O Governo Bolsonaro: Um desastre Anunciado.

Governo Bolsonaro

    Governo Bolsonaro. Sim, infelizmente ou não, este é o tema do presente artigo.  Artigos como esse não são “atemporais”, e muito provavelmente não possuem valia para muitas pessoas, mas resolvi escrever, pois creio que o grau de insanidade chegou a patamares inimagináveis.

Meu Primeiro Contato com Bolsonaro

     Eu não conhecia Bolsonaro até o ano de 2016. Sabia de nome que era um deputado, mas não fazia a menor noção de quem era.

  Como pessoas que gostavam de finanças pessoais, parcela considerável do meu público, falavam e comentavam sobre o mesmo, eu resolvi à época fazer uma pesquisa bem singela sobre esse personagem.

     Acabei escrevendo um texto em em outubro de 2016 sobre o “Mito” brasileiro. Esse artigo teve alguns blocos de comentários.

     Houve comentários do tipo estridentes, dizendo que eu não sabia do que estava falando, que eu era hipócrita, etc.

      Já outros comentários foram na linha do tipo “olha o Bolsonaro não é uma maravilha, mas ele é o mais próximo a um governo liberal, e muito melhor do que qualquer outro candidato de centro, centro-esquerda ou até mesmo centro-direita”.

   E, por fim, alguns comentários, concordando com o meu posicionamento de que Bolsonaro não era “Mito” algum, ele era apenas um político profissional, que colocou toda a família na política e sem qualquer preparo intelectual.

       Quando observei algumas declarações e vídeos, eu fiquei assustado com a agressividade de Bolsonaro. O meu receio em 2016 não era que ele fosse eleito presidente, eu achava que isso não seria possível. A minha inquietação era alguém como ele trazer para fora do armário os 10-15% da população, o que significa muita gente, que são simpáticos às teses mais grotescas possíveis.

      Jamais pensei que ele teria qualquer chance de obter êxito numa eleição presidencial de um país como o Brasil.

A Eleição de 2018 e Bolsonaro

       Vieram então as eleições de 2018.  Apesar de Bolsonaro ter 20-25% da intenção de votos, eu achava que ele tinha remotas chances de vencer.

       Com tantos candidatos para votar, seria muito difícil que pessoas sensatas votassem nele. Eu estava tão confiante, que se alguém chegasse para apostar 10 mil reais que ele não se elegeria, eu aceitaria o desafio.

       Veio então a facada.  Talvez um evento que mudou a história do Brasil para pior, muito pior. Eu escrevi um artigo na ocasião.

       Era, é, e será evidente que um ato grotesco como aquele só pode merecer repulsa. Se a vítima do ataque é uma pessoa que gostamos, não gostamos, isso é indiferente. O atentado a um candidato presidencial é um atentado às instituições do país, sem falar do drama humano.

        Se o atentado fez com que Bolsonaro ganhasse ou não, eu não sei, pois não me dedico a fazer pesquisas sobre esse tipo de tema. Porém, parece-me claro  que esse incidente colocou Bolsonaro numa posição, enquanto candidato, muito favorável.

      Quando Bolsonaro se recusou a ir aos debates do segundo turno, falando que “não discutiria com um poste”, a quantidade de pessoas que achava isso engraçado ou correto me assustou. Imagino que ele conseguiu ter essa postura pela polarização e pela facada.

       Um candidato não ir a um debate no segundo turno, cara a cara, é algo medíocre. Faz com que o país volte para trás, e se “mediocrize”.

       Se não há debates, a própria política perde um pouco a razão de ser.  Por qual motivo?

      Quer você goste ou não, prezado leitor, haverá pessoas diversas de você com posicionamentos ideológicos distintos. No meu entendimento, a existência de opiniões conflitantes, é algo a ser preservado e valorizado, não destruído.

     Aborto, drogas, imigração, Inteligência Artificial, futebol, pandemia, China, qualquer coisa que você possa imaginar é bem possível que haja opiniões e posicionamentos divergentes.

      Se uma sociedade ainda é formada por etnias diferentes, classes sociais muito diferenciadas, regiões geográficas com histórias e culturas únicas, parece-me ainda mais evidente que a pluralidade de opiniões é algo mais do que natural.

