Insulina e Glicose : Tudo (quase) que você Deveria Saber

Insulina e Glicose

Nesse artigo são tratados os diversos aspectos do nosso metabolismo energético mais básico. O que é insulina e por qual motivo ela é importante para termos uma boa saúde, e sua relação com a glicose são os tópicos a ser explorados.

 

Um Leigo Fazendo Incursões Sobre Saúde. Por quê?

 

O motivo simples é porque a saúde é o nosso bem mais precioso. Uma vez perguntei num artigo se alguém trocaria de lugar com o famoso investidor W.Buffett e os seus bilhões, todos disseram não.  Tempo com saúde é o que nós temos de mais precioso, e dinheiro nenhum do mundo pode trazer de volta o tempo e a saúde perdida.

Logo, se a saúde é tão importante, por qual motivo eu me manteria ignorante sobre aspectos básicos do funcionamento do meu corpo?

Não faz nenhum sentido saber o que acontece com os mercados acionários americanos, mas não saber o que a insulina faz no nosso corpo.

Eu não sabia o que a insulina fazia há até alguns anos, mas tinha pleno conhecimento se o FED havia aumentando ou não a taxa de juros primária dos EUA.

Vendo em retrospecto, isso é cegueira, e non sense completo, já que meu bem-estar, e felicidade, dependem muito mais do conhecimento sobre insulina, ao menos básico, do que sobre sutilezas da política monetária americana.

Ao longo dessa minha jornada inicial, descobri que há muitos mitos, que o estado de saúde geral da população é deplorável, e que é possível sim não ser apenas saudável, mas otimizar a sua saúde, para que com isso se possa produzir mais, surfar melhor, ser um melhor pai ou amigo, em suma viver uma vida com uma qualidade muito maior do que se possa imaginar.

Logo, percebi como é importante o auto-conhecimento e não terceirizar por completo o cuidado com o próprio corpo para profissionais de saúde.

É incrível como as pessoas seguem cegamente o que os seus médicos dizem, muito deles com conselhos questionáveis sobre dieta, nutrição e qualidade de vida. É preciso tomar as rédeas da sua saúde.

Por fim, há algo interessante de um leigo adentrando um campo do conhecimento para passar informações para outros leigos.

Em nenhum momento dou ou quero dar a entender que sou um expert em qualquer assunto aqui discutido. Não, eu não sou e nem tenho pretensão de sê-lo.

Também em nenhum momento quero que você prezado leitor confie no que escrevi, pesquise por si só, eu espero ser apenas uma semente para que você vá atrás do conhecimento que possa melhorar a sua vida.

Tendo colocado esses alertas, creio que textos leigos produzidos por leigos que se esforçam em compreender algo e transmitir esse conhecimento ressoam muito mais fortemente com o público em geral do que textos técnicos escritos por especialistas.

Esse insight me veio ao ouvir uma entrevista do Michael Pollan sobre o seu novo livro que trata de psicodélicos, e como, na visão dele que é um escritor mundialmente conhecido, o público se conecta com esse tipo de escrita de forma muito mais fácil (ele é um jornalista, e não é um cientista versado em neurologia, por exemplo).

 

Energia. A Glicose e o seu Metabolismo. A Importância da Insulina

 

Nosso corpo precisa de energia para funcionar. A forma mais eficiente para que as células funcionem é usando um tipo de molécula chamada glicose.

Na verdade, não teria confiança em dizer que é a forma mais eficiente. Muitos estudiosos talvez objetariam e possam dizer que corpos cetônicos são formas mais eficientes do nosso corpo extrair energia.

Se não se pode afirmar peremptoriamente que a forma mais eficiente de uso é via glicose, com certeza ela é a via preferida pelo nosso organismo.

Carboidratos  são  a fonte principal de glicose , e em última análise de energia para nosso corpo funcionar propriamente.

Sem energia, o nosso coração não pode funcionar, nosso cérebro que é uma máquina de consumo de energia, pesando 2% do peso corporal, mas consumindo 20% da energia necessária, pararia, e nós basicamente morremos.

Os carboidratos de nossa dieta (açúcares e amido) são digeridos no estômago e transformados em glicose, sendo liberados pelo intestino na corrente sanguínea.

O amido que comemos na batata ou no arroz, por exemplo, são polímeros de glicose, ou seja, muitas moléculas de glicose aglutinadas. O nosso corpo então quebra essas ligações, liberando as moléculas de glicose, essas sim utilizadas para a liberação de energia.

Quando a glicose está em nossa corrente sanguínea, uma coisa interessante acontece.

Glicose em excesso é danoso a vários órgãos do nosso organismo, por diversos mecanismos. Glicose em níveis muito baixos também é bastante perigoso, podendo levar ao coma e morte.

Logo, a homeostase (ou seja equilíbrio) da quantidade de glicose em nosso sangue, é um aspecto fundamental de nossa biologia.

