uma senhora, mãe de um pimpolho de 03 anos. Fico feliz por ter inspirado, pela segunda vez, um tema para um novo post.

Abraço!

muito bom texto, Soul. Até conversei com minha irmã sobre esse assunto. Já estou instruindo-a para não se endividar quando começar a trabalhar 😉

Olá Maria Bufunfa!
Obrigado, colega. Com certeza, principalmente se ela for mais nova, quanto mais novo começar na boa rotina de controlar gastos e economizar, mais fácil é o processo e muito maior é o resultado final.

Abraço!

Minha opinião:

Dinheiro, no mundo em que vivemos, é tudo. Com dinheiro você é respeitado, admirado, invejado, temido e consegue tudo o que o mesmo pode comprar.

Dinheiro traz felicidade SIM! Quem diz que não é um belo de um hipócrita. E para os que dizem que podemos morrer amanhã e que não levamos nada dessa vida, eu digo que prefiro morrer rico do que pobre.

Abraços!

Olá IL!
Se a sua vontade é ser temido, admirado, respeitado, e invejado (dessas eu não tenho nenhuma vontade, talvez respeitado pelos meus atos), você tem razão. Digo apenas bem-vindo ao manicômio do mundo moderno:)

A temática não foi dinheiro x felicidade, e realmente, na linha da citação do Keynes no texto, o dinheiro pode trazer “felicidade” seja lá o que possamos entender por isso, se usado da maneira correta, porque eu tendo a acreditar se for utilizado de uma maneira obsessiva para mim se assemelha a uma doença, como bem retratado também pela citação supracitada.

Por fim, valeu pela contribuição, e sim nós não levamos nada dessa vida, e é incrível pensar que os faraós quando morriam chegavam a ser enterrados com centenas de servos vivos, pois eles o serviriam no “além-vida”. Caramba, se pararmos e refletirmos sobre todas as loucuras que os humanos já fizeram uns aos outros por causa de poder e cobiça, imagina ser enterrado vivo, uma pessoa que talvez tinha uma família, uma história, para servir alguém poderoso (que não era mais, pois deixou de existir) numa hipotética vida no além.

Abraço!

“Infelizmente, dezenas de milhares de crianças morrem diariamente por ausência ou insuficiência de acesso a tratamentos mínimo de saúde, de saneamento e muitas vezes simplesmente por fome.

Isso significa milhões de crianças por ano. Esse é um dado que deveria ser passado antes de todos os programas de televisão, e apenas terminar quando diminuíssemos drasticamente esses números absurdos.”

Andei pensando sobre isso logo no início na pandemia. Este ano eu estive uns dias em Nairóbi, no Quênia, fazendo trabalho voluntário com crianças e conheci uma realidade bem caótica que me levou a refletir sobre a insensibilidade com que tratam estes números (ou na omissão deles).

Raciocinando que o ser humano possui o gene egoísta, segundo Richard Dawkins (e eu concordo), concluí que o pensamento é o seguinte: “Se o problema é longe de mim (na África), não nos preocupemos”.
Bastou um evento causar mortes de dezenas de milhares de europeus para a Europa pensar em cuidar destas vidas. Mas, ano a ano, centenas de milhares de crianças morrem de fome e não se nota a mesma preocupação.

Centenas de milhares de mortes de crianças ocorrem na África por condições sanitárias e para solucionar (ou minimizar, ao menos) este problema não é necessário ir atrás de uma vacina milagrosa.

(vou continuar lendo o texto)

Olá, Marcos (o da doação de sangue) 🙂
Esteve no Quênia? E o que achou? Algum dia quero conhecer mais países africanos, pois só conheci dois deles.
Então, o gene egoísta, na percepção de Dawkins, apenas significa que o processo evolutivo leva a unidade de evolução, ou seja o gene, a ser mais ou menos bem sucedido dependendo da sua habilidade de fazer a máquina de sobrevivência (o organismo) transmitir o gene para a prole, e quanto mais numerosa melhor para o gene. O egoísta não quer dizer necessariamente a qualidade que atribuímos a essa palavra com conotação negativa. Se um determinado traço genético for para que o organismo realize algum alto altruísta, e isso ser uma vantagem para a propagação do do gene, essa característica fenotípica irá prosperar. Nesse aspecto o gene seria indiferente ao egoísmo ou altruísmo.
Isso é normal, nós seres humanos, até por uma questão de evolução, tendemos a nos preocupar com o que ocorre com semelhantes e pessoas próximas a nós.
Mas, concordo contigo, soluções simples poderiam ajudar dezenas de milhões de crianças pelo mundo, a começar pelo Brasil que ainda tem uma cobertura sanitária muito precária.
Um abraço!

Sim, absolutamente perfeito o seu apontamento sobre o Richard Dawkins. Mas a minha intenção foi destacar o adjetivo negativo mesmo.

Sobre sua pergunta: veja meu caro, eu não sei como responder a essa pergunta até hoje.
É que eu poderia responder de duas formas:
1ª: “A experiência foi maravilhosa” (em razão das pessoas que conheci, especialmente as crianças).
2ª: “A experiência foi terrível” (em razão da realidade que eu conheci).