     A política, ao menos um dos seus papeis, é permitir que essa pluralidade de entendimentos possa de alguma maneira conviver de uma forma pacífica.

   Conflitos humanos existem e sempre existirão em qualquer comunidade humana. A forma de acomodar os diversos conflitos quando há pluralidade de ideias e potenciais soluções é encontrar uma forma de resolução consensual, ou ao menos minimamente consensual.

       Para que isso ocorra é necessário boa-fé e debate. Bolsonaro ao literalmente fugir de debates na eleição para o cargo mais importante do país apenas diminuiu a Política com “P” maiúsculo, e deixou claro, para um bom entendedor, mesmo naquela época como ele se comportaria como comandante da nação.

O Governo Bolsonaro

        Então, em janeiro de 2019 , inicia-se o governo Bolsonaro. Já no discurso de posse, quando nosso presidente falou de comunismo e de teses das mais estapafúrdias ainda mais para o ano de 2019, se mostrava que tempos difíceis se aproximavam.

       De ministros da educação que não sabem nem escrever palavras simples em português, passando por secretários de comunicação imitando chefes nazistas, desembocando num ministro das relações exteriores que disse no começo do governo que Trump era como uma luz para a civilização ocidental.

       Nos primeiros meses, e no primeiro ano, era incompreensível. Parecia que algum blogueiro alucinado com pouquíssima formação tinha sido eleito o responsável por indicar os principais cargos na república.

     Não posso discorrer da história do Brasil inteira, por me faltar conhecimento, mas com certeza nos últimos 20-30 anos nada nem remotamente parecido tinha ocorrido com o país.

       Antes de Bolsonaro tomar posse, eu imaginava como alguém que não sabe falar e não suporta o contraditório, iria se sair todo o dia tendo que falar com a imprensa sobre os mais variados assuntos, como faziam a Dilma, o Lula e o FHC.

         Não se iludam, leitores. Se você, eu, ou qualquer pessoa, todo dia precisasse falar várias vezes por dia sobre os mais diversos temas, seria bem possível, por mais brilhante que a pessoa fosse, cometer deslizes.

       Isso é normal, e é por esse motivo que eu nunca prestei tanta atenção a eventuais deslizes em alguma ou outra fala de pessoas tão expostas. O importante para mim é que os políticos, ainda mais um presidente, tem a obrigação de prestar contas na forma de responder a   perguntas.

       O não comparecimento a debates  do segundo turno era um sinal claro. A forma de lidar com a imprensa, com críticas, e com a  constante necessidade de um presidente explicar o que está fazendo era fácil: ignore e insulte.

       Mande jornalistas calar a boca, acabe constantemente entrevistas quando perguntas inconvenientes são feitas, e faça isso tudo de preferência no meio de dezenas de apoiadores batendo palma e xingando quem é dado o sinal para ser xingado. Esse foi o receituário encontrado.

       O Brasil claramente estava caminhando para trás. Escolhemos, infelizmente, o caminho do retrocesso.

       Mas e o governo do Lula? E o da Dilma? E o FHC? O país não estava no caminho errado?

       Infelizmente, foi vendida a ideia, e muitas pessoas inteligentes e sensatas acreditaram de que de alguma maneira o Brasil estava à beira de uma “venezuelização”, com isso querendo dizer que as instituições estavam fracas, a livre imprensa comprometida e o país próximo à bancarrota.

       Eu não acredito nessa narrativa. Eu acredito que o Brasil era um país muito pior no fim do governo militar em comparação ao que é hoje.

       Essa melhora institucional, financeira, de marcos legais, etc, foi fruto da sucessão de governos pós-ditadura, inclusive do Collor.

      Vendeu-se a ideia então de que tudo não prestava, e que um político medíocre que em três décadas como deputado nunca fez absolutamente nada digno de nota seria a solução para a “reconstrução” do Brasil.

       Não era nem mesmo um bilionário, apresentador de TV, e com uma capacidade comunicativa acima da média. Não, não era alguém tipo Trump, era alguém que não sabia falar, que tinha como livro de cabeceira um escrito por um torturador e que nunca tinha tido uma função fora do Estado. Nem ele, nem os seus familiares. Esse seria o responsável pela “reconstrução” do Brasil.