Esse equilíbrio, em pessoas saudáveis, é alcançado por um complexo mecanismo que envolve receptores de Glicose chamados Glut e hormônios.

Um dos principais, talvez o mais importante, hormônio que atua nessa regulação é a insulina.

Mas o que a insulina faz? Esse hormônio tem diversas funções em nosso corpo, uma delas é ativar receptores de glicose (especialmente Glut-4) para que a glicose possa passar do plasma para o interior da célula.

Como funciona é extremamente complexo, mas basicamente a insulina
se liga a receptores de insulina na  membrana celular, agindo como uma chave numa fechadura, e por meio de um efeito cascata que envolve dezenas de proteínas, faz a translocação do receptor GLUT para a membrana da célula para que a assim a glicose possa entrar na célula por meio desse receptor.

Mecanismo ação glicose e insulina
Uma representação do processo: 1) insulina se liga ao receptor na membrana; 2) Ocasionando uma cascata de acontecimento (os dois pathways descritos); 3) num desses caminho o transportador GLUT-4 é translocado do interior da célula para a membrana; 4) a molécula de glicose pode entrar na célula pelo GLUT-4

 

Mais Sobre a Insulina

 

O hormônio insulina é produzido no pâncreas, mais exatamente pelas células betas localizadas nas Ilhotas de Langerhans. Essas células são extremamente sensíveis à presença de glicose no sangue.

Geralmente há um “screening” de nosso corpo a cada segundo por essas células para saber se precisam aumentar  a liberação de insulina, ou se precisam diminuir a liberação de insulina.

Se alguém come uma refeição muito alta em carboidratos ou em menor grau em proteínas, esse macronutriente que é transformado em glicose pelo processo digestivo irá desencadear uma resposta quase imediata das células beta, elevando a quantidade de insulina em circulação, especialmente se forem carboidratos pobres em fibras e muito refinados, com carga glicêmica muito alta.

Esse é um dos motivos, além de ser um pré-biótico (ou seja comida para as bactérias presentes em nós), de porque o consumo de fibra é estimulado: ela desacelera a entrada de glicose no organismo.

A insulina além de permitir que a glicose possa ser usada pelas células para a produção de energia, também tem outro papel fundamental: construir reservas de energia.

A Insulina Como “Construtor” de estruturas

Diz-se que a insulina é um hormônio anabólico, já que ela permite a
construção de novas estruturas.

a) Glicogênio

 

Se depois de uma refeição, o corpo não necessitar naquele momento toda a quantidade de glicose ingerida, a insulina irá transformar a glicose em glicogênio a ser armazenado no fígado e nos músculos.

O glicogênio é a forma mais rápida e eficiente de uso de energia armazenada.

Nosso corpo, porém, possui uma capacidade pequena de armazenamento de glicogênio. É claro que isso varia de indivíduo para indivíduo, mas a grosso modo, o fígado pode armazenar algo em torno de 100 gramas de glicogênio e  os músculos algo em torno de 400 gramas.

Uma grama de glicose é igual a quatro calorias, logo nosso corpo possui a capacidade de armazenamento de aproximadamente 2000 calorias de energia  na forma de glicogênio.

Um jejum de 24 horas pode ser mantido apenas com os estoques de glicogênio do corpo.  É por isso que atletas, ou mesmo nós esportistas amadores, fazem uso de todo o glicogênio acumulado durante intensas
atividades físicas.

Não há muita  energia acumulada pelo nosso corpo para uso rápido na forma de glicose acumulada.

Porém, não se iludam, o glicogênio só acaba depois de uma atividade realmente intensa, não faz sentido tomar carboidratos durante o treino, se o seu treino muscular será uma corrida de 30 minutos e levantar pesos com 60-70% da sua máxima repetição em poucas séries.

b) De Novo Lipogenesis

 

E o que acontece quando os estoques de glicogênio no fígado e no músculo estão cheios?

Quando isso ocorre, algo fantástico acontece. A insulina então transforma a glicose em excesso em gordura, mais especificamente em triglicerídeos, por meio de um processo chamado De Novo Lipogenesis.

É fundamental entender esse processo, não em sua complexidade, mas na ideia fundamental de que  carboidratos em excesso irão gerar gordura acumulada.

Mecanismo de ação Insulina
Sim, a coisa pode ser bem complexa se os detalhes forem adicionados, ou se estivermos num paper científico. Não se precisa desse grau de detalhamento para saber que a glicose em excesso será transformada em gordura especialmente na forma de Triglicerídeo pelo processo conhecido como De Novo Lipogenesis

 

Como os estoques de glicogênio são limitados, numa perspectiva evolutiva onde o acesso a comida era na maioria das vezes escasso e precário, faz todo o sentido que haja outra forma de armazenar energia de forma mais duradoura.