Na minha mente ainda há imagens traumáticas que eu gostaria de esquecer, sinceramente. Busque por imagens no Google digitando “kibera”.
Pois é. Eu estive ali.
Para você, talvez apenas um foto. Mas para mim, essa foto tem “cheiro”. E não é bom, eu lhe garanto.

Nesses últimos tempos, em razão da pandemia, tenho pensado com certa frequência naqueles irmãos.
No início da pandemia eu “desejava” que aquelas pessoas nunca soubessem o que estava acontecendo no mundo. E eu até pensei que elas fossem saber tardiamente sobre esse assunto (eu digo isso porque as pessoas não possuem energia elétrica, tampouco TV para se informarem, por exemplo). Mas elas ficaram sabendo rapidamente.

Eu não queria deixar o comentário triste, desculpe.
Mas hoje estou especialmente tocado porque uma das senhoras (Yuni, seu home; um anjo, na verdade!) que conheci lá em Kibera me mandou mensagem hoje perguntando como eu estou e como vão as coisas aqui no Brasil.
Depois de minha resposta, eu transcrevo as mensagens que ela me enviou:
1ª – 12h33min: “I’m fine and things are not good at all because the president extended the lockdown and we are starving in our homes imagine”.
2ª – 12h35min: “There’s no work here we just stay in our houses without food , the situation is worse”.

É, meu caro (suspiro).
Vá sim!! Visite lá! Você não é um cara que alguém precisa dizer “saia da zona de conforto”. Você já conheceu boa parte do mundo e em severas situações.
Você tem muita riqueza a compartilhar. Eu não digo apenas financeira, mas também intelectual, conhecimento, afeto.
Quando sua filha estiver “grandinha” o suficiente e você achar que está na hora dela “sair da zona de conforto”, faça uma visita com ela naquele continente. (sugestão de coração mesmo; quando eu estava lá pensei que, tendo um filho, levaria-o lá não para “experimentar” essa situação, mas para ajudar também. Ajudar SORRINDO eu digo. Onde eu estive eu ajudava “sendo o estranho”, sendo o “muzungo” (pessoa de pele branca).

Eu vou parar por aqui! rs… eu gostaria de escrever mais sobre alguns sentimentos em relação àquele País, mas já desabafei o suficiente.

Mas resumindo: foi a melhor coisa que fiz na vida!

Abração e boa semana!!

Olá, Marcos.
Obrigado pelo relato. Não conhecia “Kibera”, coloquei na wikipedia e apareceu que é uma das maiores favelas da África.
Imagino que você deva ter tido uma experiência forte em todos os sentidos.
Uma coisa boa é que a situação da África é muito melhor do que se previa há dois meses. Tem países que possuem quase nenhuma UTI, e se temia uma grande tragédia, mais uma, nesse continente tão sofrível.
Se foi a população jovem, se foram os governos que estão acostumados com pandemias e souberam bem manejar, não se sabe, mas até agora os números da África parecem bem baixos.
Com certeza viajarei, se o destino assim deixar, acompanhado da minha filha para várias destinações. Uma que faço questão de levar quando ela tiver uns 7-8 anos é a Mongólia, ficar algumas semanas por lá.
Obrigado mais uma vez pelo comentário.
Um abs!

“Em minha sincera opinião, independente de qualquer ideologia ou formulação econômica, creio que esse fato deveria estar na primeira página de todos os jornais do mundo, e não sair de lá até que esses números caíssem absurdamente.”
Soul, países pobres são aqueles que todas as leis econômicas básicas são desrespeitadas.
Onde não há respeito a propriedade, nem a livre iniciativa.
Como estampar isso nos jornais do mundo mudaria a mentalidade de governantes e da população nesses países.
Veja o exemplo da Venezuela. Um país que tem uma grande riqueza natural. Mas por escolhas políticas e econômicas erradas empobrece a cada ano. Jornais do mundo todo mostram diariamente o caos venezuelano e nem por isso há mudanças.
Veja o exemplo que vc citou da China. Um país até 3 décadas era miserável. Um mínimo de abertura econômica, respeito aos contratos, a propriedade e tirou milhões da pobreza.
Pra que a pobreza e a miséria sejam abolidas a lógica econômica precisa prevalecer sobre o populismo e a ideias que já se mostraram fracassadas.

Podem fazer experimentos humanos, brincar com sorte de milhões de pessoas ou podemos adotar o que funciona: economia de mercado, livre comércio, respeito aos contratos, ao direito de propriedade e à livre iniciativa.
Assim teremos um mundo mais rico onde o mais pobre tenha um bom padrão de vida.

Bom o post!

Olá, Dedé.
É verdade. Liberdade econômica é fundamental para a prosperidade de uma nação, sem dúvidas.
Aliás, a liberdade em si é um dos elementos para se ter uma boa vida. Não acredito que seja o único, mas com certeza é de uma importância ímpar.
Obrigado pelo comentário!

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