Governo Bolsonaro e a COVID-19

      E então veio uma doença infecciosa. E toda a mediocridade, falta de empatia e completa incompetência foram desnudadas de uma maneira dantesca.

      Não é preciso narrar tudo que vem ocorrendo. Basta dizer que dois ministros da Saúde foram basicamente demitidos no meio de uma Pandemia, muito provavelmente por causa de uma droga cuja eficácia nunca foi comprovada por meio de estudos sérios.

       Ainda não há um Ministro da Saúde nomeado. No meio da maior pandemia dos últimos 100 anos do Brasil, o país não possui um ministro de saúde oficial.

         Isso é dantesco, não há outra forma de dizer. Não há como “dourar a pílula”. Nem ditadores amalucados mundo a fora estão conseguindo ser tão insanos na condução dessa crise sanitária.

     O resultado não poderia ser outro. O país virou o epicentro mundial da doença. A “sorte” do país é que as previsões iniciais de alguns meses atrás parecem que não irão se concretizar por razões ligadas à imunidade, dinâmica do vírus, etc, como foi comentado em artigo anterior:

COVID-19, Atualidades Sobre a Doença. Para onde vamos?

        Se fosse pela nossa incompetência,  e se a população suscetível fosse realmente de 70-80%, era provável que o número de mortes no Brasil até o final do ano ou começo de 2021, poderia ser contado as muitas centenas de milhares, ou talvez até mesmo na casa de milhões.

      Aparentemente, o brasil será poupado dessa mortandade, e o nosso teto deve ser algo em torno de 150-200 mil pessoas mortas até o final dessa pandemia (torcendo para que esse teto não seja atingido). Sim, um número assombrosamente alto, ainda mais se comparado com os países vizinhos, mas bem abaixo da tragédia que poderia ser.

      Imaginem se a Dilma conseguisse em 2016 os votos para não sofrer o impedimento. O que ela continuaria fazendo enquanto presidente? Nada. Ela não teria força para fazer nada, e nem sentido para a sua permanência.

       E, Bolsonaro? Passou-se um ano e meio do seu governo, e o que ele tem oferecer para ajudar na recuperação do país depois dessa grave crise sanitária e a inevitável crise econômica que necessariamente vai vir? Nada. Ele só irá prejudicar ainda mais o Brasil.

    Num momento desse, qualquer país precisa de um líder que minimamente passe segurança. O ideal seria um presidente que de alguma maneira inspirasse os governados, e tivesse a capacidade de unir os diversos setores díspares de uma sociedade tão diversa como a brasileira.

        Bolsonaro representa o oposto de tudo isso.

       Eu teria vergonha de ter votado no Bolsonaro, especialmente no primeiro turno. No segundo turno, compreensível pessoas votarem nele para não eleger mais um candidato do PT. Eu também sentiria vergonha nesse caso, mas seria bem menor.

       O parágrafo anterior é apenas o meu sentimento. Não é feito no intuito de ofender ninguém que por ventura tenha votado no Bolsonaro, ou ainda acredite que ele foi uma boa solução, ou pior que o governo Bolsonaro esteja fazendo um bom trabalho

      Pelo contrário, a única forma de sairmos desse buraco que estamos nos enfiando, é por meio da união nacional e não da desunião.

        O governo de Bolsonaro não é surpresa para ninguém. Não é um político que se elegeu, e alguém ficou desapontado. Não, ele é exatamente o que ele sempre  mostrou que era.

E Daí?

      Não, não é uma referência à infame frase do Bolsonaro. O “E daí” é para um leitor perguntando se isso deveria ter algum efeito em sua vida ou se ele deveria se preocupar.

     Prezados leitores, seja o governo do Bolsonaro ou do Lula, isso não tem qualquer relação como você come, se exercita ou se esforça para obter os seus objetivos.

     Esse texto é apenas uma reflexão minha, nada mais do que isso. Não vou deixar de cuidar da minha filha, de me exercitar, de ler livros do meu interesse, não vou brigar com vizinho que pensa diferente, etc, etc.

     Eu creio que a política, os acontecimentos políticos, felizmente ou não, faz parte da nossa existência. Saiba dosar isso na sua vida, sem que drene as suas energias e motivações para as necessárias outras tarefas em sua vida.

Um grande abraço a todos!