Essa forma é a gordura.  A insulina transforma o excesso de glicose na
dieta em gordura.  Essa gordura, por meio de um processo reverso chamado lipólise, pode ser utilizado pelo organismo em momentos de falta de glicose.

c) Gluconeogênese

 

A gordura em nosso organismo é armazenada principalmente na forma de Triglicerídeos. Por meio da lipólise, esses triglicerídeos são quebrados em estruturas menores (ácido graxo e glicerol).

Essas estruturas são utilizadas, então, como combustível para o nosso
organismo num processo chamado de beta-oxidação. O ácido graxo é oxidado (“queimado”) pelo nosso organismo de forma direta.

Já o glicerol é utilizado para a produção de glicose.  Sim, nosso corpo é tão extraordinário, que nosso fígado consegue transformar o glicerol em glicose.

Esse mecanismo  é imprescindível, pois nosso cérebro não consegue funcionar apenas com corpos cetônicos ou gorduras para oxidação, ele necessita que suas necessidades energéticas, ao menos parcialmente, sejam supridas com glicose.

 

d) A Quantidade Absurda de Energia Acumulada que Possuímos

 

Imaginem, prezados leitores, alguém que  tenha o peso de 100 quilos. Vamos supor que essa pessoa tenha um percentual de gordura de 25% (nada muito distante talvez de boa parte dos leitores).

Vamos supor também que um percentual ótimo de gordura seja 10%.

Sendo assim, essa pessoa teria um excesso de energia acumulada na forma de gordura na faixa de 15 quilos. Como cada grama de gordura equivale a nove calorias, essa pessoa teria 135 mil calorias estocadas na forma de gordura.

Comparem essas 135 mil calorias acumuladas em forma de estoque com as 2000 calorias na forma de glicogênio.

O nosso exemplo médio possui nada mais nada menos do que 67 vezes mais energia acumulada na forma de gordura disponível (sem que haja degradação da gordura a tal ponto que comprometa o funcionamento do organismo) do que de glicogênio.

É por isso que jejuns de mais de 30 dias são possíveis. Nosso corpo possui um estoque absurdamente alto de energia acumulada, especialmente em pessoas acima do peso.

Esse é o motivo de alguém como eu, com talvez 9-10% de percentual de gordura, não seja prudente fazer jejuns tão longos de tempo, sob pena de catabolizar (destruir) minha massa magra.

O  jejum mais longo registrado  foi de um sujeito obeso na década de 70, onde o mesmo ficou 382 dias em jejum.

Sim, você não leu errado, o homem ficou mais de um ano sem comer.

Ele ingeria apenas uma solução que continha vitaminas e minerais essenciais para o funcionamento do organismo.

e) A Insulina como Hormônio Anti-Catabólico

 

É importante destacar que a insulina é um hormônio anti-catabólico, ou seja,  ela impede a degradação de estruturas. Logo na presença de insulina na corrente sanguínea de forma elevada, o processo de lipólise  (quebra de gordura) não ocorre, não ao menos de forma ampla, não sendo possível o corpo acessar o estoque de energia acumulado na forma de gordura.

E sim, há uma dificuldade enorme de perda de peso quando há excesso de insulina no corpo.

A insulina é um hormônio de central importância para o funcionamento do nosso organismo.

Portanto, não é difícil concluir que problemas no seu funcionamento levam a problemas sérios para o funcionamento ideal do nosso corpo.

 

O Problema da Diabetes e o Metabolismo da Glicose

 

1) Diabetes tipo I

 

Excesso de glicose no nosso organismo é tóxico para o corpo. Na bem da verdade, o excesso de qualquer coisa é tóxico. Consuma água demais e isso pode levar o organismo ao colapso e a morte. Portanto, dizer que algo em excesso é tóxico não ajuda muita coisa.

Entretanto, há substâncias que podem variar enormemente no nosso organismo sem causar grandes danos, outras substâncias, porém, tem um “range’ de variação muito menor.

A glicose possui uma faixa de concentração sérica (isso é no plasma) onde ela pode variar sem grandes problemas, mas ela não é tão extensa assim.

Como a glicose pode se acumular no organismo? Basicamente, por três motivos. O organismo pode não fabricar insulina por algum problema nas células beta do pâncreas.

Isso geralmente ocorre na infância, e leva a uma doença chamada Diabetes tipo I. Nessa doença, como o corpo não produz insulina, ou produz em níveis extremamente baixos, a glicose assim possui dificuldade em entrar em certos órgão do corpo.

Assim, mesmo que haja a presença de glicose abundante na corrente sanguínea, essa glicose não consegue entrar na célula para ser transformada em energia.

A pessoa literalmente definha por falta de energia, mesmo que haja um monte de energia potencial em sua corrente sanguínea.

 

Diabetes tipo 1
Na diabetes tipo 1, não há insulina para facilitar a entrada de glicose nas células

 

A Diabetes tipo 1 leva a morte se não tratada. Com a descoberta da insulina na década de 30, o tratamento padrão para essa terrível doença é à base de insulina.

Se você conhece alguém com essa doença, geralmente jovens, provavelmente tem conhecimento que a pessoa deve injetar insulina
constantemente no próprio organismo.

 

2) A Resistência à Insulina

 

O que é ser insensível a algo? Basicamente, é perder a capacidade de ser afetado por este algo.

Se alguém é insensível ao sofrimento humano, muito provavelmente ver alguém tomando um soco na cara não cause nenhuma mudança emocional.

Por outro lado, alguém extremamente sensível ao sofrimento humano, pode ficar genuinamente afetado ao ver a mesma cena de alguém sendo esmurrado na face.

O mesmo raciocínio se aplica a vícios. Um viciado em alguma droga basicamente aos poucos vai perdendo a sensibilidade à substância, quando isso ocorre, doses cada vez maiores são necessárias para a obtenção da sensação desejada.

Nós da comunidade financeira, e aqui é uma reflexão pessoal, podemos ser mais ou menos sensíveis a bens materiais. Quanto mais bens se têm mais “insensível” a eles nossa sensação de bem-estar vai se tornando.

Se há 10 anos, um Fiat Uno usado pudesse trazer uma sensação de prazer enorme pela facilidade que o primeiro automóvel  proporciona a vida, essa mesma pessoa, depois de prosperar financeiramente, talvez dê de ombros após alguns dias de comprar um  carrão de 150 mil reais.

No que tange à satisfação pessoal, eu acho que uma das posturas mais poderosas é permanecer sensível às sensações de bem-estar que os bens materiais podem trazer, fazendo com que poucos e simples bens
tragam satisfação.  A vida fica mais fácil, tranquila e barata assim.

Passou um final de semana num hotel de luxo cinco estrelas e gostou bastante? Ótimo, muito bom.  Teve um final de semana numa barraca em alguma praia deserta e gostou bastante? Perfeito, você consegue transitar por vários estados de conforto de forma tranquila.

Fechado o parênteses sobre bem-estar e dinheiro (alguém imaginaria ler isso num artigo sobre insulina?), a insensibilidade, ou sensibilidade, ao hormônio insulina é algo que pode ocorrer em cada pessoa.

Quando uma pessoa é insensível à insulina, isso significa que os receptores de insulina na célula necessitam cada vez mais e mais insulina para que aqueles sejam ativados.

Uma pessoa sensível à insulina possui receptores que precisam de muito menos insulina para que haja um correto funcionamento e metabolismo da glicose.

Uma pessoa pode necessitar duas vezes mais insulina para que o seu organismo metabolize 50 gramas de glicose do que outro indivíduo, por exemplo.

 

3) Diabetes tipo II

 

E qual é o problema com a insensibilidade à insulina?

Com o passar do tempo, para que o organismo equilibre a quantidade de glicose em nosso organismo, mais e mais quantidade de insulina é requerida, pois o processo de insensibilidade, assim como em relação a drogas, é algo que tende a ir aumentando com o tempo e com uma exposição mais prolongada a substância, no caso em análise a insulina.

Pode chegar a um momento onde mesmo com uma quantidade enorme de insulina os receptores de insulina nas células não consigam funcionar.

Pode acontecer também que as células betas do pâncreas cheguem à exaustão, pois foram forçadas por períodos longos de tempo a secretar uma quantidade enorme, anormal se comprada a um  organismo saudável, na capacidade de produzir insulina em quantidades suficientes.

Nesses dois casos, estamos diante de uma doença que é uma verdadeira epidemia mundial chamada DIABETES TIPO 2.

Toda essa explicação, que fará muito mais sentido quando se falar dos exames laboratoriais, é para chamar atenção que a Diabetes tipo 2 é uma doença intimamente ligada ao funcionamento da insulina.

A manifestação mais clara da diabetes é o acúmulo de glicose no sangue pelo mau funcionamento da insulina.  E por que isso é importante?

A Diabetes tipo 2 hoje em dia já está entre as maiores causas de mortes no mundo. Ou seja, uma quantidade enorme de pessoas morre por complicações diretamente associadas a um metabolismo inapropriado da glicose e todos os males que isso ocasiona ao corpo.

Em segundo lugar, e talvez mais importante, a diabetes está associada estatisticamente com uma série enorme de doenças, especialmente doenças cardíacas. As doenças do coração são em todo mundo a causa número um de mortes.

Quer aumentar significativamente o seu risco de problemas cardíacos? Seja diabético.

A diabetes também é associada com doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. Esta talvez seja uma das doenças mais cruéis, pois parece que vai apagando traços de quem nós somos, da nossa própria humanidade.

Há cientistas inclusive que chamam o Alzheimer de Diabetes tipo 3.

A diabetes tipo 2 é uma doença muito séria e que está causando um impacto muito grande no bem-estar geral da humanidade, bem como nas próprias finanças.

Há estudiosos que dizem se a epidemia de diabetes tipo 2 não for controlada nos EUA, isso colocará em risco a solvência do país e a sua própria segurança nacional, já que de gastos com a doença de U$ 65 bilhões de 1996 são previstos para chegar a a U$ 500 bilhões em 2030.

Isso é um problema enorme. O Brasil, em termos de diabetes, não está
ficando tão atrás de nossos amigos americanos do norte.

 

Como detectar diabetes ou problemas no metabolismo

 

Há algumas formas para se detectar se uma pessoa é diabética, ou possui problemas relacionados ao seu metabolismo no tocante a oxidação da glicose.

Há os testes laboratoriais que medem os níveis de glicose no sangue. São os reconhecidos e quase sempre aqueles únicos pedidos pelos médicos.

Entretanto, há a forma mais precoce de detecção que é por meio de um ensaio de Kraft que envolve a medição da resposta da insulina a um desafio de glicose. Esse, infelizmente, é pouco conhecido e utilizado na prática médica em geral.

 

 A) Testes Relacionados à Glicose

 

Há  três formas de se detectar se um indivíduo é diabético pela glicose no sangue.

1) Glicemia de Jejum

O mais fácil é fazer um teste para medir a quantidade de glicose na corrente sanguínea. Esse teste é feito geralmente de manhã e em jejum.

Os padrões internacionais de referência são esses:

Normal: inferior a 99 mg/dl;
Pré-diabetes: entre 100 e 125 mg/dl;
Diabetes: superior a 126 mg/dl em dois dias diferentes.

Portanto, se ao fazer um exame de glicemia em jejum, o laboratório constatar que a pessoa tem menos de 99 miligramas de glicose por decilitro de sangue, ela será considerada saudável, com um metabolismo normal de glicose.

Esse nível, porém, em minha opinião está longe de ser bom ou otimizado. O indicado são níveis de glicemia na faixa dos 80 ou metade superior dos 70.

A esmagadora maioria dos médicos só pede esse exame, e ficam satisfeitos com o paciente se a medida for inferior a 99.

Isso é um erro grosseiro e pode ter conseqüências nefastas, falarei sobre isso em instantes.

Se a pessoa tiver uma quantidade superior a 126mg/dl ela é considerada diabética.

Valores entre 100-125 são considerados de pessoas pré-diabéticas. O que é pré-diabetes? É uma condição onde toda a toxicidade do acúmulo de glicose no sangue não se manifesta, mas o corpo começa a demonstrar que há algo profundamente errado acontecendo.

Geralmente, o número de pré-diabéticos em relação a diabéticos é de 3 para 1. Isso quer dizer que no Brasil onde aproximadamente 8% das pessoas são diabéticas, 24% são diabéticas ou pré-diabéticas.

Estima-se que nos EUA em 2030 mais de 50% das pessoas sejam diabéticas ou pré-diabéticas. É uma tragédia anunciada que faz os perigos do terrorismo empalidecerem.

É preciso destacar, prezados leitores, que o número 126 é apenas uma linha de corte. Alguém com uma medição de glicose de 124 mg/dl talvez já seja diabética, e não é muito diferente de uma pessoa com medição de 129 mg/dl.

Além do mais, esse número é apenas uma medição no tempo, o nível de glicose no instante em que o sangue foi coletado. Esse exame não diz nada sobre os efeitos da comida na glicemia da pessoa, algo muito importante de se saber.

2) A Média de Glicose – Hemoglobina Glicada – HbA1C

 

O outro exame é a Hemoglobina Glicada, ou Hemoglobina glicosada (HbA1c). A hemoglobina é uma proteína presente em nosso sangue que tem como função principal o transporte de oxigênio pelo nosso corpo.

As moléculas de glicose podem se unir de forma permanente à hemoglobina, fazendo com que as hemoglobinas sejam glicadas, ou seja,  há a criação de uma nova substância pela união da hemoglobina com a glicose.

Como as hemoglobinas têm uma vida útil em nosso organismo em torno de 90 a 120 dias, ao se medir as hemoglobinas glicosadas, se pode ter uma média muito razoável do nível de glicemia em nosso organismo nos últimos 90-120 dias.

Ou seja, é um exame que mostra a exposição do nosso corpo a glicose por um período bem longo de tempo, ao contrário do exame de glicemia em jejum, que mede a concentração de glicose em apenas um momento.

Os valores de referência desse exame são:

Entre 4,5% e 5,6%: hemoglobina glicada está dentro do normal, sem alteração e indica a ausência de diabetes;
Entre 5,7% e 6,4%: este valor indica um quadro de pré-diabetes, alteração metabólica que pode vir a evoluir para diabetes propriamente dita;
Igual ou superior a 6,5%: possível presença de diabetes, o que sugere a repetição do exame para confirmação do diagnóstico.

 

Há problemas, porém, com esse exame, que mesmo alguns médicos não conhecem. As fórmulas que fazem a média de glicose não levam em conta a flutuação da mesma.

Assim um indivíduo que tem grande flutuações glicêmicas, o que é prejudicial ao coração, cérebro e quase tudo o que você possa imaginar em seu corpo, talvez possa ter uma A1C normal, apesar de ser francamente diabético.

Porém, o problema principal é que as mesmas fórmulas colocam um tempo de vida médio padrão de 90-120 dias para as hemoglobinas.

Entretanto, há uma grande variação individual na vida média das red blod cells. Se suas hemoglobinas tem um prazo médio de vida maior do que 90-120 dias, a sua A1C será artificialmente maior , pois como as hemoglobinas vivem mais, elas têm mais tempo para ser glicadas.

Por outro lado, se o tempo de vida é menor, a A1C será artificialmente baixa.

Há ainda um terceiro fator, e isso é bem geek. Quase ninguém sabe, mas há um enzima que faz a “deglicação”, então há pessoas que podem ter uma glicemia alta, mas uma atividade dessa enzima específica alta, dando um baixo número em relação a A1C.

E há pessoas que podem ter uma atividade baixa dessa enzima. Isso é genético e muito difícil de medir fora de laboratórios preparados para estudos técnicos.

Esse é um dos motivos de eu não recomendar um diagnóstico pela A1C, mas apenas usar esse exame como um complemento a outros.

3) A Curva Glicêmica

 

A última forma, e um exame não tão utilizado pelo tempo que toma,
de diagnóstico é o teste de tolerância à glicose. O que é isso?

Consome-se 75g de glicose por via oral e mede-se a curva glicêmica. A curva nada mais é do que uma função matemática que correlaciona a quantidade de glicose no sangue com o passar do tempo depois de ingerida a solução de glicose.

Depois de consumir uma quantidade dessa de glicose é normal que a
concentração dessa substância na corrente sanguínea suba imediatamente, ainda mais que é glicose pura.

Ela, então, deve ir diminuindo gradativamente com o passar do tempo, já que as células betas do pâncreas percebem que houve uma inundação de glicose, e começam a secretar insulina, fazendo os níveis de glicose no sangue diminuírem.

Depois de duas horas da ingestão dessa quantidade de glicose, os valores de referência laboratoriais são esses:

Normal: inferior a 140 mg/dl;
Tolerância diminuída à glicose: entre 140 e 199 mg/dl;
Diabetes: igual ou superior a 200 mg/dl.

Os valores são maiores do que a glicemia de jejum, pois é natural que haja mais glicose em circulação depois de duas horas do que depois de 8 a 12 horas sem se alimentar.

Esse exame não é tão pedido, e é raro encontrar uma pessoa que tenha feito a sua curva glicêmica. No meu primeiro exame desse tipo, minha glicose subiu para apenas 115 mg/dl aos 60 minutos, caindo para 77 mg/dl aos 120 minutos, mostrando que o meu organismo metabolizou toda a glicose ingerida, e ainda mais um pouco, já que os meus níveis de glicemia em jejum são na faixa dos 85 mg/dl.

Apesar de se considerar normal níveis de até 140mg/dl até duas horas depois, isso está longe de ser um valor otimizado. Se alguém duas horas depois de consumir glicose pura ainda tiver uma glicemia de 130mg/dl ela claramente está com problemas metabólicos, pois não é normal uma glicemia tão alta 120 minutos depois, mesmo que se diga que é um resultado normal.

No meu segundo exame de curva glicêmica, a minha glicose aos 60 minutos caiu para apenas 60mg/dl, e aos 120 minutos estava em apenas 55mg/dl, mostrando que o meu organismo estava extremamente sensível à insulina.

Portanto, com esses três exames: glicemia em jejum, curva glicêmica e hemoglobina glicosada, se pode ter uma noção muito razoável sobre como está a quantidade de glicose no sangue.

MAS E A INSULINA?

 

B) Testes Relacionados à Insulina

E a insulina? Pois é, e a insulina, como fica? Para a esmagadora maioria dos casos ela não fica em nenhum lugar, o que é algo perigoso, muito perigoso.

Toda explicação inicial desse artigo sobre a insulina foi para demonstrar o seu papel crucial não apenas no metabolismo da glicose, mas como em muitos outros aspectos do funcionamento do nosso organismo.

Não é possível avaliar como está o metabolismo do nosso corpo, sem saber o que está acontecendo com a insulina.

É IMPRESCINDÍVEL MEDIR A INSULINA.

Por quê? Exames dentro da referência normal de glicose podem mascarar um corpo que já mostra sinais claros de exaustão metabólica.

Se a glicemia de uma pessoa é normal, mas ela precisa de doses cavalares de insulina para metabolizar uma simples banana, é evidente que ela está com resistência à insulina, e se os rumos dietéticos e de estilo devida não forem mudados, possuirá uma grande probabilidade de se tornar diabético.

Mesmo que não venha a se tornar diabético, o simples estado de alta insulina no corpo de maneira constante, também chamado de hiperinsulinemia, é associado com quase todo tipo de doença degenerativa que se pode imaginar.

Na verdade, há estudiosos que acreditam que o estado de hiperinsulinemia é a raiz que está por trás de quase todos os problemas das doenças crônicas.

 

1) A Insulina de Jejum

 

Como é possível descobrir resistência à insulina? Ora, medindo a insulina. Por isso É IMPRESCINDÍVEL MEDIR A INSULINA.

Uma pessoa pré-diabética é um sinal claro de resistência à insulina, mas se os exames de glicose encontram-se nos valores normais de referência é muito difícil analisar se o organismo daquela pessoa encontra-se saudável ou não.

É por isso que alguém pode fazer um exame de glicemia em jejum e aparecer dentro do limite de referência, o médico dizer que está tudo bem,  repetir o exame dois anos depois e descobrir que se tornou diabética.

Há dois anos, a pessoa já podia estar no limiar de se tornar diabética, e isso poderia ser detectado com exames de insulina.

Os limites de referência laboratoriais para insulina em jejum são  muito alargados, muito provavelmente porque boa parte da população esteja doente e nem sabe (os valores de referência são baseados nas médias, medianas, percentis, dos exames realizados pelas pessoas).

Os valores tidos como normais vão de

3 a 36 uUI/ml (micro unidades internacionais por mililitro)

 

Por tudo que li, níveis de insulina basal (ou seja quando o organismo está em jejum) maiores do que 10 devem despertar preocupação.

Níveis ideais são considerados abaixo de 7. Pessoalmente, ceio que o desejável são níveis de insulina abaixo de 5.

Num estudo publicado em 2010, mulheres com insulina basal de 8 tiveram o dobro de risco de desenvolver pré-diabetes em relação a mulheres com insulina basal de 5.

Mulheres com insulina basal de 25 tiveram cinco vezes mais (ou 500% de aumento) de desenvolver pré-diabetes em relação às mulheres com menor insulina.

Portanto, é difícil entender como o valor de referência de insulina pode ir a 36 nos testes laboratoriais, e isso ser considerado normal.

Como já dito a resistência à insulina está associada não apenas a diabetes, mas a uma série imensa de problemas no corpo.

Aos eventuais curiosos, meus últimos seis exames de insulina variaram de 2 a 3,5, que é mais ou menos o otimizado que se pode atingir nesse parâmetro.

 

2) O HOMA-IR

 

O Homa-IR não é um teste, mas sim uma fórmula de medir resistência à insulina baseada na relação entre as medidas de glicose e insulina em jejum.

O método HOMA-IR (Homeostatic model assessment – Insulin Resistent) serve para averiguar a (in)sensibilidade à insulina correlaciona níveis de glicose em jejum com níveis de insulina em jejum.

Há calculadoras online que fazem o cálculo, bastante conhecer as medidas de insulina e glicose.

Dizem que valores normais sejam abaixo de 2, mas valores tolerados seriam abaixo de 2.7. Eu creio que as pessoas deveriam procurar valores abaixo de 1.

 

3) O Exame Kraft – O melhor teste de todos

 

Por fim,  há a forma mais precoce de se avaliar se uma pessoa é insensível à insulina ou se está desenvolvendo problemas em relação à
sensibilidade.

É a forma mais precoce de se detectar tendência de diabetes tipo 2, e infelizmente é quase desconhecida por profissionais de saúde. Trata-se da curva insulinêmica.

Na década de 1970, um médico americano teve a ousada ideia de que a diabetes tipo 2 era um problema de insulina alta, sendo que a glicose aumentada no organismo era apenas uma consequência. Ou seja a insulina tinha um papel central.

Joseph Kraft então testou o dezenas de milhares de pessoas. O que ele fez? Aplicou nessas pessoas o teste de tolerância à glicose citada em seção anterior, mas adicionou também a medição de insulina.

Por qual motivo? Kraft queria ver como o organismo das pessoas, as células beta, se comportariam quando desafiadas por glicose pura em seu organismo.

O que ele percebeu? Ele detectou cinco padrões de resposta à insulina. Em quatro deles, haveria problemas sérios no funcionamento de secreção da insulina. Apenas o padrão I foi considerado como saudável.

Kraft e Insulina
Clássico livro do Dr. Kraft, já tive o prazer de ler boa parte dele.

Todos os outros, a exceção do padrão II que é considerado um caso limite, foram considerados diabéticos, a chamada diabetus in situ.  Isso é revolucionário, por mais que não se perceba ou admita-se.

Essa opinião foi ignorada pela comunidade médica à época.

E por qual motivo esse teste é importante? Pois além de detectar diabéticos muitos anos antes do problema aparecer no aumento descontrolado da glicose em jejum, por exemplo, ele capta anomalias no metabolismo das pessoas.

Não seria exagero, e um médico que admiro e acompanho como o Dr. Petter Attia concorda (ou melhor dizendo eu concordo com ele), que este é um dos exames mais importantes para averiguar o estado geral de saúde de alguém.

 

Os famosos padrões de resposta
Os famosos padrões de resposta ao exame de Kraft. Apenas um, o padrão I, é considerado saudável.

 

Você pode fazer esse exame. Basta pedir ao seu médico que prescreva um exame de tolerância à glicose, com a marcação de insulina junto. Eu também recomendo pedir que meçam a glicose e insulina aos 30 ou 45 minutos.

O teste original de Kraft se fez medições de hora em hora até cinco horas depois da ingestão. Não há a necessidade de um teste tão longo, sendo mais do que suficiente as medições em 0, 30min, 60min e 120min.

Como há uma quantidade enorme de glicose entrando na corrente sanguínea de uma vez só, há uma enorme secreção de insulina no período. Acompanhando os padrões da insulina, é possível ver sinais de
resistência à insulina.

Eu já fiz  esse teste  duas vezes e tive que pesquisar por conta própria como interpretar os valores, já que não havia valores de referência no laboratório, e nem nada muito técnico escrito em português a respeito.

Acabei descobrindo um paper de 2013, e foi muito instrutiva a leitura do mesmo.

O estudo de referência identificou os cinco padrões de resposta insulínica ao teste de resistência a glicose descobertos por Kraft

 

Padrões de Insulina
As cinco figuras em cima dizem respeito às medições de insulina, e as cinco figuras abaixo a medição de glicose. Padrões de resposta à insulina. No padrão I, o mais saudável de todos, a insulina atinge um pico e cai drasticamente aos 120 minutos. Logo, a área sob a curva (Area Under the Curve) dos efeitos da insulina no corpo é muito menor do que os Padrões IV e V onde a insulina no minuto 120 ainda encontra-se elevada.

 

Para este estudo, os cientistas mediram as concentrações de glicose e insulina aos 0, 30, 60 e 120 minutos num grupo de pessoas sem diabetes.

Depois de realizarem esse teste, acompanharam por 11 anos os indivíduos para analisar o que aconteceu com os mesmos em relação ao desenvolvimento ou não de diabetes.

Não vou adentrar em detalhes, mas essa foi a conclusão do Paper já traduzida por mim:

RESULTADOS: Houve 86 casos de incidêndia de DT2.
A incidência cumulativa foi de 3.2, 9.8, 15.4, 47.8 e 37.5% para os padrões
1,2,3,4 e 5 respectivamente.
CONCLUSÃO: Os padrões de concentração de insulina
durante um teste oral de tolerância a glicose fortemente prediz o
desenvolvimento de diabetes tipo 2.

 

Felizmente, o meu padrão foi o tipo 1 nos dois testes que fiz. No segundo exame minha insulina foi medida em apenas 29 em 60 minutos, e tinha voltado ao basal de 2 aos 120 minutos.

Para efeitos de comparação, os indivíduos padrão tipo 1 no estudo tiveram níveis de insulina de 60 a 79 (média de 69) em 60 minutos e  36 a 52 aos 120 minutos (média de 43.7).

Logo, minha medição aos 60 minutos e 120 minutos é muito inferior a todos os indivíduos estudados, o que mostra que tenho uma sensibilidade muito boa a insulina ou ao menos tinha quando realizei o exame.

Importante destacar que a depender do padrão de resposta à insulina, o indivíduo teve 12 vezes mais chance de se tornar diabético (ou seja, 1200% a mais do que o padrão 1).

Talvez seja difícil de visualizar, mas os indivíduos do estudo não tinham glicemias, insulina basal, HOMA-IR muito diferente uns dos outros. A grande diferenciação foi a resposta da insulina aos 30,60 e 120 minutos.

Faça esse exame, prezado leitor, ele é essencial para averiguar o seu estado geral de saúde.

 

Conclusão

 

Todos deveriam se preocupar com esses parâmetros. Eles são essenciais para uma vida saudável.

Do que adiante alcançar a independência financeira e descobrir que está a um passo de se tornar diabético, com conseqüências extremamente negativas para a qualidade de vida.

Entenda o funcionamento da glicose e insulina, e peça para os profissionais de saúde que o auxiliam testarem esses diversos parâmetros.

Sua saúde, sua qualidade de vida, seus filhos e sua sonhada independência financeira cheia de saúde agradecem.